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:: Terça-feira, Janeiro 09, 2007 ::



A poesia de Dóris

Wanderlino Arruda

Linda a poesia de Dóris,
Linda!
Muito de poesia:
beleza de juventude,
ritmo de meninice,
colorido de alegria.
Mil cores.

Confidência de Primavera,
Dóris deixa fluir e fluir-se
sem segredo algum.
O verso é cristal:
jorra e seduz, jorra sincero,
limpo e transparente.
Agradável sempre!

Dóris canta o canto,
não importa se o dia é dia
ou se a noite chega,
porque poesia tem cheiro-criança
e brilho de floresta mágica.
Toda criatura é de Deus,
Realidade sempre.
A música é livre
e o verso não é ilusão.

No infinito olhar de Dóris,
o além permite caminho
E o amanhã será sempre lindo.
Preciso é dourar a esperança,
preciso é viver e amar,
dispensando a visão de enfeites.
¿Felicidade é pés na enxurrada,
tamancos na mão,
alma ensopada
pingando paixão¿.

Mais do que isso
só banho em águas de fadas.
Ou dança com duendes
de múltiplas madrugadas.
Precisa mais?


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:: DENILSON REGO ARRUDA 7:53 PM [+] ::
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A hora é nossa

Wanderlino Arruda

Sorrisos e perfume-amor,
tudo é melodia doce, viver-felicidade.
Hoje e sempre,
o encanto dos beijos.
o calor nos abraços,
cheiro gostosíssimo de mulher linda.

Vibrando felicidade,
te aperto o corpo,
te vejo e sinto,
em sedutor abraço.
És carinho e luz,
alegria e paz,
encanto sempre,
doçura-mel.

Que calor gostoso teu corpo faz
e como é bom o sentir-te amada!
Colorida nobreza tens,
justo e merecido é o teu querer .
A hora é tua,
a hora é minha,
a hora é nossa.
Tempo esplendente de amor...

Acariciando teu rosto,
de pertinho te olhando,
degusto e cheiro,
escuto um tilintar de cores,
no sempre te sentir menina.
Vibro e vivo,
É maravilhoso viver de amor!


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:: DENILSON REGO ARRUDA 7:44 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Outubro 12, 2006 ::


MOTORISTA E PEDESTRE

WANDERLINO ARRUDA


Ponha o carro na garagem
ou escolha um lugar na sombra.
Você é quem decide, só você.

Acerte pela direita,
pois a esquerda é de abrir porta
por onde o motorista sai.

Conserte a roupa:
veja se o cinto está certo,
todos os botões abotoados
e a camisa dentro da calça.
Mesmo sem espelho,
você pode saber de tudo.

Agora, você é pedestre!



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:: DENILSON REGO ARRUDA 11:05 AM [+] ::
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INICIO DAS AULAS, JOVENS MENINAS

WANDERLINO ARRUDA

Início das aulas, tempo-menina,
jovens meninas,
lindas e descontraídas, alegres,
muito alegres,
bem cedo a caminho da escola.

Março e agosto, meses de muitas cores :
saias azuis, blusas mais que modernas,
bonito alvorecer, caminhar de sonhos,
sorrisos de muitos encantos.

Início das aulas, tempo de faceirice,
rodízios de mocinhas em flor,
muitos enleios, muitos...

Múltiplas cores, doces brisas,
um sempre início, leda caminhada:
livros, mochilas, lenços de seda,
muita esperança,
infinita esperança!


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:: DENILSON REGO ARRUDA 11:04 AM [+] ::
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MISTÉRIO NA RUA

WANDERLINO ARRUDA


Manhã de sol,
manhã de luz,
alegria em toda parte.

Gente que vai, gente que vem,
muito mistério em todos os olhos:
deve haver um interesse na rua,
pois muitos caminham depressa,
como nem sempre acontece.

Por que tanta curiosidade, meu Deus?
Deixe estar... paciência...
depois vem a notícia no rádio
ou a imagem na tevê.

Na dúvida, leia o jornal amanhã cedinho.


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:: DENILSON REGO ARRUDA 11:04 AM [+] ::
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:: Quarta-feira, Outubro 11, 2006 ::


FELICIDADE

WANDERLINO ARRUDA

Felicidade não tem peso,
nem tem medida,
não pode ser comprada,
não se empresta, não se toma emprestada.
Só pode ser legítima.
Felicidade falsa não é felicidade, é ilusão.
Mas, se eu soubesse fazer contas na medida do bem,
diria que a felicidade pode ter tamanho,
pode ser grande, pequena,
cabendo nas conchas da mão,
ou ser do tamanhão do mundo.
Felicidade é sabedoria, esperança,
vontade de ir, vontade de ficar,
presente, passado, futuro.
Felicidade é confiança:
fé e crença,trabalho e ação.
Não se pode ter pressa de ser feliz,
porque a felicidade vem devagarinho,
como quem não quer nada.
Ser feliz não depende de dinheiro,
não depende de saúde,
nem de poder.
Felicidade não é fruto da ostentação,
nem do luxo.
Felicidade é desprendimento,
não é ambição.
Só é feliz quem sabe suportar, perder,
sofrer e perdoar.
Só é feliz quem sabe, sobretudo, amar!
(Wanderlino Arruda)


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:: DENILSON REGO ARRUDA 4:27 PM [+] ::
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A VOZ GOSTOSA VOZ DE PIAF

WANDERLINO ARRUDA

É preciso saber descobrir sempre o lado gostoso e nobre de cada momento de nossa vida. Buscar a felicidade é uma obrigação e a própria busca deve ser um motivo de ser feliz. É o que acontece comigo todas as vezes que entro no foyer do Teatro Nacional de Brasília, que desço a rampa aveludada e bonita e vejo aquela majestade de auditório, aquele conjunto monumental que só Niemeyer poderia imaginar e realizar. Ir ao Teatro Nacional de Brasília me oferece um gratificante prazer, um bom motivo de alegria. Foi assim a sensação que tive quando Dagmar, Anderson e eu toma¬mos o primeiro contato com a nossa turma, antes e durante a apresentação de Bibi Ferreira, na peça Piaf, um sonho de interpretação. Foi assim quando nos sentamos, bem em frente, ao palco, num bom grupo composto por lasbek, Riza, Carlos Hetch, e Carmen, vendo do outro lado bons colegas de trabalho, tendo como desta¬que
em mais de meio auditório o charme de Ângela Momm.Curioso que tenha prevalecido em grande parte a cor vermelha, um vermelho forte, vivo, flamejante. Entre nós, e muito feliz, de vestido, bolsa e sapatos vermelhos, a Ivone. iria, mais feliz ainda, com um rosa choque que,
à luz da noite, ninguém diria que não era vermelho. Valquíria, Daniel,
Eduardo, Roberto, Cardenas, todos de camisas vermelhas. O Carlos, não sei se menos ou mais, também com vários detalhes de vermelho. Quando acende a iluminação do palco, o fundo espouca em vermelhidão intensa, vivíssima como um campo de luta, formando conjunto com o foco avermelhado que iluminou Bibi durante todo o tempo. Em contraste, como num romance francês, o negro das roupas do luxo e da pobreza que, de início, apavoram a consciência e a visão do espectador. Para com¬por, de nosso lado, a negritude da camisa do muito mineiro Moacir. De lá e de cá sempre o negro e o vermelho.A voz de Bibi Ferreira, a presença, os gestos, o pessimismo, o lado difícil da vida que ela faz explodir a todo instante, o minúsculo físico sem nenhum traço de beleza, tudo marca a alma de Edite Piaf. É Piaf purinha com a visão de contemporaneidade, é realmente como se estivéssemos em presença dela. Aliás, mais do que isso: as duas, se parecem, quase uma mesma pessoa, todas duas famosas, marcadas visivelmente pela muita idade, com desgaste que a própria vida artística impõe e provoca. A voz, a principio, miudinha, pedindo desculpas por existir, de repente enche e preenche o ambiente e vai tomando volume, ganhando corpo, envolvendo, límpida, num crescendo admirável como se representasse toda a força da sonoridade da eterna França. É como se estivesse no espírito dos cabarés de Paris, no Olímpia, o máxi¬mo da glória
de toda a arte, muito mais do que o Carnegie Hall ou qualquer outro teatro do mundo, inclusive o Nacional de Brasília, em que estamos presentes. Ouço e vejo Piaf e me transporto numa doce saudade para as ruas parisienses, as praças, os monumentos, os «boulevards", os museus. Sinto no acordeom, na harmonia do fundo musical, e atmosfera de cultura, do gosto de sensibilidade que os franceses sabem cultivar com tanto amor. Vejo me no alto da Torre Eiffel, no Arco do Triunfo, na Place de la Concorde" na Pigale, no Sena, dentro de um bateau mouche, na Nôtre Dame, nos teatros de revistas, no Louvre, no meu modesto hotel de viajante solitário e muito feliz. Vejo-me correndo do frio, embevecido com o colorido das luzes, cias bancas de jornais e revistas, das bancas de frutas vermelhinhas, com os brilhos dos restaurantes e cafés, ah ! os cafés! Vejo me envolvido com a alegria das crianças e a beleza magra das mulheres, com a diversidade de tipos, com as
roupas que estrangeiros e franceses desfilam nos passeios e jardins.
Sonho e vejo!E depois de tudo, emocionado, agradeço à arte de Bibi e a oportunidade de estar em Brasília. Nada melhor do que matar uma saudosa saudade!


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:: DENILSON REGO ARRUDA 4:25 PM [+] ::
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PRIMEIROS PASSOS

WANDERLINO ARRUDA

Não sei bem porque, mas ser jornalista era um sonho que eu
acalentava há muito tempo, bem antes de ter-me mudado para Montes Claros, nos meus adolescentes dias de Taiobeiras, tempos de convívio com tudo que um ainda quase menino poderia sonhar. Escrever para jornais e revistas, naquela época já não me parecia uma coisa totalmente impossível, tinha cheiro de realidade, com boa marca de prazo por acontecer.

Na verdade, foi de lá o bom começo, nos meus primeiros exercícios de charadismo e de palavras cruzadas, quando não me limitava à passividade das decifrações, mas indo com determinação a bem mais do que isso: passei a compor charadas e a construir os primeiros desenhos e armar as primeiras batalhas de vocábulos e
siglas, encaminhando-os à Revista "Libertas", que a Polícia Militar
publicava em Belo Horizonte e à "Revista da Marinha", que o Ministério da Marinha editava no Rio de Janeiro. Era uma experiência e tanto, uma grande alegria ao ver textos e nome publicados em letras de imprensa. Aníbal Rego, amigo e companheiros de estudos, um dos melhores professores que já tive, muito me incentivou, procurando valorizar meus primeiros passos nesse tipo de atividade na imprensa. Desenhar a nanquim eu sabia de alguma forma, o que eu não sabia era datilografar, que era coisa difícil em cidade de interior. Foi aí que Ageu Almeida, outro amigo, nas horas de folga da farmácia, me deu grande ajuda, ensinando-me, corrigindo e, mesmo, passando a limpo minhas primeiras produções. Foi uma boa escola, coisa de jamais me esquecer.

Depois, vendo meu esforço, meu interesse, meu pai comprou uma
máquina de escrever e um método simplificado de datilografia. Foi para mim, não tenho dúvida, uma fase de encantamento e alegria. Ainda me lembro de tudo como se fosse hoje: coloquei máquina e livro em cima da canastra de madeira e couro, que havia no meu quarto, bem em frente à janela para aproveitar a claridade, e passei a gastar nos exercícios resmas inteiras de papel almaço, batendo e rebatendo as quatro carreiras de teclas - dedos das duas mãos - até adquirir razoável destreza para escrever bilhetes, cartas e pequenos relatos de acontecimentos de cada dia.

Foi assim que ¿ quase datilógrafo - cheguei a Montes Claros, em
janeiro de 1951, já com meio caminho andado para trabalhar em jornal. Quando o prefeito Enéas Mineiro e médico Luiz Pires fundaram ¿O Jornal de Montes Claros¿, alvoroçado, vi abrirem para mim as portas de uma nova profissão, sentindo mesmo que o grande sonho poderia transformar-se em realidade. Nada, porém, aconteceu, porque o excesso de trabalho no comércio, as tarefas no Colégio Diocesano, a leitura de pelo menos um livro por semana, as cartas para a namorada, tudo, tudo não deixava tempo para o futuro jornalista. Na faixa dos sonhos quase reais, num querer muito, acompanhei, mais do que interessado, a primeira fase do jornal, principalmente as polêmicas entre professor Pedro Sant¿Ana e o jovem médico João Valle Maurício.

Depois veio a política estudantil no grêmio do Instituto Norte
Mineiro, com eleições perdidas e eleições ganhas, liderança construída
quase a ferro e fogo. Foi também nesse tempo que recebi de Waldir Senna a presidência do Diretório dos Estudantes, numa velha sala da rua Doutor Santos, em frente ao Hotel São José. E daí, para quem vinha de tão longe na vida estudar de favor, o novo cargo era um brilho súbito, uma quase consagração, nome diariamente no rádio e pelo menos duas vezes por semana nos jornais. Deve ter sido por isso que o professor José Márcio de Aguiar, que não era tão meu amigo como o era de Haroldo Lívio, resolveu atender o pedido de Oswaldo Antunes e me mandar para o JMC. Antes, recomendou-me o máximo de respeito à gramática, cuidados no contato com o público, e mais do que isso: nunca esperar do jornalismo a riqueza de saldos bancários, porque
jornalismo teria que ser sempre um sacerdócio, ou mais do que isso.

Trabalhei três meses sem ver cor de dinheiro, tudo completamente
de graça e até com alguma despesa saída do meu próprio bolso. Depois,
Oswaldo destinou ao jovem e apressado repórter o diminuto salário de mil cruzeiros, sominha que nem dava para pagar um mês inteiro à pensão de D. Duca.


Um bom começo. Claro, um bom começo!

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:: DENILSON REGO ARRUDA 4:24 PM [+] ::
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ALEGRIA DA NATUREZA

WANDERLINO ARRUDA


Foi num mês de fevereiro, trinta e dois anos depois, que vol¬tei a rever a
minha terra, São João do Paraíso. Foi bem naquele fe¬vereiro brabo de tantas enchentes, estradas intransitáveis, com um mundão de dificuldades para chegar lá, partindo de Taiobeiras. Foi depois de longa viagem por Valença e Nazaré, por Itaparica e Salva¬dor, andanças de muito laudar pelo céu e pelo mar. Em São João, entramos num dia de intensa luz, depois das chuvas. E comigo es¬tavam Olímpia, Rízzia e Gracielle, ao mesmo tempo que bons ami¬gos como Joaquim da Caixa Econômica, Mário Português e meus cunhados Anderson e Nelmy, todos para dar maior prestígio ao fi¬lho que voltava à casa. Nas ruas, o Lauro, colega de curso primário, fazia a surpresa com muitas faixas de saudação, tudo muito grato, bom demais para os olhos e para a alma.

Visitas, encontros, apresentações, um rememorar de sauda¬des, o reviver de velhas e bem guardadas lembranças, uma alegria aqui, uma decepção ali, porque nem tudo que o coração registra fi¬ca imune à ação do tempo. Jovens transformados em velhos, velhos já não em vida. A paisagem já não a mesma e, ainda que melhorada pelo progresso, diferente. Não mais a ponte dos banhos de meni¬nos pelados e jovens lavadeiras; não mais o canavial sem fim; não mais a serra verde escura ligada às nuvens; não mais a igrejinha do alto do morro, nova em folha; a grama da praça, substituída por pavimentação e postos de gasolina; o matagal do cemitério já bair¬ro novo, tudo mudado. Os olhos procuram, o coração deplora to¬da a ausência de eternidade nas coisas e nas pessoas! Quanta falta!

A noite, o lançamento do meu livro, na Matriz, o louvor dos discursos, as
explicações, os abraços, o rolar de tranqüilas lágrimas de gratidão ao
passado, a riqueza das lembranças boas que só a infância pode dar, o olhar reverente de jovens professoras ao camara¬da mais velho, amadurecido pelas duras dores da vida. Olímpia me per¬gunta baixinho o que me passa pela cabeça, enquanto olho a velha igreja, ouço o antigo sino, sinto saudades da paisagem pisada por pés descal¬ços em tempo distante. O que responder ? As coisas que passam pe¬lo sentimento não podem ser analisadas, não são lógicas. As ima¬gens são superpostas, principalmente as do meu pai, ainda novo, do meu avô Vicente, de longas barbas brancas, e da tia Raquel e de D. Adelina, minha professora gorda e clara.

Vem o segundo dia e, enquanto dia, uma viagem pelo Mato Cipó para visitar os tios Júlio e Diolina, a passagem pela Lagoa da Viada, pelo rio, pelos mangueiros, a procura de velhas estradas por onde costumava passar, indo para a casa de Maria de Silvina, o ca¬minho da fazenda do doutor Osório. A cada lembrança, agora o clique de uma foto¬grafia, a promessa intima de pintar um quadro. Na volta, à noite, depois do jantar, a palestra na Escola, uma espécie de acerto de contas, um desfiar de vivos sonhos, um voto de confiança e um in¬centivo às novas gerações. Mais tarde, o passeio pelas ruas, o min¬gau de milho na sala de jantar de D. Benzinha, o café com biscoi¬tos a convite do padre João, madeirense culto, amigo solicito.

Foi durante o café, sentados em duros bancos, braços sobre uma mesa comprida sem toalha, daquelas feitas com madeira for¬nida, que resolvi fazer um comentário sobre meu primeiro profes¬sor, o velho Joaquim Rolla, mestre de régua e palmatória, de lousa e tabuada, de norma e abecê. Falei da escola, falei dos colegas, des¬crevi os objetos. Quando ia mostrar que me lembrava também dos móveis, Cristovina, a anfitriã, sorriu maliciosa e, com brilho no olhar, me fez arrancar de dentro a mais querida das lembranças, pois aquela mesa, aqueles bancos, todo aquele ambiente era a mi¬nha primeira sala de aula. Havia eu, por acaso, me esquecido de que ela era a filha do professor? Estava ali o maior presente ao meu coração. . .


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:: DENILSON REGO ARRUDA 4:24 PM [+] ::
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ALEGRIA DA NATUREZA

WANDERLINO ARRUDA


Foi num mês de fevereiro, trinta e dois anos depois, que vol¬tei a rever a
minha terra, São João do Paraíso. Foi bem naquele fe¬vereiro brabo de tantas enchentes, estradas intransitáveis, com um mundão de dificuldades para chegar lá, partindo de Taiobeiras. Foi depois de longa viagem por Valença e Nazaré, por Itaparica e Salva¬dor, andanças de muito laudar pelo céu e pelo mar. Em São João, entramos num dia de intensa luz, depois das chuvas. E comigo es¬tavam Olímpia, Rízzia e Gracielle, ao mesmo tempo que bons ami¬gos como Joaquim da Caixa Econômica, Mário Português e meus cunhados Anderson e Nelmy, todos para dar maior prestígio ao fi¬lho que voltava à casa. Nas ruas, o Lauro, colega de curso primário, fazia a surpresa com muitas faixas de saudação, tudo muito grato, bom demais para os olhos e para a alma.

Visitas, encontros, apresentações, um rememorar de sauda¬des, o reviver de velhas e bem guardadas lembranças, uma alegria aqui, uma decepção ali, porque nem tudo que o coração registra fi¬ca imune à ação do tempo. Jovens transformados em velhos, velhos já não em vida. A paisagem já não a mesma e, ainda que melhorada pelo progresso, diferente. Não mais a ponte dos banhos de meni¬nos pelados e jovens lavadeiras; não mais o canavial sem fim; não mais a serra verde escura ligada às nuvens; não mais a igrejinha do alto do morro, nova em folha; a grama da praça, substituída por pavimentação e postos de gasolina; o matagal do cemitério já bair¬ro novo, tudo mudado. Os olhos procuram, o coração deplora to¬da a ausência de eternidade nas coisas e nas pessoas! Quanta falta!

A noite, o lançamento do meu livro, na Matriz, o louvor dos discursos, as
explicações, os abraços, o rolar de tranqüilas lágrimas de gratidão ao
passado, a riqueza das lembranças boas que só a infância pode dar, o olhar reverente de jovens professoras ao camara¬da mais velho, amadurecido pelas duras dores da vida. Olímpia me per¬gunta baixinho o que me passa pela cabeça, enquanto olho a velha igreja, ouço o antigo sino, sinto saudades da paisagem pisada por pés descal¬ços em tempo distante. O que responder ? As coisas que passam pe¬lo sentimento não podem ser analisadas, não são lógicas. As ima¬gens são superpostas, principalmente as do meu pai, ainda novo, do meu avô Vicente, de longas barbas brancas, e da tia Raquel e de D. Adelina, minha professora gorda e clara.

Vem o segundo dia e, enquanto dia, uma viagem pelo Mato Cipó para visitar os tios Júlio e Diolina, a passagem pela Lagoa da Viada, pelo rio, pelos mangueiros, a procura de velhas estradas por onde costumava passar, indo para a casa de Maria de Silvina, o ca¬minho da fazenda do doutor Osório. A cada lembrança, agora o clique de uma foto¬grafia, a promessa intima de pintar um quadro. Na volta, à noite, depois do jantar, a palestra na Escola, uma espécie de acerto de contas, um desfiar de vivos sonhos, um voto de confiança e um in¬centivo às novas gerações. Mais tarde, o passeio pelas ruas, o min¬gau de milho na sala de jantar de D. Benzinha, o café com biscoi¬tos a convite do padre João, madeirense culto, amigo solicito.

Foi durante o café, sentados em duros bancos, braços sobre uma mesa comprida sem toalha, daquelas feitas com madeira for¬nida, que resolvi fazer um comentário sobre meu primeiro profes¬sor, o velho Joaquim Rolla, mestre de régua e palmatória, de lousa e tabuada, de norma e abecê. Falei da escola, falei dos colegas, des¬crevi os objetos. Quando ia mostrar que me lembrava também dos móveis, Cristovina, a anfitriã, sorriu maliciosa e, com brilho no olhar, me fez arrancar de dentro a mais querida das lembranças, pois aquela mesa, aqueles bancos, todo aquele ambiente era a mi¬nha primeira sala de aula. Havia eu, por acaso, me esquecido de que ela era a filha do professor? Estava ali o maior presente ao meu coração. . .


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O MULO DARCY RIBEIRO

WANDERLINO ARRUDA


O lançamento do segundo romance de Darcy Ribeiro-"O MULO"- na Academia Montesclarense de Letras, numa descontraída noite de quinta-feira de dezembro, foi um reencontro de alegria e de contrastes, com um amado e temido filho da terra a derramar nos ouvidos o mel e o fel de santas heresias e virtudes. Ora terno, doente de romantismo, saudoso filho de dona Fininha Silveira, ora demolidor, prenhe de força belicosa, irmão de Mário Ribeiro, ora compulsivamente criativo, primo espiritual de Konstantin Christoff. É que Darcy Ribeiro nasceu pouco adaptado ao modo e ao jeito dos mineiros, nunca afeito ao silêncio, ao retraimento, mas, ao contrário, incomodo para inteligências e sentimentos preguiçosos, bisturi ou látego auto-conduzido e sempre a si mesmo proclamado.

Ao contrário de Ciro dos Anjos, outro montes-clarense famoso no mundo das Letras, este sereno, machadiano, universalista, acomodado como um velho funcionário público, a curtir um silêncio invisível, Darcy Ribeiro é e afigura-se agitado, fogoso, tropicalmente brasileiro, aquecido de alma e corpo, de lufa e de luta, instintivo, felino como um condor. De inteligência selvagem, incontida, Darcy raciocina como uma ventania de amor a tudo que é cultura. Curtido primitivamente no sol e no solo do sertão de Montes Claros, fruto teórico de ternura
e de instinto, de voluptuosa ambição de mundo. Darcy é um caldeirão efervescente de idéias como a querer viver em uma só vida todas as vidas. Mortal, tem pretensões de imortalidade e imortal se fez pelos feitos multifeitos.

Bem brasileiro, latinamente apaixonado, traz na alma o Mulo Darcy retalhos de peles de todas as cores: a cor do índio, a cor do negro, lembranças atávicas do misticismo dos celtas, aguerrida força de velhos godos, gosto de mando da alma ibérica, uma noção tão grande de espaço e de glória que só navegadores fenícios poderiam ter impregnado o sangue de marinheiros do velho Portugal. Tem mais: Darcy é lúbrico como um cristão novo, fogoso como um nômade cavaleiro árabe. Na verdade, é um homem com a alma da raça, e não só da portuguesa, da índia e da africana, misturadas no cadinho brasileiro. E da raça humana, pois portador de muitas virtudes e de muitos defeitos, um caldo bem temperado de semens jorrados do chuveiro eterno, não sei porque nascido em Montes Claros.

O MULO é esta cidade sedenta de força humanamente parceira de Deus na distribuição da vida e da morte; divinamente sequiosa na busca de amor, criadoramente envolvente na caça do mando e do poder. Sensual, oportunista, material, religiosamente mística, faminta da novidade, sonhadora de futuro. O MULO é um pedaço de cada criatura que viva ébria da própria terra natal, homem ou mulher. O MULO tem muito de João Valle Maurício na palavra e na sutileza, muito de Konstantin no arregalo da anatomia, no desenhar das forças; muito de Crispim da Rocha no faro do homem do mato, forte e inteligente; muito de Filomeno na sede do ter e do governar; muito de Plínio Ribeiro, no misticismo, no gosto do idear, no ser e não ser da vida. O MULO é Darcy e é Mário Ribeiro, inconseqüentes e perseverantes, sempre determinados.

O MULO, centro de uma bem romanceada trama de Realismo e Naturalismo, barroco talvez pelos contrastes, hereditariamente marcado pelo destino, fruto do amor e do desamor, sem peias, sem origem e sem destino produto da terra e da carne, somos-isso é verdade-todos nós, pequenas grandiosas criaturas no sofrer e no gozar.

E que Deus nos perdoe-Amém.


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RUAS DE LISBOA

WANDERLINO ARRUDA

Não creio que exista outra cidade no mundo com ruas de nomes mais engraçados do que as de Lisboa. Parece que os portugueses que viveram mais perto de El-rei tinham mais aguçada a imaginação, eram mais românticos ou, então, queriam uma notoriedade pelo lado alegre da vida. Os lisboetas, lisbonenses ou ulissiponenses, conforme o grau de erudição, ou simplesmente alfacinhas, conforme o grau de intimidade, foram sempre uma gente bem disposta, cheia de vida, vaidosa por sua cidade. Chamam Roma de cidade eterna, mas eu acho que Lisboa é que é cidade de nunca se esquecer. Ninguém passa pela capital portuguesa como um simples passageiro. Lisboa é terra para uma saudade de vida inteira, finda, aconchegante, educada, cheia de cultura, inteligência e arte em cada rua, cada beco, nos largos, nas praças, nas ladeiras, nos terreiros em vielas ou avenidas, no morro do Castelo ou na beira do Tejo!
Eterna menina moça, noiva e namorada, Lisboa tem a mágica de uma lembrança de muitos séculos de história, o encanto das descrições literárias de Eça, de Herculano, de Castilho e até do nosso saudoso David Nasser, que tanto amou o que ele chamava de "Portugal, meu avôzinho". se Lisboa fosse brasileira, poderíamos dizê-la um doce-de-coco, cujo tempero de cravo e canela parece chegar mais ao nosso coração! E se o visitante tem mesmo muito amor, como 6 sentimental descobri-la, percorrê-la de ponta a ponta, vivê-la com carinho e sofreguidão! Apaixonada como Lisboa, talvez sã a nossa Salvador, cidade de todos os santos. Bonita, é possível que sã o Rio de Janeiro. Aconchegante, quem sabe só Fortaleza ou Maceió! Lisboa muito tem de Manaus, de Porto Alegre, de Belo Horizonte, de Curitiba! Faceira, movimentada, antiga e moderna ao mesmo tempo!
O gostoso é que Lisboa nunca perde seu encanto, com velhos elevadores, velhas igrejas, o casario de telhados vermelhos em Al¬fama, a beira do Tejo, rio mar com brancas gaivotas, a historia viva nas paredes de pedras do romano castelo de São João, o Rossio, o Chiado, o bondinho valente da Graça, as cegonhas do Sete Rios, os vendedores de rua, as raparigas de chales negros, as feireiras de salto alto e vistosos brincos de ouro, o Bairro Alto, o som do fado! Encanto em todos os cantos!
Mas o mais gostoso em Lisboa são os nomes das ruas ou de todos os lugares por onde passam as gentes, por onde a gente passa. Ninguém pode deles esquecer: Beco da Amorosa, Largo das Garridas, Poço dos Negros, Pátio do Albergue das Crianças Abandonadas, A Calçadinha de São Miguel, Beco do Pocinho, Rua das Escolas Gerais, Rua da Fresca, Rua da Bempostinha, Quinta do Espião, Pátio do Joaquim Polícia, Pátio das Malucas, Travessa do Pinto, Quinta da Argolinha, Rua da Horta Nova, Travessa do Vintém das Escolas, Pátio do Ferro de Engomar, Travessa do Pau-de¬ferro, Azinhaga da Bruxa... Tudo um amor!
Tem mais, tem muito mais: Pátio da Fartura, Rua da Cozinha Econômica, Rua da Horta das Tripas, Rua Joaquim Leiteiro, Bairro das Galinheiras, Beco da Bicha, Largo do Chafariz de Dentro, Beco do Pocinho, Rua do Benformoso, Vila do Penteado, Rua do Alfredo Pimenta, Largo da Bomba, Beco dos Surradores, Travessia da Zebra, Vila do Cabaço, Rua do Saco, Travessa da Rabicha, Rua da Buraca, Rua dos Bons Dias, Pátio da Mariana Vapor. Cinco são as ruas chamadas Direita, uma rua chamada Esquerda, Rua da Pátria, Rua do Ouro, Terreiro do Paço Quanta fartura de ruas com nomes de santos, só de Santo Antônio, quase cinqüenta!
Existem até a Travessa dos Prazeres, a Rua da Triste Feia e a Praça da Alegria! Não sei quando, mas ainda vou vê-las de novo!

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BANHO, MANIA DE BRASILEIRO

WANDERLINO ARRUDA


O Padre Aderbal Murta conta que o reitor da Universidade de Louvain, na Bélgica, não ficou nada satisfeito quando os seminaristas brasileiros, que iam chegando por lá, começaram a pedir um banheiro, um pequeno cômodo no grande conjunto de edifícios, algo que eles consideravam necessário e muito importante. Isso mesmo, um banheiro, um local onde se lavar de pé e cabeça, receber água vindo de cima, passar sabonete, enxaguar o corpo, enxugar, depois, com toalha felpuda. Não o banho de bacia, de sopapo, como diria o meu amigo Nô Barrão. Banho mesmo, de chuveiro, com água morna, não pelando, nem fria, que ninguém é de ferro. Essa exigência, disseram os administradores, era coisa de estudante subdesenvolvido, tinha que vir de brasileiros, sujeitinhos metidos a besta! Banho na Bélgica, até então, era banho de luva, de esponja, apenas esfregando, sem correr água, sem molhar o chão. . .
Pois bem! Agora, leio na revista BRASIL ROTARIO interessante comentário de Derli Antônio Bernardi, de Maringá, dizendo de quando tomar banho era pecado e dava até cadeia. Quanta curiosidade! Tinham perdido a sabedoria árabe, segundo a qual "a água e o mais eficiente de todos os remédios e o melhor de todos os cosméticos". Tinham perdido a experiência egípcia de quando se tomava banho em tinas de ouro, e, da Grécia, quando o palácio do Rei Minos possuía a mais espetacular banheira da antigüidade, decorada com mármore e pedras preciosas. Tinham se esquecido da tradição banhista de Roma, quando os banheiros eram tão grã-finos que havia vinte e cinco qualidades diferentes de banhos ¿ com óleos, vapores, ervas, essências, etc. ¿ e havia ao lado deles galerias de arte, teatros e templos dedicados aos deuses.
Os bárbaros, quando invadiram a Europa, pobres coitados, culparam os banhos coletivos pela decadência romana. Aproveita- ram a guerra e destruíram todos os banheiros públicos e particulares, varrendo, por quase mil anos, o higiênico e gostoso costume, fazendo praticamente desaparecer a palavra banho. O tempo corre, não para, e, na Idade Média, os livros de etiqueta recomendam apenas lavar as mãos antes das refeições, o que não é de se admirar, porque naquele tempo ainda não havia talheres, era tudo na base do capitão.
Coisa estranha, a Rainha Isabel de Castella não fazia segredo de quantos banhos havia tomado durante toda a sua vida: apenas dois, um ao nascer e outro ao se casar, para ficar cheirosa para o real consorte, no primeiro dia de lua-de-mel. Por mais incrível que pareça, também a religião contribuiu grandemente para o declínio da popularidade do hábito de banhar. São Gregório proibiu os banhos aos sábados "principalmente se a finalidade fosse higiênica". Houve até uma lei permitindo o banho apenas às terças-feiras. Banhar-se era pecado, luxúria, um gosto muito mundano, um zelo excessivo com o corpo, ora pois!
Foi em torno do ano de 1800 que, na Inglaterra, apareceu uma casa de banho à moda turca, com freqüência permitida apenas para homens e cortesãs, hermeticamente fechada às mulheres de família, porque indigna da gente seria do belo sexo. Na França, ao tempo de Napoleão, houve maior liberalidade e até apareceu uma nova profissão, a dos banhadores, que saíam, de casa em casa, carregando tinas para lavar a suja nobreza. Na América colonial, os puritanos consideravam banhos e sabonetes coisas impuras, chegando ao ponto de, na Filadélfia, quem tomasse mais de um banho por mês, tinha de ser condenado à cadeia por desrespeito aos bons costumes. A primeira casa de banhos publica de Nova York veio aparecer em 1852, mas só regulamentada por comissão especial em 1913.
Banho farto, diário, de mais de uma vez por dia é mesmo coisa de brasileiro. E não e devidamente por dois terços da nossa raça, a africana e a portuguesa, que também não era lá de muita água. Devemos a tradição aos ancestrais do sangue tupi e guarani, nossos índios que apreciavam e muito as brincadeiras e os mergulhos nos rios e nas praias, principalmente nos dias de maior calor, pois divertimento maior não poderia haver! Como disse: banho, mania de brasileiro...


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O DIA EM QUE CHIQUINHO SUMIU

WANDERLINO ARRUDA


No dia de novembro em que Chiquinho sumiu eu não estava em Brasília. Viajara semanas antes e nem vira o bichinho nem na chegada nem na saída numa permanência de muito tempo. Hospedado no St. Paul Hotel, nem uma vez fui à Setecentos e Três Sul, não sei se por comodismo ou ingratidão, embora lá estivessem muitos dos meus colegas e amigos e também o Chiquinho. Foi uma pena. Agora que o Chiquinho desapareceu é que eu vejo a perda, a dor de uma ausência mesmo não deliberada. Perto de lá, passei apenas duas vezes: uma à noite, indo à casa do Nelson Pereira de Souza, presidente brasileiro do Esperanto, e outra, numa manhã de domingo, num passeio circular pela cidade para uma visita à Walkíria e Nabiran. Mas à casa da Concessa e do Chiquinho, eu não fui.
Soube do sumiço do Chiquinho por notícia do colega Geraldo Eustáquio, que lá ficou hospedado durante um mês por sugestão minha. Ele contou-me do choro da Concessa, da angústia dos hóspedes, da tristeza da Neide, da sensação de perda de todos, na hora do café, na hora do jantar, e, principalmente, na hora da televisão, quando era mais firme a lembrança do Chiquinho deitado na almofada de fina seda, entusiasmado com os programas da Globo da viúva Porcina. Eustáquio contou-me ainda que a Concessa ficou intolerável, nervosa, cheia de queixume, longe da gentileza normal de que ela é a maior portadora do mundo. Acabou até a alegria da casa e houve até reclamação!
Também triste, mesmo longo do epicentro da tragédia, não agüento ficar sozinho com a notícia, e telefono incontinenti para o Recife e falo do acontecimento com o meu grande amigo Tiago Marcos, ainda mais amigo da Concessa do que eu, pois quase conterrâneo, ela do Rio Grande do Norte, ele de Jaboatão, em Pernambuco. Tiago diz-me que nem pode acreditar, deve haver um engano, o Chiquinho deve estar esperando a hora de voltar! Falo-lhe do desespero da Concessa, de que fui informado, e ele me promete que logo estaremos em Brasília para ajudar a amiga. Se eu quiser, posso até esperá-lo no Aeroporto, no domingo dia 4 de janeiro, à tardinha. Vamos chegar juntos à 703, Bloco J, como já fizemos de outras vezes em que trabalhamos em tarefas de treinamento de colegas do Banco do Brasil. Tiago sempre foi um dos maiores admiradores de Chiquinho, e com ele sabia até conversar...
Quando telefono para Concessa para confirmar a reserva do apartamento em que vou ficar, e apresentar os meus sentimentos pela ausência do Chiquinho, ela me diz que o Tiago já chamara para ele e dera conta dos dois recados, para ele a para mim. A presença telefônica dos dois amigos, parece, minorara um pouco o seu sofrimento e só Deus sabe quanto é importante a solidariedade! Narrou todos os acontecimentos, dizendo que, no dia do desaparecimento do Chiquinho, ela e muita gene vasculharam com malha fina nada menos de nove quadras, da novecentos e três até a quinhentos e cinco. Mais fizera se não fora para tão longo amor tão curto o dia!
Não vejo a hora de telefonar para dar a notícia ao Jorge, ao Kalunga e ao Moacir, no Rio Grande do Sul, à Ivone, à Mitsu, ao Hiroshi, em São Paulo; ao Geraldo, em Teófilo Otôni, e, quem sabe, a mais alguém neste grande Brasil que do Chiquinho sempre gostara.
Esqueci-me de dizer, minha senhora, que Chiquinho é o gato mais querido da Concessa!


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WANDERLINO ARRUDA

Minha amiga e colega Vera Lúcia Lopes Silva, esposa do filósofo Antônio Joaquim, certa vez me disse que eu sempre escrevo de forma a ser personagem também da história. Que sempre dou um jeito de penetrar pessalmente nos acontecimentos. D. Vera mão me fez essa observação como censura, e afirmou achar apenas um lado curiosos de colocar as idéias no papel, apresentando-me com certo envolvimento, assim como acontece com as mulheres num caso de amor. É certo que não tenho defesa e, mais uma vez, venho dar provas de que não consigo escrever, um noticiador de fatos, um redator objetivo, isento. Subjetivista, envolvo-me realmente e com isso me dou por feliz. A conversa explicada tem uma razão. Ainda agora, vou contar uma história bem conhecida de todos, porque noticiada para meio mundo e para o mundo inteiro, que é o de Tancredo, neste dias de sua morte em São Paulo, com passagem por muitas terras deste triângulo com Brasília e Minas Gerais. A televisão, as rádios, os jornais e as revistas nunca estiveram tão ricos de acontecimentos e imagens, de conceitos e opiniões, de tristezas e lamentações. O prazo longo da doença do presidente permitiu organizar tudo, dar toques de perfeição e oportunidade, um trabalho de divulgação digno de louvor até para a imprensa do nosso interior, mais afastada, mas não menos bem informada. Em Brasília, mergulhado como nunca nos livros, apostilas, anotações, transparências de retroprojeção, vídeos, planos de aulas, num curso de administração bancária, de uma hora para outra, na noite de domingo, com um grupo de colegas de várias regiões deste Brasil, sentimos a necessidade de uma parada par meditação e acompanhamento dos fatos ligados à morte do inesquecível presidente Tancredo. Se não foi surpresa para ninguém, a movimentação de notícias se tornou tão efetiva que não era possível deixar de participar. A ordem era ficar acordados até tarde do domingo, levantar na segunda, olhos e ouvidos ligados em São Paulo. Só às sete, a televisão informe do feriado nacional, mas mesmo assim seguimos para o trabalho, com vontade de cumprir metas sem atraso, tentativa de voltarmos - cada um para sua casa - no prazo previsto. A primeira emoção é a passagem pela igreja de Dom Bosco, nossa vizinha da quadra 703, um dos monumentos mais belos da arquitetura de Brasília, quando visto de dentro para fora, toda construída de concreto e vidros coloridos, com conjunto de vitrais de causar impacto no mais duro coração. E, na manhã de segunda, o saber de que foi ali o último lugar em que Tancredo pisou publicamente com os próprios pés, abalava qualquer sentimento brasileiro. A beleza do teto, a brancura do piso de mármore, os múltiplos tons de azul e violeta, o pesado candelabro de cristais, a sobriedade de estudo com apenas duas esculturas - do Cristo e do patrono - tudo marcava profundamente a nossa memória, lembrando Tancredo lá sentado ou ajoelhado, já com a dor espelhada na face, D. Risoleta toda cuidados, o povo sentindo a aurora de um novo tempo. Desde cedinho, o repicar dos sinos eletrônicos da D. Bosco ressuscitava os sons gostosos dos sinos mineiros de São João Del-Rei, Ouro Preto, Mariana, Sabará e Diamantina. Que coisa mais linda! O avião nem bem saíra de S. Paulo, já víamos gentes de todas as raças a caminhar par o aeroporto, par o Eixão, par a Esplanada, para as circunvizinhanças dos palácios, por toda e qualquer parte por onde poderia passar materialmente o grande presidente. Nada mais emocionava tanto como o verde-amarelo tarjado de preto de luto. Nada era mais patriótico do que as pequenas e grandes bandeiras - estas eram três - a servir de amparo do sol quente da capital da República. Velhos, crianças, senhoras, jovens em suas máquinas de velocidade, burocratas de paletó e gravata, cavalheiros de bermudas, parados, caminhando, correndo, um painel maravilhoso de saudades e reconhecimento a Tancredo. O que mais me emocionou, entretanto, foi um garoto mal vestido de aparência realmente humilde, cara de tristeza visível, que portava um cartaz de escrita rústica, traçada por quem aprendeu pouco na escola, mas muito na vida. Lá estava escrito: "ADEUS TANCREDO, MAS O CÉU PODIA ESPERAR"...


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