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:: Quinta-feira, Outubro 12, 2006
::
INICIO DAS AULAS, JOVENS MENINAS
WANDERLINO ARRUDA
Início das aulas, tempo-menina,
jovens meninas,
lindas e descontraídas, alegres,
muito alegres,
bem cedo a caminho da escola.
Março e agosto, meses de muitas cores :
saias azuis, blusas mais que modernas,
bonito alvorecer, caminhar de sonhos,
sorrisos de muitos encantos.
Início das aulas, tempo de faceirice,
rodízios de mocinhas em flor,
muitos enleios, muitos...
Múltiplas cores, doces brisas,
um sempre início, leda caminhada:
livros, mochilas, lenços de seda,
muita esperança,
infinita esperança!
LOGOS BRASIL
PROMENADE 33
MONTES CLAROS MG
EBOOK WANDER
ACADEMIA 11
GOLD DEMOCRACY
TEMPO BRASIL
ELOS MG
ROTARY NORTE
:: DENILSON REGO ARRUDA 11:04 AM
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:: Quarta-feira, Outubro 11, 2006
::
FELICIDADE
WANDERLINO ARRUDA
Felicidade não tem peso,
nem tem medida,
não pode ser comprada,
não se empresta, não se toma emprestada.
Só pode ser legítima.
Felicidade falsa não é felicidade, é ilusão.
Mas, se eu soubesse fazer contas na medida do bem,
diria que a felicidade pode ter tamanho,
pode ser grande, pequena,
cabendo nas conchas da mão,
ou ser do tamanhão do mundo.
Felicidade é sabedoria, esperança,
vontade de ir, vontade de ficar,
presente, passado, futuro.
Felicidade é confiança:
fé e crença,trabalho e ação.
Não se pode ter pressa de ser feliz,
porque a felicidade vem devagarinho,
como quem não quer nada.
Ser feliz não depende de dinheiro,
não depende de saúde,
nem de poder.
Felicidade não é fruto da ostentação,
nem do luxo.
Felicidade é desprendimento,
não é ambição.
Só é feliz quem sabe suportar, perder,
sofrer e perdoar.
Só é feliz quem sabe, sobretudo, amar!
(Wanderlino Arruda)
TEMPO VIRTUAL
PORTAL DOIS
CHARME POEM
BRASIL POESIAS
MENSAGENS PARA LEMBRAR
PREDICADO
AVENTURA 100
PENSAMENTO 11
:: DENILSON REGO ARRUDA 4:27 PM
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A VOZ GOSTOSA VOZ DE PIAF
WANDERLINO ARRUDA
É preciso saber descobrir sempre o lado gostoso e nobre de cada momento de nossa vida. Buscar a felicidade é uma obrigação e a própria busca deve ser um motivo de ser feliz. É o que acontece comigo todas as vezes que entro no foyer do Teatro Nacional de Brasília, que desço a rampa aveludada e bonita e vejo aquela majestade de auditório, aquele conjunto monumental que só Niemeyer poderia imaginar e realizar. Ir ao Teatro Nacional de Brasília me oferece um gratificante prazer, um bom motivo de alegria. Foi assim a sensação que tive quando Dagmar, Anderson e eu toma¬mos o primeiro contato com a nossa turma, antes e durante a apresentação de Bibi Ferreira, na peça Piaf, um sonho de interpretação. Foi assim quando nos sentamos, bem em frente, ao palco, num bom grupo composto por lasbek, Riza, Carlos Hetch, e Carmen, vendo do outro lado bons colegas de trabalho, tendo como desta¬que
em mais de meio auditório o charme de Ângela Momm.Curioso que tenha prevalecido em grande parte a cor vermelha, um vermelho forte, vivo, flamejante. Entre nós, e muito feliz, de vestido, bolsa e sapatos vermelhos, a Ivone. iria, mais feliz ainda, com um rosa choque que,
à luz da noite, ninguém diria que não era vermelho. Valquíria, Daniel,
Eduardo, Roberto, Cardenas, todos de camisas vermelhas. O Carlos, não sei se menos ou mais, também com vários detalhes de vermelho. Quando acende a iluminação do palco, o fundo espouca em vermelhidão intensa, vivíssima como um campo de luta, formando conjunto com o foco avermelhado que iluminou Bibi durante todo o tempo. Em contraste, como num romance francês, o negro das roupas do luxo e da pobreza que, de início, apavoram a consciência e a visão do espectador. Para com¬por, de nosso lado, a negritude da camisa do muito mineiro Moacir. De lá e de cá sempre o negro e o vermelho.A voz de Bibi Ferreira, a presença, os gestos, o pessimismo, o lado difícil da vida que ela faz explodir a todo instante, o minúsculo físico sem nenhum traço de beleza, tudo marca a alma de Edite Piaf. É Piaf purinha com a visão de contemporaneidade, é realmente como se estivéssemos em presença dela. Aliás, mais do que isso: as duas, se parecem, quase uma mesma pessoa, todas duas famosas, marcadas visivelmente pela muita idade, com desgaste que a própria vida artística impõe e provoca. A voz, a principio, miudinha, pedindo desculpas por existir, de repente enche e preenche o ambiente e vai tomando volume, ganhando corpo, envolvendo, límpida, num crescendo admirável como se representasse toda a força da sonoridade da eterna França. É como se estivesse no espírito dos cabarés de Paris, no Olímpia, o máxi¬mo da glória
de toda a arte, muito mais do que o Carnegie Hall ou qualquer outro teatro do mundo, inclusive o Nacional de Brasília, em que estamos presentes. Ouço e vejo Piaf e me transporto numa doce saudade para as ruas parisienses, as praças, os monumentos, os «boulevards", os museus. Sinto no acordeom, na harmonia do fundo musical, e atmosfera de cultura, do gosto de sensibilidade que os franceses sabem cultivar com tanto amor. Vejo me no alto da Torre Eiffel, no Arco do Triunfo, na Place de la Concorde" na Pigale, no Sena, dentro de um bateau mouche, na Nôtre Dame, nos teatros de revistas, no Louvre, no meu modesto hotel de viajante solitário e muito feliz. Vejo-me correndo do frio, embevecido com o colorido das luzes, cias bancas de jornais e revistas, das bancas de frutas vermelhinhas, com os brilhos dos restaurantes e cafés, ah ! os cafés! Vejo me envolvido com a alegria das crianças e a beleza magra das mulheres, com a diversidade de tipos, com as
roupas que estrangeiros e franceses desfilam nos passeios e jardins.
Sonho e vejo!E depois de tudo, emocionado, agradeço à arte de Bibi e a oportunidade de estar em Brasília. Nada melhor do que matar uma saudosa saudade!
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:: DENILSON REGO ARRUDA 4:25 PM
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PRIMEIROS PASSOS
WANDERLINO ARRUDA
Não sei bem porque, mas ser jornalista era um sonho que eu
acalentava há muito tempo, bem antes de ter-me mudado para Montes Claros, nos meus adolescentes dias de Taiobeiras, tempos de convívio com tudo que um ainda quase menino poderia sonhar. Escrever para jornais e revistas, naquela época já não me parecia uma coisa totalmente impossível, tinha cheiro de realidade, com boa marca de prazo por acontecer.
Na verdade, foi de lá o bom começo, nos meus primeiros exercícios de charadismo e de palavras cruzadas, quando não me limitava à passividade das decifrações, mas indo com determinação a bem mais do que isso: passei a compor charadas e a construir os primeiros desenhos e armar as primeiras batalhas de vocábulos e
siglas, encaminhando-os à Revista "Libertas", que a Polícia Militar
publicava em Belo Horizonte e à "Revista da Marinha", que o Ministério da Marinha editava no Rio de Janeiro. Era uma experiência e tanto, uma grande alegria ao ver textos e nome publicados em letras de imprensa. Aníbal Rego, amigo e companheiros de estudos, um dos melhores professores que já tive, muito me incentivou, procurando valorizar meus primeiros passos nesse tipo de atividade na imprensa. Desenhar a nanquim eu sabia de alguma forma, o que eu não sabia era datilografar, que era coisa difícil em cidade de interior. Foi aí que Ageu Almeida, outro amigo, nas horas de folga da farmácia, me deu grande ajuda, ensinando-me, corrigindo e, mesmo, passando a limpo minhas primeiras produções. Foi uma boa escola, coisa de jamais me esquecer.
Depois, vendo meu esforço, meu interesse, meu pai comprou uma
máquina de escrever e um método simplificado de datilografia. Foi para mim, não tenho dúvida, uma fase de encantamento e alegria. Ainda me lembro de tudo como se fosse hoje: coloquei máquina e livro em cima da canastra de madeira e couro, que havia no meu quarto, bem em frente à janela para aproveitar a claridade, e passei a gastar nos exercícios resmas inteiras de papel almaço, batendo e rebatendo as quatro carreiras de teclas - dedos das duas mãos - até adquirir razoável destreza para escrever bilhetes, cartas e pequenos relatos de acontecimentos de cada dia.
Foi assim que ¿ quase datilógrafo - cheguei a Montes Claros, em
janeiro de 1951, já com meio caminho andado para trabalhar em jornal. Quando o prefeito Enéas Mineiro e médico Luiz Pires fundaram ¿O Jornal de Montes Claros¿, alvoroçado, vi abrirem para mim as portas de uma nova profissão, sentindo mesmo que o grande sonho poderia transformar-se em realidade. Nada, porém, aconteceu, porque o excesso de trabalho no comércio, as tarefas no Colégio Diocesano, a leitura de pelo menos um livro por semana, as cartas para a namorada, tudo, tudo não deixava tempo para o futuro jornalista. Na faixa dos sonhos quase reais, num querer muito, acompanhei, mais do que interessado, a primeira fase do jornal, principalmente as polêmicas entre professor Pedro Sant¿Ana e o jovem médico João Valle Maurício.
Depois veio a política estudantil no grêmio do Instituto Norte
Mineiro, com eleições perdidas e eleições ganhas, liderança construída
quase a ferro e fogo. Foi também nesse tempo que recebi de Waldir Senna a presidência do Diretório dos Estudantes, numa velha sala da rua Doutor Santos, em frente ao Hotel São José. E daí, para quem vinha de tão longe na vida estudar de favor, o novo cargo era um brilho súbito, uma quase consagração, nome diariamente no rádio e pelo menos duas vezes por semana nos jornais. Deve ter sido por isso que o professor José Márcio de Aguiar, que não era tão meu amigo como o era de Haroldo Lívio, resolveu atender o pedido de Oswaldo Antunes e me mandar para o JMC. Antes, recomendou-me o máximo de respeito à gramática, cuidados no contato com o público, e mais do que isso: nunca esperar do jornalismo a riqueza de saldos bancários, porque
jornalismo teria que ser sempre um sacerdócio, ou mais do que isso.
Trabalhei três meses sem ver cor de dinheiro, tudo completamente
de graça e até com alguma despesa saída do meu próprio bolso. Depois,
Oswaldo destinou ao jovem e apressado repórter o diminuto salário de mil cruzeiros, sominha que nem dava para pagar um mês inteiro à pensão de D. Duca.
Um bom começo. Claro, um bom começo!
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ALEGRIA DA NATUREZA
WANDERLINO ARRUDA
Foi num mês de fevereiro, trinta e dois anos depois, que vol¬tei a rever a
minha terra, São João do Paraíso. Foi bem naquele fe¬vereiro brabo de tantas enchentes, estradas intransitáveis, com um mundão de dificuldades para chegar lá, partindo de Taiobeiras. Foi depois de longa viagem por Valença e Nazaré, por Itaparica e Salva¬dor, andanças de muito laudar pelo céu e pelo mar. Em São João, entramos num dia de intensa luz, depois das chuvas. E comigo es¬tavam Olímpia, Rízzia e Gracielle, ao mesmo tempo que bons ami¬gos como Joaquim da Caixa Econômica, Mário Português e meus cunhados Anderson e Nelmy, todos para dar maior prestígio ao fi¬lho que voltava à casa. Nas ruas, o Lauro, colega de curso primário, fazia a surpresa com muitas faixas de saudação, tudo muito grato, bom demais para os olhos e para a alma.
Visitas, encontros, apresentações, um rememorar de sauda¬des, o reviver de velhas e bem guardadas lembranças, uma alegria aqui, uma decepção ali, porque nem tudo que o coração registra fi¬ca imune à ação do tempo. Jovens transformados em velhos, velhos já não em vida. A paisagem já não a mesma e, ainda que melhorada pelo progresso, diferente. Não mais a ponte dos banhos de meni¬nos pelados e jovens lavadeiras; não mais o canavial sem fim; não mais a serra verde escura ligada às nuvens; não mais a igrejinha do alto do morro, nova em folha; a grama da praça, substituída por pavimentação e postos de gasolina; o matagal do cemitério já bair¬ro novo, tudo mudado. Os olhos procuram, o coração deplora to¬da a ausência de eternidade nas coisas e nas pessoas! Quanta falta!
A noite, o lançamento do meu livro, na Matriz, o louvor dos discursos, as
explicações, os abraços, o rolar de tranqüilas lágrimas de gratidão ao
passado, a riqueza das lembranças boas que só a infância pode dar, o olhar reverente de jovens professoras ao camara¬da mais velho, amadurecido pelas duras dores da vida. Olímpia me per¬gunta baixinho o que me passa pela cabeça, enquanto olho a velha igreja, ouço o antigo sino, sinto saudades da paisagem pisada por pés descal¬ços em tempo distante. O que responder ? As coisas que passam pe¬lo sentimento não podem ser analisadas, não são lógicas. As ima¬gens são superpostas, principalmente as do meu pai, ainda novo, do meu avô Vicente, de longas barbas brancas, e da tia Raquel e de D. Adelina, minha professora gorda e clara.
Vem o segundo dia e, enquanto dia, uma viagem pelo Mato Cipó para visitar os tios Júlio e Diolina, a passagem pela Lagoa da Viada, pelo rio, pelos mangueiros, a procura de velhas estradas por onde costumava passar, indo para a casa de Maria de Silvina, o ca¬minho da fazenda do doutor Osório. A cada lembrança, agora o clique de uma foto¬grafia, a promessa intima de pintar um quadro. Na volta, à noite, depois do jantar, a palestra na Escola, uma espécie de acerto de contas, um desfiar de vivos sonhos, um voto de confiança e um in¬centivo às novas gerações. Mais tarde, o passeio pelas ruas, o min¬gau de milho na sala de jantar de D. Benzinha, o café com biscoi¬tos a convite do padre João, madeirense culto, amigo solicito.
Foi durante o café, sentados em duros bancos, braços sobre uma mesa comprida sem toalha, daquelas feitas com madeira for¬nida, que resolvi fazer um comentário sobre meu primeiro profes¬sor, o velho Joaquim Rolla, mestre de régua e palmatória, de lousa e tabuada, de norma e abecê. Falei da escola, falei dos colegas, des¬crevi os objetos. Quando ia mostrar que me lembrava também dos móveis, Cristovina, a anfitriã, sorriu maliciosa e, com brilho no olhar, me fez arrancar de dentro a mais querida das lembranças, pois aquela mesa, aqueles bancos, todo aquele ambiente era a mi¬nha primeira sala de aula. Havia eu, por acaso, me esquecido de que ela era a filha do professor? Estava ali o maior presente ao meu coração. . .
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ALEGRIA DA NATUREZA
WANDERLINO ARRUDA
Foi num mês de fevereiro, trinta e dois anos depois, que vol¬tei a rever a
minha terra, São João do Paraíso. Foi bem naquele fe¬vereiro brabo de tantas enchentes, estradas intransitáveis, com um mundão de dificuldades para chegar lá, partindo de Taiobeiras. Foi depois de longa viagem por Valença e Nazaré, por Itaparica e Salva¬dor, andanças de muito laudar pelo céu e pelo mar. Em São João, entramos num dia de intensa luz, depois das chuvas. E comigo es¬tavam Olímpia, Rízzia e Gracielle, ao mesmo tempo que bons ami¬gos como Joaquim da Caixa Econômica, Mário Português e meus cunhados Anderson e Nelmy, todos para dar maior prestígio ao fi¬lho que voltava à casa. Nas ruas, o Lauro, colega de curso primário, fazia a surpresa com muitas faixas de saudação, tudo muito grato, bom demais para os olhos e para a alma.
Visitas, encontros, apresentações, um rememorar de sauda¬des, o reviver de velhas e bem guardadas lembranças, uma alegria aqui, uma decepção ali, porque nem tudo que o coração registra fi¬ca imune à ação do tempo. Jovens transformados em velhos, velhos já não em vida. A paisagem já não a mesma e, ainda que melhorada pelo progresso, diferente. Não mais a ponte dos banhos de meni¬nos pelados e jovens lavadeiras; não mais o canavial sem fim; não mais a serra verde escura ligada às nuvens; não mais a igrejinha do alto do morro, nova em folha; a grama da praça, substituída por pavimentação e postos de gasolina; o matagal do cemitério já bair¬ro novo, tudo mudado. Os olhos procuram, o coração deplora to¬da a ausência de eternidade nas coisas e nas pessoas! Quanta falta!
A noite, o lançamento do meu livro, na Matriz, o louvor dos discursos, as
explicações, os abraços, o rolar de tranqüilas lágrimas de gratidão ao
passado, a riqueza das lembranças boas que só a infância pode dar, o olhar reverente de jovens professoras ao camara¬da mais velho, amadurecido pelas duras dores da vida. Olímpia me per¬gunta baixinho o que me passa pela cabeça, enquanto olho a velha igreja, ouço o antigo sino, sinto saudades da paisagem pisada por pés descal¬ços em tempo distante. O que responder ? As coisas que passam pe¬lo sentimento não podem ser analisadas, não são lógicas. As ima¬gens são superpostas, principalmente as do meu pai, ainda novo, do meu avô Vicente, de longas barbas brancas, e da tia Raquel e de D. Adelina, minha professora gorda e clara.
Vem o segundo dia e, enquanto dia, uma viagem pelo Mato Cipó para visitar os tios Júlio e Diolina, a passagem pela Lagoa da Viada, pelo rio, pelos mangueiros, a procura de velhas estradas por onde costumava passar, indo para a casa de Maria de Silvina, o ca¬minho da fazenda do doutor Osório. A cada lembrança, agora o clique de uma foto¬grafia, a promessa intima de pintar um quadro. Na volta, à noite, depois do jantar, a palestra na Escola, uma espécie de acerto de contas, um desfiar de vivos sonhos, um voto de confiança e um in¬centivo às novas gerações. Mais tarde, o passeio pelas ruas, o min¬gau de milho na sala de jantar de D. Benzinha, o café com biscoi¬tos a convite do padre João, madeirense culto, amigo solicito.
Foi durante o café, sentados em duros bancos, braços sobre uma mesa comprida sem toalha, daquelas feitas com madeira for¬nida, que resolvi fazer um comentário sobre meu primeiro profes¬sor, o velho Joaquim Rolla, mestre de régua e palmatória, de lousa e tabuada, de norma e abecê. Falei da escola, falei dos colegas, des¬crevi os objetos. Quando ia mostrar que me lembrava também dos móveis, Cristovina, a anfitriã, sorriu maliciosa e, com brilho no olhar, me fez arrancar de dentro a mais querida das lembranças, pois aquela mesa, aqueles bancos, todo aquele ambiente era a mi¬nha primeira sala de aula. Havia eu, por acaso, me esquecido de que ela era a filha do professor? Estava ali o maior presente ao meu coração. . .
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O MULO DARCY RIBEIRO
WANDERLINO ARRUDA
O lançamento do segundo romance de Darcy Ribeiro-"O MULO"- na Academia Montesclarense de Letras, numa descontraída noite de quinta-feira de dezembro, foi um reencontro de alegria e de contrastes, com um amado e temido filho da terra a derramar nos ouvidos o mel e o fel de santas heresias e virtudes. Ora terno, doente de romantismo, saudoso filho de dona Fininha Silveira, ora demolidor, prenhe de força belicosa, irmão de Mário Ribeiro, ora compulsivamente criativo, primo espiritual de Konstantin Christoff. É que Darcy Ribeiro nasceu pouco adaptado ao modo e ao jeito dos mineiros, nunca afeito ao silêncio, ao retraimento, mas, ao contrário, incomodo para inteligências e sentimentos preguiçosos, bisturi ou látego auto-conduzido e sempre a si mesmo proclamado.
Ao contrário de Ciro dos Anjos, outro montes-clarense famoso no mundo das Letras, este sereno, machadiano, universalista, acomodado como um velho funcionário público, a curtir um silêncio invisível, Darcy Ribeiro é e afigura-se agitado, fogoso, tropicalmente brasileiro, aquecido de alma e corpo, de lufa e de luta, instintivo, felino como um condor. De inteligência selvagem, incontida, Darcy raciocina como uma ventania de amor a tudo que é cultura. Curtido primitivamente no sol e no solo do sertão de Montes Claros, fruto teórico de ternura
e de instinto, de voluptuosa ambição de mundo. Darcy é um caldeirão efervescente de idéias como a querer viver em uma só vida todas as vidas. Mortal, tem pretensões de imortalidade e imortal se fez pelos feitos multifeitos.
Bem brasileiro, latinamente apaixonado, traz na alma o Mulo Darcy retalhos de peles de todas as cores: a cor do índio, a cor do negro, lembranças atávicas do misticismo dos celtas, aguerrida força de velhos godos, gosto de mando da alma ibérica, uma noção tão grande de espaço e de glória que só navegadores fenícios poderiam ter impregnado o sangue de marinheiros do velho Portugal. Tem mais: Darcy é lúbrico como um cristão novo, fogoso como um nômade cavaleiro árabe. Na verdade, é um homem com a alma da raça, e não só da portuguesa, da índia e da africana, misturadas no cadinho brasileiro. E da raça humana, pois portador de muitas virtudes e de muitos defeitos, um caldo bem temperado de semens jorrados do chuveiro eterno, não sei porque nascido em Montes Claros.
O MULO é esta cidade sedenta de força humanamente parceira de Deus na distribuição da vida e da morte; divinamente sequiosa na busca de amor, criadoramente envolvente na caça do mando e do poder. Sensual, oportunista, material, religiosamente mística, faminta da novidade, sonhadora de futuro. O MULO é um pedaço de cada criatura que viva ébria da própria terra natal, homem ou mulher. O MULO tem muito de João Valle Maurício na palavra e na sutileza, muito de Konstantin no arregalo da anatomia, no desenhar das forças; muito de Crispim da Rocha no faro do homem do mato, forte e inteligente; muito de Filomeno na sede do ter e do governar; muito de Plínio Ribeiro, no misticismo, no gosto do idear, no ser e não ser da vida. O MULO é Darcy e é Mário Ribeiro, inconseqüentes e perseverantes, sempre determinados.
O MULO, centro de uma bem romanceada trama de Realismo e Naturalismo, barroco talvez pelos contrastes, hereditariamente marcado pelo destino, fruto do amor e do desamor, sem peias, sem origem e sem destino produto da terra e da carne, somos-isso é verdade-todos nós, pequenas grandiosas criaturas no sofrer e no gozar.
E que Deus nos perdoe-Amém.
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RUAS DE LISBOA
WANDERLINO ARRUDA
Não creio que exista outra cidade no mundo com ruas de nomes mais engraçados do que as de Lisboa. Parece que os portugueses que viveram mais perto de El-rei tinham mais aguçada a imaginação, eram mais românticos ou, então, queriam uma notoriedade pelo lado alegre da vida. Os lisboetas, lisbonenses ou ulissiponenses, conforme o grau de erudição, ou simplesmente alfacinhas, conforme o grau de intimidade, foram sempre uma gente bem disposta, cheia de vida, vaidosa por sua cidade. Chamam Roma de cidade eterna, mas eu acho que Lisboa é que é cidade de nunca se esquecer. Ninguém passa pela capital portuguesa como um simples passageiro. Lisboa é terra para uma saudade de vida inteira, finda, aconchegante, educada, cheia de cultura, inteligência e arte em cada rua, cada beco, nos largos, nas praças, nas ladeiras, nos terreiros em vielas ou avenidas, no morro do Castelo ou na beira do Tejo!
Eterna menina moça, noiva e namorada, Lisboa tem a mágica de uma lembrança de muitos séculos de história, o encanto das descrições literárias de Eça, de Herculano, de Castilho e até do nosso saudoso David Nasser, que tanto amou o que ele chamava de "Portugal, meu avôzinho". se Lisboa fosse brasileira, poderíamos dizê-la um doce-de-coco, cujo tempero de cravo e canela parece chegar mais ao nosso coração! E se o visitante tem mesmo muito amor, como 6 sentimental descobri-la, percorrê-la de ponta a ponta, vivê-la com carinho e sofreguidão! Apaixonada como Lisboa, talvez sã a nossa Salvador, cidade de todos os santos. Bonita, é possível que sã o Rio de Janeiro. Aconchegante, quem sabe só Fortaleza ou Maceió! Lisboa muito tem de Manaus, de Porto Alegre, de Belo Horizonte, de Curitiba! Faceira, movimentada, antiga e moderna ao mesmo tempo!
O gostoso é que Lisboa nunca perde seu encanto, com velhos elevadores, velhas igrejas, o casario de telhados vermelhos em Al¬fama, a beira do Tejo, rio mar com brancas gaivotas, a historia viva nas paredes de pedras do romano castelo de São João, o Rossio, o Chiado, o bondinho valente da Graça, as cegonhas do Sete Rios, os vendedores de rua, as raparigas de chales negros, as feireiras de salto alto e vistosos brincos de ouro, o Bairro Alto, o som do fado! Encanto em todos os cantos!
Mas o mais gostoso em Lisboa são os nomes das ruas ou de todos os lugares por onde passam as gentes, por onde a gente passa. Ninguém pode deles esquecer: Beco da Amorosa, Largo das Garridas, Poço dos Negros, Pátio do Albergue das Crianças Abandonadas, A Calçadinha de São Miguel, Beco do Pocinho, Rua das Escolas Gerais, Rua da Fresca, Rua da Bempostinha, Quinta do Espião, Pátio do Joaquim Polícia, Pátio das Malucas, Travessa do Pinto, Quinta da Argolinha, Rua da Horta Nova, Travessa do Vintém das Escolas, Pátio do Ferro de Engomar, Travessa do Pau-de¬ferro, Azinhaga da Bruxa... Tudo um amor!
Tem mais, tem muito mais: Pátio da Fartura, Rua da Cozinha Econômica, Rua da Horta das Tripas, Rua Joaquim Leiteiro, Bairro das Galinheiras, Beco da Bicha, Largo do Chafariz de Dentro, Beco do Pocinho, Rua do Benformoso, Vila do Penteado, Rua do Alfredo Pimenta, Largo da Bomba, Beco dos Surradores, Travessia da Zebra, Vila do Cabaço, Rua do Saco, Travessa da Rabicha, Rua da Buraca, Rua dos Bons Dias, Pátio da Mariana Vapor. Cinco são as ruas chamadas Direita, uma rua chamada Esquerda, Rua da Pátria, Rua do Ouro, Terreiro do Paço Quanta fartura de ruas com nomes de santos, só de Santo Antônio, quase cinqüenta!
Existem até a Travessa dos Prazeres, a Rua da Triste Feia e a Praça da Alegria! Não sei quando, mas ainda vou vê-las de novo!
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DENILSON ARRUDA
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ELOS CLUBE DE M ONTES CLAROS
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BANHO, MANIA DE BRASILEIRO
WANDERLINO ARRUDA
O Padre Aderbal Murta conta que o reitor da Universidade de Louvain, na Bélgica, não ficou nada satisfeito quando os seminaristas brasileiros, que iam chegando por lá, começaram a pedir um banheiro, um pequeno cômodo no grande conjunto de edifícios, algo que eles consideravam necessário e muito importante. Isso mesmo, um banheiro, um local onde se lavar de pé e cabeça, receber água vindo de cima, passar sabonete, enxaguar o corpo, enxugar, depois, com toalha felpuda. Não o banho de bacia, de sopapo, como diria o meu amigo Nô Barrão. Banho mesmo, de chuveiro, com água morna, não pelando, nem fria, que ninguém é de ferro. Essa exigência, disseram os administradores, era coisa de estudante subdesenvolvido, tinha que vir de brasileiros, sujeitinhos metidos a besta! Banho na Bélgica, até então, era banho de luva, de esponja, apenas esfregando, sem correr água, sem molhar o chão. . .
Pois bem! Agora, leio na revista BRASIL ROTARIO interessante comentário de Derli Antônio Bernardi, de Maringá, dizendo de quando tomar banho era pecado e dava até cadeia. Quanta curiosidade! Tinham perdido a sabedoria árabe, segundo a qual "a água e o mais eficiente de todos os remédios e o melhor de todos os cosméticos". Tinham perdido a experiência egípcia de quando se tomava banho em tinas de ouro, e, da Grécia, quando o palácio do Rei Minos possuía a mais espetacular banheira da antigüidade, decorada com mármore e pedras preciosas. Tinham se esquecido da tradição banhista de Roma, quando os banheiros eram tão grã-finos que havia vinte e cinco qualidades diferentes de banhos ¿ com óleos, vapores, ervas, essências, etc. ¿ e havia ao lado deles galerias de arte, teatros e templos dedicados aos deuses.
Os bárbaros, quando invadiram a Europa, pobres coitados, culparam os banhos coletivos pela decadência romana. Aproveita- ram a guerra e destruíram todos os banheiros públicos e particulares, varrendo, por quase mil anos, o higiênico e gostoso costume, fazendo praticamente desaparecer a palavra banho. O tempo corre, não para, e, na Idade Média, os livros de etiqueta recomendam apenas lavar as mãos antes das refeições, o que não é de se admirar, porque naquele tempo ainda não havia talheres, era tudo na base do capitão.
Coisa estranha, a Rainha Isabel de Castella não fazia segredo de quantos banhos havia tomado durante toda a sua vida: apenas dois, um ao nascer e outro ao se casar, para ficar cheirosa para o real consorte, no primeiro dia de lua-de-mel. Por mais incrível que pareça, também a religião contribuiu grandemente para o declínio da popularidade do hábito de banhar. São Gregório proibiu os banhos aos sábados "principalmente se a finalidade fosse higiênica". Houve até uma lei permitindo o banho apenas às terças-feiras. Banhar-se era pecado, luxúria, um gosto muito mundano, um zelo excessivo com o corpo, ora pois!
Foi em torno do ano de 1800 que, na Inglaterra, apareceu uma casa de banho à moda turca, com freqüência permitida apenas para homens e cortesãs, hermeticamente fechada às mulheres de família, porque indigna da gente seria do belo sexo. Na França, ao tempo de Napoleão, houve maior liberalidade e até apareceu uma nova profissão, a dos banhadores, que saíam, de casa em casa, carregando tinas para lavar a suja nobreza. Na América colonial, os puritanos consideravam banhos e sabonetes coisas impuras, chegando ao ponto de, na Filadélfia, quem tomasse mais de um banho por mês, tinha de ser condenado à cadeia por desrespeito aos bons costumes. A primeira casa de banhos publica de Nova York veio aparecer em 1852, mas só regulamentada por comissão especial em 1913.
Banho farto, diário, de mais de uma vez por dia é mesmo coisa de brasileiro. E não e devidamente por dois terços da nossa raça, a africana e a portuguesa, que também não era lá de muita água. Devemos a tradição aos ancestrais do sangue tupi e guarani, nossos índios que apreciavam e muito as brincadeiras e os mergulhos nos rios e nas praias, principalmente nos dias de maior calor, pois divertimento maior não poderia haver! Como disse: banho, mania de brasileiro...
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O DIA EM QUE CHIQUINHO SUMIU
WANDERLINO ARRUDA
No dia de novembro em que Chiquinho sumiu eu não estava em Brasília. Viajara semanas antes e nem vira o bichinho nem na chegada nem na saída numa permanência de muito tempo. Hospedado no St. Paul Hotel, nem uma vez fui à Setecentos e Três Sul, não sei se por comodismo ou ingratidão, embora lá estivessem muitos dos meus colegas e amigos e também o Chiquinho. Foi uma pena. Agora que o Chiquinho desapareceu é que eu vejo a perda, a dor de uma ausência mesmo não deliberada. Perto de lá, passei apenas duas vezes: uma à noite, indo à casa do Nelson Pereira de Souza, presidente brasileiro do Esperanto, e outra, numa manhã de domingo, num passeio circular pela cidade para uma visita à Walkíria e Nabiran. Mas à casa da Concessa e do Chiquinho, eu não fui.
Soube do sumiço do Chiquinho por notícia do colega Geraldo Eustáquio, que lá ficou hospedado durante um mês por sugestão minha. Ele contou-me do choro da Concessa, da angústia dos hóspedes, da tristeza da Neide, da sensação de perda de todos, na hora do café, na hora do jantar, e, principalmente, na hora da televisão, quando era mais firme a lembrança do Chiquinho deitado na almofada de fina seda, entusiasmado com os programas da Globo da viúva Porcina. Eustáquio contou-me ainda que a Concessa ficou intolerável, nervosa, cheia de queixume, longe da gentileza normal de que ela é a maior portadora do mundo. Acabou até a alegria da casa e houve até reclamação!
Também triste, mesmo longo do epicentro da tragédia, não agüento ficar sozinho com a notícia, e telefono incontinenti para o Recife e falo do acontecimento com o meu grande amigo Tiago Marcos, ainda mais amigo da Concessa do que eu, pois quase conterrâneo, ela do Rio Grande do Norte, ele de Jaboatão, em Pernambuco. Tiago diz-me que nem pode acreditar, deve haver um engano, o Chiquinho deve estar esperando a hora de voltar! Falo-lhe do desespero da Concessa, de que fui informado, e ele me promete que logo estaremos em Brasília para ajudar a amiga. Se eu quiser, posso até esperá-lo no Aeroporto, no domingo dia 4 de janeiro, à tardinha. Vamos chegar juntos à 703, Bloco J, como já fizemos de outras vezes em que trabalhamos em tarefas de treinamento de colegas do Banco do Brasil. Tiago sempre foi um dos maiores admiradores de Chiquinho, e com ele sabia até conversar...
Quando telefono para Concessa para confirmar a reserva do apartamento em que vou ficar, e apresentar os meus sentimentos pela ausência do Chiquinho, ela me diz que o Tiago já chamara para ele e dera conta dos dois recados, para ele a para mim. A presença telefônica dos dois amigos, parece, minorara um pouco o seu sofrimento e só Deus sabe quanto é importante a solidariedade! Narrou todos os acontecimentos, dizendo que, no dia do desaparecimento do Chiquinho, ela e muita gene vasculharam com malha fina nada menos de nove quadras, da novecentos e três até a quinhentos e cinco. Mais fizera se não fora para tão longo amor tão curto o dia!
Não vejo a hora de telefonar para dar a notícia ao Jorge, ao Kalunga e ao Moacir, no Rio Grande do Sul, à Ivone, à Mitsu, ao Hiroshi, em São Paulo; ao Geraldo, em Teófilo Otôni, e, quem sabe, a mais alguém neste grande Brasil que do Chiquinho sempre gostara.
Esqueci-me de dizer, minha senhora, que Chiquinho é o gato mais querido da Concessa!
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O CÉU PODIA ESPERAR...
WANDERLINO ARRUDA
Minha amiga e colega Vera Lúcia Lopes Silva, esposa do filósofo Antônio Joaquim, certa vez me disse que eu sempre escrevo de forma a ser personagem também da história. Que sempre dou um jeito de penetrar pessalmente nos acontecimentos. D. Vera mão me fez essa observação como censura, e afirmou achar apenas um lado curiosos de colocar as idéias no papel, apresentando-me com certo envolvimento, assim como acontece com as mulheres num caso de amor. É certo que não tenho defesa e, mais uma vez, venho dar provas de que não consigo escrever, um noticiador de fatos, um redator objetivo, isento. Subjetivista, envolvo-me realmente e com isso me dou por feliz. A conversa explicada tem uma razão. Ainda agora, vou contar uma história bem conhecida de todos, porque noticiada para meio mundo e para o mundo inteiro, que é o de Tancredo, neste dias de sua morte em São Paulo, com passagem por muitas terras deste triângulo com Brasília e Minas Gerais. A televisão, as rádios, os jornais e as revistas nunca estiveram tão ricos de acontecimentos e imagens, de conceitos e opiniões, de tristezas e lamentações. O prazo longo da doença do presidente permitiu organizar tudo, dar toques de perfeição e oportunidade, um trabalho de divulgação digno de louvor até para a imprensa do nosso interior, mais afastada, mas não menos bem informada. Em Brasília, mergulhado como nunca nos livros, apostilas, anotações, transparências de retroprojeção, vídeos, planos de aulas, num curso de administração bancária, de uma hora para outra, na noite de domingo, com um grupo de colegas de várias regiões deste Brasil, sentimos a necessidade de uma parada par meditação e acompanhamento dos fatos ligados à morte do inesquecível presidente Tancredo. Se não foi surpresa para ninguém, a movimentação de notícias se tornou tão efetiva que não era possível deixar de participar. A ordem era ficar acordados até tarde do domingo, levantar na segunda, olhos e ouvidos ligados em São Paulo. Só às sete, a televisão informe do feriado nacional, mas mesmo assim seguimos para o trabalho, com vontade de cumprir metas sem atraso, tentativa de voltarmos - cada um para sua casa - no prazo previsto. A primeira emoção é a passagem pela igreja de Dom Bosco, nossa vizinha da quadra 703, um dos monumentos mais belos da arquitetura de Brasília, quando visto de dentro para fora, toda construída de concreto e vidros coloridos, com conjunto de vitrais de causar impacto no mais duro coração. E, na manhã de segunda, o saber de que foi ali o último lugar em que Tancredo pisou publicamente com os próprios pés, abalava qualquer sentimento brasileiro. A beleza do teto, a brancura do piso de mármore, os múltiplos tons de azul e violeta, o pesado candelabro de cristais, a sobriedade de estudo com apenas duas esculturas - do Cristo e do patrono - tudo marcava profundamente a nossa memória, lembrando Tancredo lá sentado ou ajoelhado, já com a dor espelhada na face, D. Risoleta toda cuidados, o povo sentindo a aurora de um novo tempo. Desde cedinho, o repicar dos sinos eletrônicos da D. Bosco ressuscitava os sons gostosos dos sinos mineiros de São João Del-Rei, Ouro Preto, Mariana, Sabará e Diamantina. Que coisa mais linda! O avião nem bem saíra de S. Paulo, já víamos gentes de todas as raças a caminhar par o aeroporto, par o Eixão, par a Esplanada, para as circunvizinhanças dos palácios, por toda e qualquer parte por onde poderia passar materialmente o grande presidente. Nada mais emocionava tanto como o verde-amarelo tarjado de preto de luto. Nada era mais patriótico do que as pequenas e grandes bandeiras - estas eram três - a servir de amparo do sol quente da capital da República. Velhos, crianças, senhoras, jovens em suas máquinas de velocidade, burocratas de paletó e gravata, cavalheiros de bermudas, parados, caminhando, correndo, um painel maravilhoso de saudades e reconhecimento a Tancredo. O que mais me emocionou, entretanto, foi um garoto mal vestido de aparência realmente humilde, cara de tristeza visível, que portava um cartaz de escrita rústica, traçada por quem aprendeu pouco na escola, mas muito na vida. Lá estava escrito: "ADEUS TANCREDO, MAS O CÉU PODIA ESPERAR"...
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O BAR GUARANI DE VADINHO
WANDERLINO ARRUDA
Elton Jackson ao me fazer um pedido para escrever sobre a Rua Doutor Santos, deixou-me na liberdade de voltar ao assunto quantas vezes forem necessárias, pelo menos até a hora em que eu chegar na esquina do Hotel São José, onde morei muito tempo. Na primeira crônica, com não podia de ser, procurei avivar todas as lembranças que marcaram a história recente do quarteirão do Hotel São Luiz, quando ficava de um lado o Bar de Manoel Cândido e, do outro lado, o Banco de Crédito Real, tudo muito próximo da área dos aflitos. Fui subindo, esquina por esquina e, agora, já estamos entre as ruas D. Pedro II e Dom João Pimenta, pedaço de mundo que me marcou profundamente, pois, ali passei alguns dos melhores momentos de minha vida de estudante e comerciário, de jovem repórter e de soldado do Tiro de Guerra, além das muitas atividades como radialista amador e como líder estudantil no Diretório dos Estudantes. Foi neste quarteirão que, de 1951 a 1954, morei nas pensões de D. Ismênia Porto e D. Duca Guimarães, levantando-me sempre pelas madrugadas para aprender as matérias das provas do Colégio Diocesano e do Instituto Norte Mineiro.
Era quase na esquina da Rua D. João Pimenta que ficava o Bar Guarani, um boteco alegre e bem freqüentado desde os dias de sua fundação, pelos idos de 1950. pequeno, de poucos metros quadrados, quase que de centímetros, tão curtas eram as dimensões pelo lado de dentro e pelo lado de fora. Quando passava de uns cinco fregueses, necessário era que alguns já ficassem de pé, no passeio, encostados ou não na parede velha e pintada de verde. Havia umas duas mesas pequenas e algumas cadeiras para o pessoal que gostava de jogar damas, tomando cerveja ou bebendo pinga.
Foi por volta de cinqüenta a cinqüenta e um que o Vadinho, Vadiolano Moreira, chegou a Montes Claros, um dos poucos rapazes de Taiobeiras que não veio para cá para estudar, mas, para ganhar dinheiro. Renato, Murilo, Nenzinho, Dedé, Valtinho, Alfredão, Tone, Quincas, eu, todos nós viemos para enfrentar a realidade e os sonhos dos livros. Vadinho não. Vadinho veio para trabalhar muito, trabalhar dia e noite, trabalhar o quanto fosse necessário para ficar rico, se possível muito rico. Foi assim que o Vadinho botou o olho no Bar Guarani, simpático, gostoso, e não teve dúvida, ali estava a primeira mina de sua vida montes-clarense.
Nunca conheci melhor comerciante que o Vadinho. Costumo dizer que, se ele instalar um boteco, um barzinho ou mesmo um restaurante encima de um pé-de-mandacaru, ainda assim teria constantes e eternos fregueses e amigos para todas as horas. É que ele vive cada momento, participa interessadamente de todos os assuntos, respeita reverente a alegria ou a tristeza de todos que dele se aproximam. Quando o Vadinho comprou o Bar Guarani, fez as primeiras mudanças, ampliou-o com mais um espaço lateral, foi como se uma luz nova iluminasse a paisagem e iniciasse um novo sistema vivencial para velhos e novos, pobres e ricos, principalmente para os que gostavam de futebol e de cervejas e batidas de limão. Por lá passavam obrigatoriamente os hóspedes e moradores de todos os hotéis e de todas as pensões do centro da cidade. Nenhum estudante que se prezasse poderia deixar de ir lá pelo menos aos sábados e domingos, antes ou depois do cinema. Uma coisa era muito importante: na hora do futebol no rádio, nos momentos dos gols, o Bar Guarani era o epicentro do mundo, o lugar mais barulhento da terra.
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NOMES DE RUAS
WANDERLINO ARRUDA
Ora, pois, nomes de ruas! O Haroldo Lívio, agora, trabalha como memorialista e escreve sobre nomes de ruas de Montes Claros. E, ainda por cima ressuscita áureos tempos políticos de Cândido Canela! Logo sobre assunto dos mais controvertidos da nossa equipe legislativa municipal, sem nenhuma dúvida, o mais elevado acervo de serviços da edilidade no campo da cultura histórica...
Haroldo começou como que não queria nada e, de modo muito direitinho, buscou fatos comprovados, pesquisou e redescobriu áureas iluminuras da lei e da autonomia popular, nos mais recônditos escaninhos de sua privilegiada memória. Foi até bom, porque nome de rua, que deveria ser sempre assunto sério, pois objeto da lei e da sanção, foi tratado de forma descontraída e açucarada. Uma espécie de doce néctar servido por ele e por Cândido a leitores amantes das amenidades.
É claro que o assunto, na realidade, nunca foi levado muito ao sabor dos grandes respeitos. Um ou outro projeto de lei, para dizer a verdade, muito poucos, tiveram o sagrado cunho da legítima homenagem ao valor histórico do homenageado. Dou meu testemunho, porque eu também, nos meus tempos de Câmara Municipal, cometi alguns projetos, cujas placas esmaltadas hoje são testemunhas em paredes várias; muitos dos nomes provam que o açodamento na atribuição legal nem sempre fizeram justiça ou tinham razão de ser, não passando às vezes de ressarcimento de dívidas eleitorais.
Das estórias mais engraçadas, nem todas foram praticadas no recinto da Edilidade, na ordem do dia anunciada solenemente pelo presidente dos vereadores. Algumas aconteceram nas sociedades de amigos dos bairros, outras em bate-papos de esquinas, algumas até em balcões de botecos depois de boas talagadas de pinga. Muitas placas de ruas formam imaginadas em sagrados recintos das melhores famílias, amadurecimento de frutos de tradição e da cultura, gestos de humana fraqueza da vaidade de uns tantos, principalmente dos portadores de nobres sobrenomes. Os casos mais graves, os da volúpia política ou da ânsia de homenagear parentes, estes todos sabem, não é preciso falar. De lado e de quebra, ficam ainda os de interesse comerciais de donos de loteamentos, mas a gente não tem nada com isso...
Quem tiver boa dose de curiosidade olhe o catálogo telefônico na parte dos endereços! Há casos incríveis, interessantes, gostosos, que só nós, os sonhadores, podemos entender, para quem co conheça realmente a cidade, é ainda melhor e mais gozado. Que miscelânea! Gentes, pedras, flores, elementos químicos, cidades, santos, religiões, um mundo genial. Gente viva, muito vida, gente que era vida e já morreu, gente que nunca conheceu Montes Claros ou dela ouviu falar! O mais interessante é que muitos nomes foram modificados pelos fazedores de placas, por puro erro ou a propósito de correção. Há nomes nas leis que não estão nas ruas e nomes nas ruas que não estão nas leis. Há ainda as adaptações populares, umas por amor verdadeiro, outras por simples analogia. Haroldo citou exemplos.
Cito, hoje, apenas o caso da Rua Monte Prano (com ¿r¿), no Bairro Santa Rita, pelo lado de lá dos trilhos da central. O projeto foi apresentado a pedido de um líder, o Rozendo, juntamente com várias outras denominações, entre elas a da Príncipe Regente, Presidente Castelo Branco, Monte Castelo. Todos estes nomes ficaram de acordo com a encomenda, mas o da Monte Prano falhou e, por isso, o dr. Raimundo Deusdará, até hoje quando me encontra, dá uma gozeira: diz ele que o dono da fábrica de placas achou que o vereador era analfabeto e consertou o projeto, pondo tudo em letras bem claras ¿ MONTE PLANO. Acontece que a palavra é italiana e é escrita mesmo com o ¿r¿ ...
Paciência!
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NELSON VIANA, MEU PATRONO
WANDERLINO ARRUDA
Escolhi, como patrono da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, um notável homem de letras da nossa região, um regionalista e sério pesquisador de costumes, literato de fôlego, um sentimental homem do sertão, sempre vestido com roupagens de sério trato: Nelson Washington Vianna, o curvelano montesclarense.
Escolhi-o como desejo de marcar de modo definido minha admiração pela obra diretamente ligada às gentes do grande sertão do norte, ao agricultor, ao caboclo, ao vaqueiro, ao freqüentador de feiras, ao fazendeiro, ao contador de"causos", ao tocador de viola, ao solitário das madrugadas e das bocas de noites e aos que, cansados das tarefas do dia, sentavam-se ou se sentam nos calcanhares para ouvir ou falar com a maior sabedoria do mundo. Nelson Vianna, com a sinceridade do cientista, contou muito da esperteza do interiorano de Minas, homo-rusticus ou homo-urbanus, sempre com a alma aberta à criação de tipos, caracteres e personalidades de rara beleza para nossa literatura. Ele despertou um sentido novo de humor, uma figuração de inteligência e perspicácia, um "savoir-vivre" e "savoir-faire" difíceis de se encontrar em outra literatura.
Perscrutador impenitente, incansável olheiro da fraqueza humana, quase libidinoso no modo de ver e interpretar, Nelson Vianna foi imaculadamente o grande repórter de uma vasta reportagem do homem sertanejo desse lado de cá do mundo mineiro, que vem de Curvelo até os Montes Claros. Ele sempre viveu acompanhando vertentes e serrarias, capões de mato e serrados, veredas e gerais, cenários de vida e de literatura tão gratos aos nossos corações. E pena que eu não tenha conhecido tão bem Nelson Vianna como o conheceu Cândido Canela, Olyntho da Silveira, Vianna de Góes, como o estudou Haroldo Lívio. Homem distante, severo, de poucos amigos, não dava muita oportunidade aos mais novos para conversas e troca de idéias.
Lembro-me de ter conversado com Nelson Vianna apenas uma vez, no vestíbulo da casa de Osmani Barbosa. Estava eu naquela ocasião interessado em fazer uma pesquisa sobre a literatura do Grande Sertão, exatamente no pedaço de terra que fica entre o centro de Minas, a Serra das Araras e o Carinhanha. Precisava de dados comparativos de dois estilos que dissessem diretamente sobre o elemento humano, fruto teórico da paisagem sofrida, ponto de ligação entre a natureza e a vida do passado e do presente. Propus, então, a ele uma entrevista, do homem e do literato, para que eu pudesse, depois, compará-lo com Guimarães Rosa, o outro lado do trato com o comportamento sertanejo. Nelson Vianna espantou-se, olhou-me de frente, franziu o semblante, parece até que tremeu¿ e, considerou minha atitude uma audácia: fazer comparação dele com Guimarães Rosa não tinha propósito, não havia paralelos; Guimarães, o grande escritor, ele um joão-ninguém. É isso o que pensava. Não, não era possível, era um absurdo, não me daria entrevista alguma. Insisti, mostrei que a diferença de estilos não desmanchava a beleza nem a precisão descritivas da relação humana e humanística do tema e que, embora divergentes, eram um só. De nada adiantou, foi irredutível, iria pensar, poderia ser ou não ser... mais para o não ser.
O encontro de frente e direto na casa de Osmani Barbosa com Nelson Vianna foi o último, como também estava sendo o primeiro. Mudou-se o escritor, logo em seguida, para Belo Horizonte. Quando o vi de novo, foi andando lá pelo quarteirão montes-clarense das ruasTupis e Rio de Janeiro, mas aparentemente distraído e, senhor ou não da vida, nunca me reconheceu. E até parece que a Montes Claros nunca mais voltou. Coisas que só o Haroldo Lívio deve entender...
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NA VENDA DO MEU PAI
WANDERLINO ARRUDA
Luiz de Paula Ferreira é um milagre. Tudo na sua vida deu certo. Tudo: sonhos e realidade, jeito de ser e de viver. Comportamentos, atitudes, hábitos, numa receita sábia, e manhosamente aviada desde os velhos tempos de Roma: ¿Não basta ser, é preciso parecer¿. Luiz ¿ em todos os decênios que marcaram a idade do menino, do jovem e do adulto ¿ foi e pareceu inteligente, intensa e fervorosamente, quase por um dever de fé e destinação. Querendo - quem sabe - até sem querer, jamais pôde fugir das luzes de uma generalizada admiração de próximos e distantes. Conservador e revolucionário, sempre teve como medida o comedimento, coisas de antigo PSD, que não fazia reunião sem antes de tudo estar resolvido. Luiz sabe ver e antever, vestido e revestido de inigualável poder de avaliação. Sabido, tranqüilo e limpinho como um gato, no dizer do nosso saudoso João Valle Maurício.
Neste livro ¿ conjunto fantástico de retalhos intensamente coloridos da vida interiorana brasileira do Século XX ¿ Luiz de Paula é narrador e personagem, iluminador e fotógrafo, ao mesmo tempo retratista e retratado em cenas que ele próprio sempre se inseriu. Dono de poder material e imaterial, agora produz um texto mais do que vivo - do seu e do nosso agrado ¿ encarnando e reencarnando uma tradição oral de esperteza, que muito será discutida no futuro, quando as máquinas e os chips ocuparem com primazia a diretiva humana. Os relatos, as crônicas, a prosa poética, até os contos que ele - por segurança e sabedoria, diz de ficção - representam o que a Literatura pode ter de melhor na fixação de imagens e vivências, conteúdo importante porque só possível aos que o viveram com entusiasmo.
Li, reli e tresli as três divisões ¿ ¿NA VENDA DO MEU PAI¿ , ¿SANFONA DE OITO BAIXOS¿ e ¿ALGUMAS HISTÓRIAS¿. E quando lia e revivia cenas da vida de menino do interior, testemunha real e virtual de tudo que acontece, pensei calculadamente em registrar neste Prefácio dezenas ou centenas de nomes de pessoas e de lugares, antecipando para o leitor o cheiro e o gosto de todas as acontecências, assim como as cores e a sensação táctil de cada paisagem.
Um pouco mais novo que Luiz, tendo vivido pelo lado de dentro e de fora de uma casa comercial - ouvinte e visualizador atento - bem sei do quanto o relar o umbigo no balcão valeu para nós. Ali nada passava despercebido no universo das pessoas e das coisas, seja ouvindo uma sanfona de oito baixos, seja engraxando sapatos ou controlando os movimentos sinuosos dos bêbedos. Era a vida imitando a vida, para criar memórias que só o livro pode fixar. Com este livro, Luiz eterniza Maria Velha, Maria Suruca, Mariazinha Palpitosa, o lambe-lambe Vitorino, Chico Boa Palavra, João Velho, João Raposa, Gregório Barba à-toa, além ¿ é claro ¿ um amplo universo de situações que marcam a malícia e a esperteza do dia-a-dia de Várzea da Palma, de Montes Claros e deste pedacinho gostoso do sertão mineiro. Resumindo, um musicar e um cantarolar de lembranças que só um narrador bom como o Luiz consegue pôr no papel.
Plurissignificativa, a Literatura faz com que certas personagens e situações ofereçam liberdade na interpretação dos textos, poucas vezes os mostrando imutáveis ou ensinando uma aceitação pura e simples. As palavras e o encadeamento de palavras sugerem visões que nunca pertencem somente àqueles que as escrevem. Uma vez materializado, o texto pertence mais ao leitor, à sua forma de pensar e agir, influenciado pela experiência lingüística e pela cultura de cada um. Assim, ¿NA VENDA DE MEU PAI¿ vem para marcar época, com lembranças e vontades mais do que gratas para quem as viveu e para quem gostaria de as ter vivido. Aqui, não há fotos em preto e branco, não há figuras esmaecidas ou distantes: tudo é colorido, cada movimento tem uma surpresa como se estivesse acontecendo e sendo vivido agora. Luiz é um cinegrafista sortudo ¿ pode-se dizer com efeito Kirlian ¿ que além de gravar o visível e tangível, consegue divisar nuances que só aos privilegiados Deus permite contemplar. Bom para ele, melhor pra nós!
Purista corajoso do idioma, Luiz de Paula Ferreira conduz o leitor à excelência da fala brasileira, com todo o condão de quem sabe fazer mágica com a inteligência e o gosto do verdadeiro contador de causos. Alegre, otimista, sinceramente claro nos conceitos, oferece-nos o que há de melhor na vida sua e das outras personagens. Vale realmente ser lido. No meu ponto vista ¿ e aqui não vale a amizade que nos une ¿ ¿NA VENDA DE MEU PAI¿ é o melhor de todos os registros regionais que a argúcia literária impõe a um leitor interessado. No que toca à missão do homem no viver e conviver, no amar e no sonhar, Luiz é um cronista indubitavelmente universal.
Experimente-o como quem sabe sugar o sumo doce de uma jabuticaba bem madurinha, o andar de bicicleta em tempo de Primavera e o ver e ouvir o sapateado de um cantador de coco.
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MONTES CLAROS EM TEMPO DE ARTE
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A fundação estética ¿ segundo o nosso conterrâneo Cyro dos Anjos ¿ surge como uma das atividades primordiais do homem, e, provocada por forças desconhecidas que nos movem, ela se exerce, em grau diverso, levando alguns mais dotados a encaminhar-se para a criação. Em qualquer tempo e em qualquer parte, o desejo de procurar ou despertar a sensação artística, é depois da fome e do amor, o instinto que mais se afirma na espécie humana. Sempre presente, sempre atuante, ele é uma espécie de fascinação do inapreensível, da vontade de arrancar as formas do mundo, a que o homem está sujeito, para as transportar ao mesmo mundo que o homem governa ou com que sonha. Cada obra de arte construída é a recuperação da totalidade do ser, é o encontro do sentimento eterno de grandeza imerso em nosso mundo pessoal. Há em nós o constante desejo de cooperar com a vida. Enquanto uns cuidam de viver, é bom que outros, como pensou Bergson, cuidem de sonhar ou de filosofar: estes que são os artistas, pessoas de função fabulosa, distinta da imaginação.
É com esse cuidar de viver, com essa busca de sentir, que tento focalizar um momento da vida de Montes Claros, uma cidade instintivamente criadora, desde os velhos tempos da iluminação a querosene, das ruas de cima e das ruas de baixo, quando a lua era mais bonita, porque admirada, e dava uma suave toque de perfeito colorido nas noites de serenata, de jogos de prendas e de cirandas. Antigos viajantes já ficavam entusiasmados com a habilidade do viver montes-clarense, entremeado de trabalho e de alegria, através de manifestações do sentimento das emoções de uma espontânea busca do sublime e do espiritual, seja nos saraus familiares, seja na rua ou antigos balcões de lojas e armazéns. A poesia, a crônica para o pequeno jornal, a declaração e a oratória, as modinhas dos salões, tudo constituída boa semente para a eclosão futura de muitos caminhos no campo das artes.
Terra de muito trabalho, de iniciativas, marcada pela independência e pela ousadia, Montes Claros é também a cidade dos sonhos, centro de um desejo insaciável de reencontro do real e do irreal, uma eterna enamorada da fantasia, faceira, apaixonada, humilde, nostálgica e, sobretudo, consciente na solidariedade que nunca deixa faltar. O aboio dos vaqueiros, o cantarolar dos viajantes de tropas, o batuque das festas de reis ¿ tudo já era prenúncio de uma amálgama de manifestações folclóricas, hoje ricas e enriquecedoras e de que tanto nos envaidecemos diante dos aplausos das gentes cultas que nos visitam ou que têm visto nossos artistas quando em excursões.
De alguns anos para cá, grupos de serestas, conjuntos como o Banzé, bandas, toda uma extensa gama de atividades artísticas são atestados emocionantes da nossa participação no verdadeiro valor da vida brasileira, uma fazer e despertar de sentimentos regionais e nacionais da mais alta expressão. O que era apenas familiar ou de grupos sociais, ganhou ares de organização definitiva o cenário artístico, despertando vocações, cooperando com as inteligências e libertando o amor à beleza da vida.
Montes Claros transformou-se numa amante das artes e, hoje, inúmeras escolas, como um sincero cadinho de técnicas, sensibilidade e intuição, no espaço e no tempo, buscam nobres aspirações de grandeza estética, floração de esplendores e de sublimação...
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MONTES CLAROS E HERMES DE PAULA
WANDERLINO ARRUDA
Montes Claros e Hermes de Paula, suas histórias, suas gentes e seus costumes, que formidável grande amor! Como sabe esta cidade gostar deste homem e como pode este homem amar tão carinhosamente esta cidade! Para Montes Claros, Hermes é o filho, o irmão, o companheiro, o amante, a extremosa dedicação do pulsar constante em seu favor o bem-amado, o sempre amado. Em toda parte, Hermes de Paula: na medicina, na seresta, na literatura, nos serviços comunitários, na sociedade, na história, no folclore, em tudo. Para Hermes, Montes Claros a melhor cidade do mundo e o encontro sagrado e existencial, plenitude de beleza, de bem-entender, lembrança passado-presente, vivência plena em ritmo de eternidade.
Perfeitamente definíveis o homem e o historiador, pois, Hermes de Paula em Montes Claros nasceu e se criou, filho de Basílio de Paula, nome de rua, e de D. Joaquina Mendonça, nome de gene que espalhou família por um mundão sem porteiras. Aqui estudado, aqui casado, aqui vivido. Se saiu de Montes Claros por algum tempo, foi para fazer cursos no Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte, e no Granbery, em Juiz de Fora. Dos anos morados em Niterói, para a Faculdade de Medicina e para o estágio científico, para cá voltou correndo logo depois de sabedor de tudo sobre cobras, soroterapia e microbiologia, aprendido com o papa do ofidismo, Vital Brasil, quase seu sogro.
Hermes de Paula, um homem de sorte, formado pela inteligência, mas também por efeito de um prêmio de loteria, sem o que talvez não pudesse ter aqui saído ou à Faculdade não ter chegado. Hermes de Paula foi sempre um ativista da cultura, ligado, ligadão ao povo de sua terra. Sanitarista do Estado, chefe do Posto de Saúde, diretor da Santa Casa, do Instituto Antônio Teixeira de Carvalho, da Sociedade de Proteção à Infância. Fundador da regional da Associação Médica, idealizador do Pentáurea Clube, do Grupo de Serestas João Chaves, hoje nacionalmente famoso, também ajudou na criação do Colégio São José, do Rotary Clube Montes Claros, do Elos Club, da Fundação Norte Mineira de Ensino Superior, da Faculdade de Medicina, da Academia de Letras, do Cassimiro de Abreu e do Ateneu. Professor de muitas escolas, professor de todas as escolas, membro da Comissão Mineira de Folclore, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, da Sociedade Brasileira de Folclore, da Sociedade Sul Americana de Genealogia.
Foi Hermes de Paula quem fez a igrejinha do Rosário, a nau catarineta da Praça Portugal. Foi Hermes quem inspirou a construção da igreja do Morro do Frade, aquela que Pedro Santos mandou fazer virada para a fábrica de cimento. E não seria por causa de Hermes de Paula que ainda existem catopês, marujos, caboclinhos, canjica, paçoca, festa de São Pedro, fogueira, quentão, licor de pequi, folclore, um tudo de tradição de nossa Montes Claros? Será que sem ele nossa memória poluída e industrial já não teria enterrado todos os velhos costumes?
Um ótimo documento do seu trabalho e da sua vida, um perfeito e representativo retrato é o livro Montes Claros, Sua História, Sua Gente e Seus Costumes, que é mais do que tudo Hermes de Paula, Montes Claros e bom povo que a construiu. Lançado em 1957, quando o centenário da cidade, que ele ¿inventou¿, o livro de Hermes de Paula tem sido uma espécie de bíblia muito sagrada para quantos estudam nossa história e nossas estórias e desejam saber os segredos do nosso progresso.
Ler o livro de Hermes de Paula, além de aumentar grandemente nossos conhecimentos, é, sem dúvida, uma tirada de doces férias numa sentimental viagem pelo passado. Uma doçura para o coração!
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MONTES CLAROS -ARTE E CULTURA
WANDERLINO ARRUDA
É Montes Claros realmente uma cidade de arte e cultura? O que tem sido feito nos últimos dez anos pelos artistas, pelos intelectuais e pelo poder público no sentido de aumentar a produção de arte? Existe trabalho que possa ser considerado sério? Há liberdade ou há manipulação política nos setores da cultura? Afinal, quais são as perspectivas para o futuro, nas proximidades do século XXI e do III milênio? Muitas são as perguntas, especulações de todo tipo podem ser formuladas, considerações de ordem erudita ou popular podem ser apresentadas. Muito espaço pode ser gasto em cogitações, porque o assunto é complexo e merece estudo minucioso. Nada mais verdadeiro, no momento, do que a necessidade de pensar e repensar, tudo tecnicamente, sem paixões, sem interesses pessoais, sem a demagogia que os políticos profissionais quiseram ou ainda podem querer impor, com exploração do povo, que, facilmente, se deixa iludir.
A primeira coisa que deve ser feita, a meu ver, é acabar com a bobagem de divisão entre cultura erudita e cultura popular, porque tudo é a mesma coisa. A manifestação de arte e inteligência não escolhe origens, pode vir de qualquer parte da cidade ou do município. O que existe é interesse maior ou menor de estudos, de pesquisas, de trabalho de apresentação de resultados. De nada adianta querer sufocar as chamadas elites culturais, com pretextos de popularismos bestas e interesseiros no sentido eleitoral. Arte e cultura nada têm a ver com partidos políticos. Pertencem, sim, à sociedade como um todo. O apoio, ou melhor, a liberdade de ação deve ser oferecida de modo amplo e irrestrito a todos os habitantes, e em todos os setores: música, pintura, literatura, teatro, desenho, escultura, dança, etc., que a inventiva humana não tem limites. Que o diga o mestre Hamilton Trindade, que já lutou tanto no assunto.
Agora, que o Centro Cultural Hermes de Paula volta atividades de forma global, depois de completamente reformado pela secretária Antonieta Silva e Silvério, poderá ser, de novo, uma fonte de programações que resultem movimentação artística verdadeiramente ampla, sem distinções de segmentação social. Não quer dizer que seja o Centro Cultural o único espaço de cultura, pois muitos outros existem, mas é lá ¿ pode-se considerar ¿ uma vertente de trabalho, o pólo principal, capaz de coordenar, incentivar, produzir, divulgar, distribuir, programar, premiar, provocar a criação constante. Daqui para frente, muito pode ser esperado, principalmente porque Antonieta Silvério trabalha com critérios técnicos e competência comprovada, sem ranço político de qualquer espécie e com trânsito livre em todo e qualquer setor da cidade. Mais do que tudo: com interesse de artista, que é.
Existe em Montes Claros de antes e de depois do Conservatório Lorenzo Fernandes, com D. Marina e sua equipe a marcar a tomada de consciência nos valores artísticos, assim como existiu Hermes de Paula para dar nascimento ao interesse pela cultura e pela história, ambos construindo um alicerce que político nenhum conseguirá destruir por mais demagogo que seja. Já passou o tempo da chamada inteligência do boi. Agora, Montes Claros já pode respirar ares mais novos na cultura e no saber. Aí estão entidades setorizadas ou não que muito podem produzir, cabendo o papel maior possivelmente ao Lorenzo Fernandes e a FACEART, porque trabalham de forma didática, com horários marcados tendo à frente professoras de maior credibilidade: Lígia Braga e Clarisse Sarmento. Fica faltando ¿ e com urgência ¿ a reestruturação da Feira de Artes ¿ quem sabe ¿ na Praça Doutor Chaves, o único local que ela funcionou o contento e com presenças de público mais interessado e responsável, certo para prestigiar os artistas.
Uma sugestão para Antonieta Silva e Silvério: convoque imediatamente todas as instituições de cultura da cidade, principalmente a Imprensa, para uma reunião ou reuniões projetos, decisões e compromissos. Façamos um planejamento geral e que sejam distribuídas as responsabilidades de trabalho, cada qual com o que lhe couber e for apropriado. Aí estão a Academia Montesclarense de Letras, a Sociedade das Amigas da Cultura, as associações de artistas Plásticas do Teatro, Repentistas, Artesãos, Poetas Populares, os grupos de Serestas, o Banze, os produtores independentes e tantas outras. Considerem-se como presenças imprescindíveis os representantes das páginas culturais da imprensa, da Reitoria, do Departamento de Letras da FAFIL, das escolas de Artes, das galerias da Caixa Econômica Federal e MIT (Ivana Tupinambá), do setor de cultura do Automóvel Clube. Pontos importantes a serem discutidos: a construção do Teatro Municipal e a criação do Museu de Montes Claros.
Há muito que fazer. Há muito mais para realizar. Mãos à obra.
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MINHA MESTRA MARY FIGUEIREDO
WANDERLINO ARRUDA
Maria da Consolação, Mary Figueiredo, Mary Figueiredo Cowen é para mim a moça mais importante do mundo. Sempre eu disse, desde que conheci Mary, que ela poderia ser professora de francês na França e de inglês n Inglaterra. Com a mesma eficiência que é professora português-brasileiro no Brasil. Se Algum dia Mary resolver ensinar japonês no Japão, resolver, estudar alguns meses e ¿ pimba ¿ falará o melhor japonês e o melhor chinês! Mary Figueiredo é fogo! Uma garota inteligente desde que nasceu e de muito antes do nascimento. Inteligência eterna, audível e visível, destas que avassalam os séculos, contribuindo para a melhoria da inteligência dos outros! Inteligência. Uma pessoa muito feliz e que muito sabe o que quer.
Mary é sempre minha querida professora de francês e de literatura francesa, minha cara professora para toda sabedoria que existe no mundo antigo e moderno. Sempre aprendi muito com Mary, assim como um número incontável de outros alunos seus daqui do sertão de Montes Claros e de muitas outras partes do planeta Terra. Mary Figueiredo Cowen é um sucesso como mestra e como ente humano. Alguém assim um tanto especial, que só de tempo em tempo pode aparecer na historia. Acho que Mary pode ser diretora da Universidade do Cairo, programadora da NASA, chefe da Base de Bailonur, presidente da ONU, governadora de Minas, leitora notável da Universidade de Londres. Ou pode ser simplesmente uma perita em churrasco na gostosa mansão de Baby e João Carlos Sobreira. Presidente do Banco do Brasil acho que Mary possa ser, porque presidir o Brasil qualquer um pode estar fazendo. Para Mary isso seria barbada, fichinha, nem dava para ficar no sério.
Hoje que esta Academia de Letras faz uma homenagem a Mary, numa hora que ¿ mercê de Deus ¿ devo estar na cidade do Salvador, Bahia de Todos os Santos, quase em início de tarefa, fico triste em não poder estar com os seus amigos neste momento de abraça-la. Se aqui estivesse, ficaria de longe, olhando, admirado em êxtase, sua gratificante fase de beleza interior e exterior. Até parece que o clima de Londres e os tratos do Bob Cowen só fizeram bem a essa charmosa mulher! Parece também que até disso a sua inteligência sabe aproveitar e assumir. Mary é sabida até para se apaixonar. Sabe que o amor faz bem! Mas como a minha cunhada Lary Cunha diz que quando a gente quer elogiar uma mulher o bom é nunca adjetiva-la de inteligente ¿ devendo-se, por outro lado ¿ dizer que ela apenas é bonita, eu digo, então, para todo mundo ouvir, saber e concordar: MARY FIGUEIREDO COWEN é linda, formosa, lindona como ela só! Uma estrela de sexta grandeza!
Se eu fosse o Rei de Roma, no tempo que Roma mandava, fazia e desfazia, o que eu iria fazer com MARY era coroa-la rainha da Inglaterra. Ou então princesa do Brasil! Se ela não aceitasse a minha homenagem, não tinha nem core-coré, nomearia, nomeá-la-ia, à força, episcopesa de Caruaru ou prefeita de Coração de Jesus. Não dando certo ainda, faria dela a mais importante coronela do exército de Katmandu!
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MINHA MÃE, MEU TESOURO
WANDERLINO ARRUDA
Amarás e servirás incessantemente, todos os dias da tua vida, eis o teu poder, a tua convicção, o teu trabalho santificado. Os teus gestos serão sempre movimentos de encanto, busca de paz, homenagens sinceras a Deus por ter permitido a vida a ti mesma e a teu filho, a tua filha, a todos os teus filhos, pedaços ou amplitudes do teu corpo e da tua alma... Amarás, mãe, os minutos e os segundos e tempo jamais te faltará em busca dos mais santos carinhos com que envolverás o fruto do teu amor. E maternidade, mãe, não precisa que seja do teu próprio ventre, célula da tua célula, porque ser mãe é passar pelo caminho da vida, oferecendo dádivas do amor e da fé, o melhor que exista no coração.
Ser mãe é passar com rastro fulgurante em cendal de estrelas, envolvendo em luz as trajetórias dos seres que lhes são entregues para cuidado e burilamento. Ser mãe é sofrer amorosamente, é sorrir na complacência, é sonhar com a esperança. Nenhuma tarefa é mais dignificante do que a de mãe, pois, em sua vida, dificuldade é ensino, problema é lição, sofrimento é bênção, tudo é alicerce divino na construção do bem. Ser mãe é transmudar-se em bálsamo de bom entendimento, é ter a vida dos anjos, é esparzir misericórdia em nome do que há de mais sagrado no amor. Ser mãe é curar o cansaço, é amenizar a própria existência.
Filhos de todo o mundo reverenciai, hoje, as vossas mães. Elas são seres insubstituíveis, tesouros inestimáveis, maravilhas da criação. A elas, jóias do mais fino labor de Deus, o nosso amor!
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MEU AMIGO SEBASTIÃO DUCHO
WANDERLINO ARRUDA
Poderia demorar o tempo que demorasse, mas a primeira crônica, depois de longo período de ausência, teria de ser sobre o meu amigo Ducho, pai de Glacira e Tháis, de Lúcia e Fátima de Tarcísio e Expedito, de Tiãozinho e Raimundo, pai de Miguel e marido de Dona Geralda, claro que esta crônica era para ser escrita por ocasião das homenagens que lhe foram prestadas por alunos e professores do Conservatório Lorenzo Fernandez. Deveria fazer parte do momento vivo de amor e admiração, na festa cantada em prosa e verso numa noite de maior alegria do amigo Sebastião Ducho, mestre da arte de ser feliz Passado o momento, não passou a ocasião. Eis-me aqui falando dele.
Realmente, para falar de Ducho não precisa de pressa. Ele é o homem da calma constante, da boa disposição íntima, da alegria bem comportada, do sorriso sério, um desfilar de completa felicidade. Homem lúcido, realista, racional e equilibradamente místico, é o filósofo elegante e de bom trato, sempre portador de uma palavra amiga, sem qualquer sina de ostentação. Ducho é um homem, sobretudo, interessante, sóbrio e limpo, parece estar sempre saindo do banho; amigo de todos, é eqüidistante, não se apega nem se afasta de ninguém; um quase silencioso e respeitado companheiro, pois fala comedido como um velho marinheiro, voz suave de um vitorioso embaixador. Não creio que Ducho guarde no coração qualquer traço de ressentimento; pois seu olhar é de completa paz, um misto de Sócrates e de Gandhi, parece conhecedor dos mistérios de Eleusis, um tipo de viajante feliz do Nirvana, com passagem pela Terra.
Falando com Ducho, certa vez, sobre religião, perscrutando profundamente seu pensamento, perguntei-lhe sobre seu conhecimento espírita e até aonde ia sua convicção nos postulados da codificação de Kardec, tal sua harmonia de idéias, um tanto de Buda e muito Krishnamurti, Ele sorriu com o mais amistoso dos sorrisos e, sem qualquer atitude crítica, disse-me que era um fiel respeitador de todas as opiniões religiosas, mas que, por questão até de inteligência, procurava situar-se sempre acima delas, jamais as tocando diretamente. Para se viver bem com todas; respeita-as, aproveitar de cada uma o melhor, é preciso sobre pairar do alto, não se envolver não tomar partido, ler de tudo, e retirar a essência como aconselhou o sábio Paulo de Tarso. Aí está o segredo obtido das suas observações e de muita leitura que sempre fé, porque muitos são os caminhos que levam a Deus.
Para Ducho, o purgatório, que o homem tem construído, poderia transformar-se em céu, se o estado geral das consciências fosse melhor, se houvesse menos ambição, menos pressa, esse eterno jogo em busca do poder e da riqueza. Cada criatura deveria legislar o próprio bem com a busca do equilíbrio, da tolerância, confiando na sabedoria divina, cuidando de não se ferir e não ofender os companheiros de romagem da vida. A felicidade pode ser encontrada, e ele sempre a encontrou. Afinal se não fosse assim, como estaria diante dos seus milhares de amigos?...
Bem mais de oitenta anos, saúde perfeita, prática diária de longa, Sebastião Mendes, o nosso Ducho, comercialmente e artista, intelectual e exemplo de companheirismo, é o melhor exemplo de companheirismo, é o melhor exemplo vivo da soberania e da sóbria distinção do sertanejo dos Montes Claros. Um maravilhoso exemplo!
DENILSON ARRUDA
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MESTRE KONSTANTIN CHRISTOFF
WANDERLINO ARRUDA
Foi em 1974 que, numa das conversas com Konstantin, surgiu a idéia de uma feira de arte em Montes Claros. Feira ou exposição ao ar livre, numa praça, em dia de sol, todos os artistas juntos, arte e artesanato. Uma associação organizada, mas sem estatuto, sem presidente, sem secretário, sem tesoureiro, sem diretoria. Todos iguais, um ao lado do outro, sem escolha de lugares. Claro que com disciplina, mas a disciplina da amizade, do companheirismo, da consideração, ninguém mandando em ninguém. O que mais Konstantin pediu foi que nunca pensássemos em registro. Tinha que ser uma sociedade livre, para que os artistas pudessem entrar e sair sem pedir licença. Quer expor ? Apareça no local e no horário, e tudo bem. Para que inscrição ? Um único cargo, nada mais do que um, apenas o coordenador, porque pelo menos para dar informações, precisava de alguém. Discutidos os nomes, acabei sendo este alguém. Mas sem votação. Ele indicou-me.
Não é a feira de arte a lembrança mais antiga que tenho de Konstantin, pois amigo ele foi sempre desde os meus tempos de estudante no Instituto Norte Mineiro, estudantes passando na frente da casa dele, na Rua D. João Pimenta, e ele dando conselhos, falando como irmão, uma consideração muito carinhosa com os jovens. Lembro-me dele fazendo ilustrações para revistas de Montes Claros e de Belo Horizonte, lá de vez em quando colaborando com edições comemorativas de alguma coisa pelos jornais da cidade. Lembro-me dele médico sério e famoso na Santa Casa, cirurgião do maior respeito. Lembro-me muito da muita admiração que as moças casadoiras tinham por ele, um rapagão louro, de cabelos compridos sem ser demais, barba européia ariana, olhos claros, perfil de um possível marinheiro viking, financeiramente já bem posto na vida, tipo de genro que toda futura sogra desejaria para a sua filha.
A vida continua e Konstantin Christoff também continua na história de Montes Claros. Sempre admirado, sempre amado, um ícone da nossas artes maiores, pintura, escultura, desenho, a cada dia mais competente, a cada temporada com mais estudos teóricos, sabedor de tudo, estimulando jovens, criticando velhos, sugerindo sempre. Uma enciclopédia das artes e dos seus valores. Como era gostoso estar vendo ao mesmo tempo Konstantin e Godofredo Guedes, no estúdio de Godô, na Rua Rui Barbosa. Um completava o outro. Godofredo, um clássico, pôe todo academicismo que ainda é pouco, escolha rigorosa de cores, pintura no mesmo movimento da escrita, da esquerda para a direita, de cima para baixo, se hoje como uma moderna impressora colorida de computador. Godô nunca abria mão dos detalhales, mínimos que fosse. Konstantin, não, um revolucionário, um iconoclasta, nada de detalhismo, nada de cores obedientes, traço rápido, um quase simplismo brincalhão, às vezes até puxado para a caricatura. Para Godofredo, Konstantin era um louco genial, um anarquista. Mas quanto o admirava !
O tempo passa e sempre Konstantin é um vencedor. Alguém mais do que um mestre. Uma assinatura sua é capaz de fazer uma folha de cartolina, uma tela vazia serem consideradas obras de arte. Um mágico fenomenal. Ontem e hoje bem aceito. Com exposições nas cidades maiores deste e de outros países, tornou-se um bem-visto pela imprensa especializada. Nosso orgulho!
Agora, que você expõe e se expõe na Praça de Eventos do Shopping Center de Montes Claros, receba o meu abraço, de amigo e de irmão, Konstantin Christoff !
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MESTRE DOUTOR JOÃO
WANDERLINO ARRUDA
De minha parte, já peguei o bonde andando, no agitado ano de 1954, logo depois que o Colégio Diocesano fechou o curso noturno, preparando-se para ser mudado em seminário. Toda a nossa turma, inclusive uma maioria que não estudava à noite, foi jogada à força no velho Instituto Norte Mineiro de Educação. Pobres, ricos, trabalhassem ou não trabalhassem, ir para lá era o nosso destino, pois outra escola não existia, de modo a darmos continuidade nos programas e na vida. Seguimos, então, o único caminho, único e natural, mudando de uniforme e trocando de filosofia, permutando uma preparação acadêmica por um trabalho de natureza prática, até certo ponto mais condizente com o futuro profissional, fosse qual fosse. Em vez de padres e seminaristas, agora a companhia de moças de lojas e de escritórios, pingando de vez e quando uma ou outra dona de casa compenetrada e séria. Reais alunos de curso noturno, cansados, suados, todos com aquela disposição de vencer a qualquer custo.
O Instituto era escola de trabalho, destinado a formar profissionais para a contabilidade, redatores, datilógrafos, gente prática para a vida, gente para dar duro em todas as atividades, pau-prá-toda-obra. A propaganda maior era que, por lá, havia passado a fina flor de homens vitoriosos em todos os campos de atividade, entre muitos Ubaldino Assis, Necésio de Morais, Mário Ribeiro, uma maioria de bancários, contadores e gerentes do comércio local, assim como alguns jornalistas, professores e intelectuais de nomeada. Ninguém poderia tornar-se um grande político ou um seguro homem de negócios sem passar pela experiência do Grêmio do Instituto. Era lá a grande escola de civismo, uma espécie de bastião da liberdade e do humanismo, do livre pensar e do melhor agir.
Lembro-me de lutas homéricas, antes, durante e depois das sessões do grêmio. Lembro-me de esforçados líderes e nervosos partidos criados depois do ingresso dos novos, dos recém-chegados, algo parecido com intrusos novos-ricos não acostumados aos ditames da casa. Os que se consideravam os institutenses verdadeiros, os de primeira matrícula, eram os diletos, os preferidos da família diretora, gozando todos de uma liderança bastante expressiva do Newton Baleiro, do lado de fora, e do João Luiz Filho, do lado de dentro. De quebra, havia o Luizinho, o Nelsinho, a Nadir, de vez em quando a Nini e o próprio Doutor João, cada um com uma força, um prestígio, um mando diferente, mas nenhum peso-leve. 0 Doutor João, quando aparecia com os cabelos alvoroçados como se não tivesse visto pente, testa franzida, sobrecenho carregado era um deus-nos-acuda, um furacão de fúria, fazendo aparecer tudo de errado que houvesse.
De sério, por parte dos alunos, também havia muita gente, compenetrados solteirões, dignos pais de família, e até gente nova com jeito de gente velha. Havia o Manoel Neves, comerciante bem de vida; o Joel Silveira, estudioso da Bíblia, quase pastor e fazendeiro; o João e o Terezo Xavier bem postos alfaiates, ora caladões, ora conselheiros; havia o Raulemar Couto e o João William, novos, quase meninos, mas de um respeito que merecia admiração. Pelo lado dos professores, lembro-me da fama de carrasco do professor Heráclides Leite Ferreira, baiano e matemático que havia se casado com uma aluna, a Nadeje; do professor José Márcio de Aguiar, ex-semina- rista, literato e filósofo, meu conselheiro nos primeiros tempos de jornalismo; o José Bispo, de boa fama na capacidade, mas tão terrível nas notas, que alguns alunos, por vingança, furávam, de vez em quando, os pneus da sua bicicleta. 0 Necésio de Morais foi o melhor mestre de contabilidade que conheci. Domingos Bicalho era a organização em pessoa. Mas de bom visual, além de um alentado time de mocinhas, havia uma bonitona, caixa das Casas Pernambucanas, bem vestida, bem pintada, tão elegante que, no primeiro dia de aula, todos nós nos levantamos para recebê-la pensando tratar-se de professora de muito respeito.
0 Instituto era um caldeirão fervente, com o Júlio Pereira e o Ferreirinha a fazer política; Thiers Penalva, Carlaide Pereira a jogar futebol; Zezinho Evangelista e Waldir Veloso a agitar a política; Sebastião Mateus e Norberto Custódio na seriedade, e Adauto Freire a comandar a jovial anarquia. No meio de tudo, uma figura com absoluta liderança, na violência ou na ternura, como pai e como algoz, como irmão e quase como colega: o velho mestre João Luiz de Almeida, autoridade máxima de uma geração, o mais liberal de todos os ditadores.
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MEU AMIGO SEBASTIÃO DUCHO
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Poderia demorar o tempo que demorasse, mas a primeira crônica, depois de longo período de ausência, teria de ser sobre o meu amigo Ducho, pai de Glacira e Tháis, de Lúcia e Fátima de Tarcísio e Expedito, de Tiãozinho e Raimundo, pai de Miguel e marido de Dona Geralda, claro que esta crônica era para ser escrita por ocasião das homenagens que lhe foram prestadas por alunos e professores do Conservatório Lorenzo Fernandez. Deveria fazer parte do momento vivo de amor e admiração, na festa cantada em prosa e verso numa noite de maior alegria do amigo Sebastião Ducho, mestre da arte de ser feliz Passado o momento, não passou a ocasião. Eis-me aqui falando dele.
Realmente, para falar de Ducho não precisa de pressa. Ele é o homem da calma constante, da boa disposição íntima, da alegria bem comportada, do sorriso sério, um desfilar de completa felicidade. Homem lúcido, realista, racional e equilibradamente místico, é o filósofo elegante e de bom trato, sempre portador de uma palavra amiga, sem qualquer sina de ostentação. Ducho é um homem, sobretudo, interessante, sóbrio e limpo, parece estar sempre saindo do banho; amigo de todos, é eqüidistante, não se apega nem se afasta de ninguém; um quase silencioso e respeitado companheiro, pois fala comedido como um velho marinheiro, voz suave de um vitorioso embaixador. Não creio que Ducho guarde no coração qualquer traço de ressentimento; pois seu olhar é de completa paz, um misto de Sócrates e de Gandhi, parece conhecedor dos mistérios de Eleusis, um tipo de viajante feliz do Nirvana, com passagem pela Terra.
Falando com Ducho, certa vez, sobre religião, perscrutando profundamente seu pensamento, perguntei-lhe sobre seu conhecimento espírita e até aonde ia sua convicção nos postulados da codificação de Kardec, tal sua harmonia de idéias, um tanto de Buda e muito Krishnamurti, Ele sorriu com o mais amistoso dos sorrisos e, sem qualquer atitude crítica, disse-me que era um fiel respeitador de todas as opiniões religiosas, mas que, por questão até de inteligência, procurava situar-se sempre acima delas, jamais as tocando diretamente. Para se viver bem com todas; respeita-as, aproveitar de cada uma o melhor, é preciso sobre pairar do alto, não se envolver não tomar partido, ler de tudo, e retirar a essência como aconselhou o sábio Paulo de Tarso. Aí está o segredo obtido das suas observações e de muita leitura que sempre fé, porque muitos são os caminhos que levam a Deus.
Para Ducho, o purgatório, que o homem tem construído, poderia transformar-se em céu, se o estado geral das consciências fosse melhor, se houvesse menos ambição, menos pressa, esse eterno jogo em busca do poder e da riqueza. Cada criatura deveria legislar o próprio bem com a busca do equilíbrio, da tolerância, confiando na sabedoria divina, cuidando de não se ferir e não ofender os companheiros de romagem da vida. A felicidade pode ser encontrada, e ele sempre a encontrou. Afinal se não fosse assim, como estaria diante dos seus milhares de amigos?...
Bem mais de oitenta anos, saúde perfeita, prática diária de longa, Sebastião Mendes, o nosso Ducho, comercialmente e artista, intelectual e exemplo de companheirismo, é o melhor exemplo de companheirismo, é o melhor exemplo vivo da soberania e da sóbria distinção do sertanejo dos Montes Claros. Um maravilhoso exemplo!
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MESTRE KONSTANTIN CHRISTOFF
WANDERLINO ARRUDA
Foi em 1974 que, numa das conversas com Konstantin, surgiu a idéia de uma feira de arte em Montes Claros. Feira ou exposição ao ar livre, numa praça, em dia de sol, todos os artistas juntos, arte e artesanato. Uma associação organizada, mas sem estatuto, sem presidente, sem secretário, sem tesoureiro, sem diretoria. Todos iguais, um ao lado do outro, sem escolha de lugares. Claro que com disciplina, mas a disciplina da amizade, do companheirismo, da consideração, ninguém mandando em ninguém. O que mais Konstantin pediu foi que nunca pensássemos em registro. Tinha que ser uma sociedade livre, para que os artistas pudessem entrar e sair sem pedir licença. Quer expor ? Apareça no local e no horário, e tudo bem. Para que inscrição ? Um único cargo, nada mais do que um, apenas o coordenador, porque pelo menos para dar informações, precisava de alguém. Discutidos os nomes, acabei sendo este alguém. Mas sem votação. Ele indicou-me.
Não é a feira de arte a lembrança mais antiga que tenho de Konstantin, pois amigo ele foi sempre desde os meus tempos de estudante no Instituto Norte Mineiro, estudantes passando na frente da casa dele, na Rua D. João Pimenta, e ele dando conselhos, falando como irmão, uma consideração muito carinhosa com os jovens. Lembro-me dele fazendo ilustrações para revistas de Montes Claros e de Belo Horizonte, lá de vez em quando colaborando com edições comemorativas de alguma coisa pelos jornais da cidade. Lembro-me dele médico sério e famoso na Santa Casa, cirurgião do maior respeito. Lembro-me muito da muita admiração que as moças casadoiras tinham por ele, um rapagão louro, de cabelos compridos sem ser demais, barba européia ariana, olhos claros, perfil de um possível marinheiro viking, financeiramente já bem posto na vida, tipo de genro que toda futura sogra desejaria para a sua filha.
A vida continua e Konstantin Christoff também continua na história de Montes Claros. Sempre admirado, sempre amado, um ícone da nossas artes maiores, pintura, escultura, desenho, a cada dia mais competente, a cada temporada com mais estudos teóricos, sabedor de tudo, estimulando jovens, criticando velhos, sugerindo sempre. Uma enciclopédia das artes e dos seus valores. Como era gostoso estar vendo ao mesmo tempo Konstantin e Godofredo Guedes, no estúdio de Godô, na Rua Rui Barbosa. Um completava o outro. Godofredo, um clássico, pôe todo academicismo que ainda é pouco, escolha rigorosa de cores, pintura no mesmo movimento da escrita, da esquerda para a direita, de cima para baixo, se hoje como uma moderna impressora colorida de computador. Godô nunca abria mão dos detalhales, mínimos que fosse. Konstantin, não, um revolucionário, um iconoclasta, nada de detalhismo, nada de cores obedientes, traço rápido, um quase simplismo brincalhão, às vezes até puxado para a caricatura. Para Godofredo, Konstantin era um louco genial, um anarquista. Mas quanto o admirava !
O tempo passa e sempre Konstantin é um vencedor. Alguém mais do que um mestre. Uma assinatura sua é capaz de fazer uma folha de cartolina, uma tela vazia serem consideradas obras de arte. Um mágico fenomenal. Ontem e hoje bem aceito. Com exposições nas cidades maiores deste e de outros países, tornou-se um bem-visto pela imprensa especializada. Nosso orgulho!
Agora, que você expõe e se expõe na Praça de Eventos do Shopping Center de Montes Claros, receba o meu abraço, de amigo e de irmão, Konstantin Christoff !
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MESTRE DOUTOR JOÃO
WANDERLINO ARRUDA
De minha parte, já peguei o bonde andando, no agitado ano de 1954, logo depois que o Colégio Diocesano fechou o curso noturno, preparando-se para ser mudado em seminário. Toda a nossa turma, inclusive uma maioria que não estudava à noite, foi jogada à força no velho Instituto Norte Mineiro de Educação. Pobres, ricos, trabalhassem ou não trabalhassem, ir para lá era o nosso destino, pois outra escola não existia, de modo a darmos continuidade nos programas e na vida. Seguimos, então, o único caminho, único e natural, mudando de uniforme e trocando de filosofia, permutando uma preparação acadêmica por um trabalho de natureza prática, até certo ponto mais condizente com o futuro profissional, fosse qual fosse. Em vez de padres e seminaristas, agora a companhia de moças de lojas e de escritórios, pingando de vez e quando uma ou outra dona de casa compenetrada e séria. Reais alunos de curso noturno, cansados, suados, todos com aquela disposição de vencer a qualquer custo.
O Instituto era escola de trabalho, destinado a formar profissionais para a contabilidade, redatores, datilógrafos, gente prática para a vida, gente para dar duro em todas as atividades, pau-prá-toda-obra. A propaganda maior era que, por lá, havia passado a fina flor de homens vitoriosos em todos os campos de atividade, entre muitos Ubaldino Assis, Necésio de Morais, Mário Ribeiro, uma maioria de bancários, contadores e gerentes do comércio local, assim como alguns jornalistas, professores e intelectuais de nomeada. Ninguém poderia tornar-se um grande político ou um seguro homem de negócios sem passar pela experiência do Grêmio do Instituto. Era lá a grande escola de civismo, uma espécie de bastião da liberdade e do humanismo, do livre pensar e do melhor agir.
Lembro-me de lutas homéricas, antes, durante e depois das sessões do grêmio. Lembro-me de esforçados líderes e nervosos partidos criados depois do ingresso dos novos, dos recém-chegados, algo parecido com intrusos novos-ricos não acostumados aos ditames da casa. Os que se consideravam os institutenses verdadeiros, os de primeira matrícula, eram os diletos, os preferidos da família diretora, gozando todos de uma liderança bastante expressiva do Newton Baleiro, do lado de fora, e do João Luiz Filho, do lado de dentro. De quebra, havia o Luizinho, o Nelsinho, a Nadir, de vez em quando a Nini e o próprio Doutor João, cada um com uma força, um prestígio, um mando diferente, mas nenhum peso-leve. 0 Doutor João, quando aparecia com os cabelos alvoroçados como se não tivesse visto pente, testa franzida, sobrecenho carregado era um deus-nos-acuda, um furacão de fúria, fazendo aparecer tudo de errado que houvesse.
De sério, por parte dos alunos, também havia muita gente, compenetrados solteirões, dignos pais de família, e até gente nova com jeito de gente velha. Havia o Manoel Neves, comerciante bem de vida; o Joel Silveira, estudioso da Bíblia, quase pastor e fazendeiro; o João e o Terezo Xavier bem postos alfaiates, ora caladões, ora conselheiros; havia o Raulemar Couto e o João William, novos, quase meninos, mas de um respeito que merecia admiração. Pelo lado dos professores, lembro-me da fama de carrasco do professor Heráclides Leite Ferreira, baiano e matemático que havia se casado com uma aluna, a Nadeje; do professor José Márcio de Aguiar, ex-semina- rista, literato e filósofo, meu conselheiro nos primeiros tempos de jornalismo; o José Bispo, de boa fama na capacidade, mas tão terrível nas notas, que alguns alunos, por vingança, furávam, de vez em quando, os pneus da sua bicicleta. 0 Necésio de Morais foi o melhor mestre de contabilidade que conheci. Domingos Bicalho era a organização em pessoa. Mas de bom visual, além de um alentado time de mocinhas, havia uma bonitona, caixa das Casas Pernambucanas, bem vestida, bem pintada, tão elegante que, no primeiro dia de aula, todos nós nos levantamos para recebê-la pensando tratar-se de professora de muito respeito.
0 Instituto era um caldeirão fervente, com o Júlio Pereira e o Ferreirinha a fazer política; Thiers Penalva, Carlaide Pereira a jogar futebol; Zezinho Evangelista e Waldir Veloso a agitar a política; Sebastião Mateus e Norberto Custódio na seriedade, e Adauto Freire a comandar a jovial anarquia. No meio de tudo, uma figura com absoluta liderança, na violência ou na ternura, como pai e como algoz, como irmão e quase como colega: o velho mestre João Luiz de Almeida, autoridade máxima de uma geração, o mais liberal de todos os ditadores.
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MEMÓRIAS DE ADRIANO
WANDERLINO ARRUDA
Foi com incontida alegria que recebi de Raquel, minha cunhada, emprestado e ainda novinho, o volume de "MEMORIAS DE ADRIANO". Ela, que é leitora constante, havia lido apenas as primeiras páginas, dizendo da falta de tempo para um assunto minucioso, tão repetitivo como as descrições de Marguerite Yourcenar, Lê-lo-ia depois, não haveria problema. "Pode levá-lo e faça bom uso", disse-me. "A mulher da Academia Francesa é sua, toda sua", acrescentou com malícia. Recebi com gratidão antecipada e lhe confessei que só não havia comprado "MEMORIAS DE ADRIANO" por estar acima da casa dos mil, muito caro. Não por falta de vontade, que eu já andava ansioso. Afinal, foi por causa desse livro que Carlos Drumond de Andrade havia ficado uma semana preso em casa, com medo de alguém apontá-lo, na rua, chamando-o de "pobre velho que ainda não leu "MEMORIAS DE ADRIANO" ".
E isso aÍ, é realmente pobre quem ainda não leu Yourcenar. É pobre e não sabe o que está perdendo, pois "MEMORIAS DE ADRIANO", que não se diz romance, é a maior jóia da ourivesaria literária de nossos dias, um encanto de trabalho feito com o carinho que só uma mulher da Academia Francesa poderia ter. Bem haja que ela tenha ficado tantos anos, quase trinta, elaborando e polindo, ligando fatos e escolhendo palavras; para mim, vivendo e revivendo o atavismo do melhor tempo de esplendor. Não é fácil assumir o papel de Adriano, ter a consciência de César, ser deus e ser gente, lutar na tessitura da alma de um povo e de um mundo, a um só lance guerreiro, político e amante de cada face da vida. Ninguém pode saber onde começa o autor e termina a personagem, uma vez que só Marguerite teria tão grande liberdade em sentir-se Adriano. A paixão por Antinoos é acima de tudo de alma feminina.
Sempre encantei-me com o dinamismo do Império Romano, onde o poder nunca desprezou a cultura e o culto dos imortais, jamais deixou de lado a vida de cada dia. Mundo de patrícios e plebeus, de guerreiros e artistas, de livres e escravos, Roma atravessou fronteiras com o sentimento de globalidade, fazendo de bárbaros bons cidadãos, mostrando a vida com beleza e civilidade, elaborando leis e diretrizes, ensinando a viver.
Não creio que exista melhor modelo para a história que a descrição e a narrativa da "grande dama de literatura". Nada mais apropriado para imitar a realidade. Uma penetração física e psicológica, um remoer de pequenos e grandes sentimentos, um improvisar momentâneo ou um consciente preparo de cada instante, de cada período. Adriano não se contenta apenas no viver, sente-se que é a mola maior do destino, um senhor do presente e do futuro, um gesto seu plasmando culturas, permitindo mudanças forjando consciências. Apesar de tudo, as incertezas, a busca de afirmação do ser humano, fraco e falível em toda parte, em todo o tempo, pois ninguém é dono da vida, nem o rei de Roma.
Fiquei mais rico de vivência e de amor depois de ''MEMORIAS DE ADRIANO". Acredito na grandeza e no poder das letras, naquele sentido de canalizar momentos de felicidade, unindo séculos em frações de segundos, doação de patrimônio à curiosidade de cada espírito. De todas as invenções do homem a maior ainda é o alfabeto e, em decorrência dele, o livro. Depois que aprendemos ler, desaparece o egoísmo alheio, o mundo é nosso, ninguém pode impedir de que sejamos senhores da nossa própria cultura. O milenar passa a ser o agora, a história é a página que vemos diante de nossos olhos, somos participantes de tudo. De tudo mesmo.
Devolvo-lhe o livro, Raquel. "MEMÓRIAS DE ADRIANO" não pode deixar de ser lido. Em último caso, na falta de tempo, faça como a minha outra cunhada, a Laury: arranje uma doencinha qualquer e, deitada, penetre na alma dos livros; cavalgue sonhos, realize o irrealizável.
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MANOEL QUATROCENTOS
WANDERLINO ARRUDA
Estou no décimo-quarto andar do edifício do Banco do Brasil, no centro de Fortaleza. Aqui dentro a temperatura é de 18 graus, cortinas fechadas em quase todas as janelas, menos em uma que dá visão direta para o mar. Lá fora o calor intenso, um sol que daria gosto se estivesse na praia. O céu de brigadeiro, de um azul que indica não haver igual em nenhuma parte do mundo. Fazendo moldura, abaixo da linha do horizonte, o Oceano Atlântico que mais parece de clorofila que de água salgada: o verde é intenso, quase um verde de esmeralda ou de turquesa, daquele verde tão lindo como a cor dos olhos de uma bonita mulher de olhos verdes. É o mar de Iracema, a virgem criada por José de Alencar, de lábios de mel e cabelos mais negros do que a asa de graúna e a pele mais macia que a pe1úcia de um pêssego maduro em manhã de chuva. É aqui a capital do Estado do Ceará.
É aqui nesta festa urbana, onde trabalho e vivo cada minuto, que recebo um telefonema de Olímpia, com notícias de casa, de Montes Claros e da região baiana de Minas. Bebo com a audição cada detalhe, cada ângulo de comentários. Misturo tudo com uma profunda saudade dela e das coisas com sabor mineiro. Quem nasceu? Quem vive ainda? Morreu alguém conhecido? Ela me fala das mortes de dois prefeitos, das passagens súbitas de Caetana Meira, de Afrânio Tempone, da viagem eterna de Manoel Quatrocentos. Sente profundamente a ausência da Caetana, tão nossa amiga, quase nossa vizinha, companheira da Cada da Amizade, do Elos Clube, do Rotary. Ninguém nasceu para viver definitivamente. Haverá sempre um último dia. Mas acostumar-se com a ausência física de pessoas amigas, mesmo que não estejam sempre próximas de nós, é sempre uma angústia. Não existe alegria na morte. Mesmo de longe, sinto a falta dos bons amigos. Penso em cada um. Vejo méritos em todos. Da alegria de viver de Tempone, por exemplo. Há poucos dias, eu tinha convencido Caetana a ir com a Meira a uma convenção do Rotary em Caxambu. Fiz propaganda de maravilhas do encontro rotário. Ela aceitou.
Do verde do mar, da imensidão do oceano, da fantasia do céu do Ceará, volto-me inteiramente para a idéia desta crônica, focalizando na memória as muitas vezes que vi e admirei a figura nostálgica e cavalheiresca de Manoel Quatrocentos, um misto romântico de Dom Quixote e de Carlitos, último dos distantes conquistadores da beleza e do charme de mulheres famosas do velho cinema hollywoodiano. Sempre o verde do mar cearense o foco principal da lembrança do velho Manoel? De tudo que ele tinha na vida ¿ e quase não tinha nada além do machado de cortar lenha ¿ o de que mais se orgulhava era do verde dos olhos que herdara da mãe. Pode ser que seja isso, porque nos olhos do Manoel Quatrocentos estavam quase todas as suas maiores qualidades: a gentileza, a alegria, o humanismo, o desejo de conquista, a admiração por Montes Claros, a cerimônia com as mulheres a ironia com os orgulhosos, a malícia com os velhos, a simpatia com os jovens. Grande Manoel!
Lembro-me perfeitamente dos meus primeiros tempos de estudante, lá pelos idos de 1951, quando íamos ouvir, aplaudir e anarquizar o jovem Manoel Quatrocentos, o ¿maior¿ cantor de boleros da Rádio Sociedade nos programas de auditório, no Cine Montes Claros e Cine Ipiranga. Chupando cana, comendo pipocas, fazendo bolinhas de papel de caramelos para jogar no animador e nos artistas, que grande alegria era cada manhã de domingo! Manoel Quatrocentos, mais romântico que o eterno romântico Adauto Freire, meu amigo, fazia poses de Gregório Barros, lançava beijos para as belezas invisíveis de Ingrid Bergman, Viven Leigh e Lauren Bacall. Era como se ele estivesse vivendo cenas de Casablanca e E o Vento Levou, só possíveis de serem descritas pelo companheiro Ângelo Soares Neto, outro fã incondicional do Manoel, que a esta hora deve estar também muito triste, chorando mágoas com Haroldo Lívio. Quantas vezes pedíamos bis, bis só para sentir as impostações de voz de quem se acreditava, Tyrone Power, Charles Boyer, Errol Flinn, ou, nas horas de maior coragem, o próprio Charles Starett ou o Flash Gordon.
Lembro-me também da mania do Manoel Quatrocentos em falar línguas estrangeiras, no enrolado dialeto dos gringos; Stil Vous Plait Merci Beaucoup, Yes, Thank You, Buenas Noches, Oh Muchachas, Take it ease, Shut up, tão comuns aos artistas franceses, mexicanos ou de Hollywood. Era um tal de falar em Footings e Elirts que dava gosto! Lembro-me dos amores de Manoel Quatrocentos com o que parece ter sido seu único amor materializado ¿ a Maria Tostão, lá no alto dos Morrinhos, quem sabe a sua alegria legítima. Perfumado sempre nas horas de folga, nunca sem gravata, castelhano gravado no sotaque, Manoel Quatrocentos foi um homem despojado de orgulho nas horas de trabalho braçal, dono de pouco, mas sempre sagrado dinheirinho para as próprias necessidades.
Do Ceará, quero mandar meu último aplauso a Manoel Quatrocentos, o maior candidato ao noivado com as mais lindas mulheres do mundo. Que a manhã de sábado, 23 de abril de 188, tenha sido para ele ¿ Manoel Nunes da Silva ¿ um fantástico momento de glória, uma contemplação maravilhosa do infinito azul do olhar de todas as belezas femininas da história. Ele muito fez por merecer.
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LISBOA E OS BRASILEIROS
WANDERLINO ARRUDA
Wladênia completa dezoito anos, ganha título de eleitora, freqüenta escola de motorista e fica imensamente alegre com a maioridade relativa. Sua alegria, que é também a minha e de Olímpia, tem em mim um outro efeito ¿ o da saudade, o de boas lembranças da viagem que fiz com Antônio Ramos, D. Flora, Dulce Sarmento, Correia e José Almeida a Portugal. É que, quando viajamos, Wladênia estava chegando pequenina como a primeira moça da família, trazendo tanto contentamento que Olímpia nem esboçou o menor desejo de fazer uma viagem à Europa. Eu que fosse sozinho, ela ficaria para curtir o encantamento da filha mulher. Agora, dezoito anos depois, a viagem volta-me à memória com grande saudade.
Vôo de dezoito horas, com escala em Recife, onde encontramos D. Fina e Dr. Hermes no Aeroporto e, na Ilha do Sal, já pertinho da Costa d¿África, onde encontramos outros brasileiros, chegamos a Lisboa já bem à tardinha, saindo do avião com um envolvente impacto do frio de início de primavera. Antes de mais nada, toda a caravana brasileira dos Elos Clubes se reúne, ainda na pista para uma fotografia de chegada. Sorrisos em todas a faces com as boas vindas dos portugueses irmãos e amigos. Logo depois o burburinho dos salões internacionais e da alfândega do Portela de Sacavém, o Aeroporto mais ocidental do velho continente. Mais fotografias, mais abraços, mais voto de feliz estada.
No caminho para o centro de Lisboa, os táxis deslizam por bairros moderníssimos como o de Moscavide e por avenidas de encantar as vistas, como o da Liberdade e a do Brasil, por praças realmente lindas como a do Teatro, o Rocio, o Terreiro do Pago; ruas como a do Ouro, da Praça. De longe, a visão sentimental do Tejo, da antiga fortaleza de São João, do Largo do Comércio, da Ladeira d¿Chiado, de Alfama. Quando o motorista passa próximo às fontes luminosas dos Restaurantes mostra-nos a estátua de D. Pedro, e diz-nos, orgulhosamente, que ali está ¿o nosso D. Pedro IV, e vosso Primeiro¿, um dos grandes heróis da história portuguesa.
D. Flora e Antônio Ramos reviam as mesmas cenas depois de pouco tempo. José Almeida, natural do Norte, tinha estado em Lisboa apenas de passagem, quando veio para o Brasil. J. F. Rodrigues Correia tinha estudado em Coimbra, quando menino, vira Lisboa fazia quarenta anos. Dulce Sarmento e eu nos deslumbrávamos com a beleza pela primeira vez ou quando muito por saudades atávicas. Ninguém pode imaginar como é doce e gostosa a sensação de pisar no solo da pátria mãe, sentir ali o berço da raça, origem da maioria de nossas tradições, um lugar que de modo algum para nós é estrangeiro. E como nós brasileiros somos bem recebidos em Portugal, em Lisboa, em Santarém, em Belmonte, no Porto em qualquer parte!
À noite o primeiro passeio a pé, a visita ao mundo de alegrias, do Metrô, da Praça da Alegria, de Sé, dos cafés do Chiado, a subida das ladeiras, o olhar curioso nas vitrinas de ourivesarias e de lojas a aproximação das fontes de todas as cores e todos os sons, mais bonitas do que em qualquer outra parte do mundo. Por aquelas ruas e praças haviam passado também Eça de Queirós, Alexandre Herculano, Antero de Quental, Florbela Espanca, Fernando Pessoa! Por aqueles lugares havia passado também o brasileiro mais famoso em Lisboa, o nosso também sempre lembrado Juscelino Kubtschek. Ele era tão querido lá que, quando chegava a qualquer lugar, teatro, cinema, café, todas as pessoas se lembravam em sinal de respeito e amizade.
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JÚLIO VERNE - SONHO E REALIDADE
WANDERLINO ARRUDA
Os sonhos de Júlio Verne, tão lindamente vividos no fim do século passado, transformaram-se tão grandemente em realidade, em nossos dias, que hoje, o escritor francês quase não é lido nem por jovem nem por adultos. Realizada uma idéia, atendida a capacidade criativa, satisfeita a curiosidade, parte do indivíduo pra novo sonho, nova tentativa de ilusão ou de atendimento do seu querer. A inteligência e a arte são sempre muito exigentes, dinâmicas por excelência, nunca se estacionam, e é disso que é feito o progresso humano, não pode parar, pois tudo viraria rotina insuportável, inconcebível para a nossa tendência evolutiva sempre para cima e para o melhor. Viver é sonhar e realizar os sonhos!
Júlio Verne foi o grande idealizador das coisas do futuro, criador do preceito de que ¿tudo que um homem pode sonhar outro pode realizar¿. Concebeu a televisão antes de ser inventado o rádio, chamando-o de ¿fonotelefoto¿, isto é, um aparelho que pudesse falar e mostrar imagens à distância. Imaginou o helicóptero meio século antes de o homem aprender a voar. Apresentou planos para a construção de submarinos, aeroplanos, luzes de gás néon, calçadas rolantes, ar condicionado, arranha-céus, mísseis dirigíveis, tanques de guerra, alimentação comprimida, produção de oxigênio, deslocamento de corpos no vácuo, um verdadeiro mundo de invenções. Sem dúvida alguma, o pai da ficção científica, um antecipador de realidades, um vidente, um intuitivo.
Tive um dia a sensação de estar vivendo ao lado de Júlio Verne, de beber na fonte mais pura da água de sua vida sensibilidade científica e literária. Foi uma dessas interpretações confusas que todo mortal costuma fazer, principalmente os distraídos e viajantes do mundo da lua, uma espécie assim de ¿insight¿ desfocado nos segundos de oportunismo curioso. Vagando nas proximidades do Louvre, em Paris, li uma faixa de propaganda ¿Júlio Verne ¿ hoje e amanhã¿, e entendi que se eu não aproveitasse logo a oportunidade, perderia de ver uma exposição que já estaria prestes a terminar, isto é, no dia seguinte. Não pensei duas vezes. Entrei. Era uma exposição feita pela Fiat italiana, de uma forma extraordinária, com projetos, desenhos, aparelhos, máquinas de calcular, toda a parafernália de suporte que o escritor francês usou para inventar uma realidade ideal. Nada havia, porém, de marca de final de evento. Tudo estava fresquinho, com abertura ao público naquele mesmo dia. O Hoje e Amanhã era com relação ao presente e ao futuro de Júlio Verne, o seu melhor modo de sonhar...
Poucas vezes na vida tive tão grande sensação de enormidade da inteligência de um inventor, de um cérebro criativo capaz de vencer todas as barreiras da imaginação. Poucas vezes, antes e depois, pude formular intimamente uma admiração sem limites ao otimismo, à confiança no destino lógico, à crença de um mundo melhor digno do esforço da ciência e da poesia. Para mim, Júlio Verne, naquele momento, era a síntese da fé que Deus sempre depositou no homem, no seu futuro, na sua trajetória evolutiva de criatura da inteligência divina. Júlio Verne estava ali, através de toda uma ação vivencial, de todos um universo de pesquisas, simplesmente sonhando o possível, o provável, a destinação histórica da inventiva humana. Momento inconfundível de respeito ao raciocínio livres, da valorização ao direito de penar e de sentir.
Não seria bom que voltássemos de novo, à leitura de todos os escritores de ficção, à busca de compreensão de todos os inventores do futuro? Só a realidade presente não satisfaz!
Quanto ao casamento: ¿em Moscou os jovens esposos vão depositar flores no túmulo do soldado desconhecido, diante do qual arde o fogo eterno. São levados ao muro do Kremlin (onde se perpetua o memorial dos mortos de guerra), em veículos portadores de 2 grandes anéis-de-ouro entrelaçados¿. ¿ Quanto às exéquias: O rito consta de 2 partes ¿ a dos discursos patrióticos em homenagem ao defunto e a outra do cortejo para a sepultura, ao som apenas de música (sem preces e até não sei se lá, por lei esteja proibido chorar).
Evidentemente (sem poder manifestar-se) bem outra é a mesma psicologia de qualquer ponto da cidade dos homens: Vive e Palpita, em sua esperançosa transcendência a alma imortal do povo russo e de seus países escravizados. Mesmo se ainda não saboreiem as maravilhas do Evangelho de Jesus Cristo. Pois é este a Constituição divida da fraternidade, da liberdade e da igualdade ou a Carta Magna dos povos realmente livres e virilizados.
Mas, culto e autônomo, o mundo não se deixará enganar! Muitos agora não escapam do referido materialismo, ou porque não têm asas ou liberdade ao seu êxodo, ou porque não têm coração para abandonar o pessoal de sua casa. Esta, coitada, foi invadida pelos fortíssimos e violentos contingentes da foice e do martelo. São duas armas que não se obrigam a revelar a ¿sinceridade¿ de suas ¿conquistas democráticas¿. A foice não vai contar as vidas que ceifou, nem o martelo fotografará as liberdades que massacrou. Que no-lo diga, por simples amostra o sindicato ¿Solidariedade¿, lá na Polônia!
Como apêndice: O materialismo ¿antigo¿ de Tales de Mileto, de Heráclito de Efeso, de Anaxágoras, de Epicuro e o materialismo ¿inglês¿ de Francis Bacon ficaram aqui sem espaço, porque não oferecem mais conteúdo senão história ao que escrevo, de maneira singela e popular, longe dos lances polêmicos da outra filosofia. E se ¿douta¿ mesmo, ela não pode aceitar a Matéria, como soberana rainha da história da humanidade.
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A FOME DO LEÃO DE ADAUTO
WANDERLINO ARRUDA
Quem tem inventado o maior número de lances da estória do circo pobrezinho é o Adauto Freire. De minha parte, tenho dado a maior contribuição de que sou capaz, mas, nunca consigo ter tanta imaginação como ele, a cada minuto com um novo colorido, um de¬talhe, uma figuração mais humana para dar mais crédito à criativi¬dade. A estória já tem uns quinze dias e, contada e recontada, principalmente para a Consuelo e para a Mariazinha, dá sempre um sabor novo e um halo de simpatia. A Raquel tem-se deliciado com os eventos, no trabalho e em casa, pois o Rafael e o Rodrigo já se especializaram em armar circos de brinquedo só para fazer o leão urrar com depressão e tristeza. Paulinha, Paulo Sidônio, Maninho, Elizena, mais sérios, perguntam ate onde pode uma coisa dessas acontecer.
Realmente, era um circo bem pobrezinho, muito embora dotado de bom palhaço, de artista comedor de fogo, de trapezista loura, baleiro, tratador do leão. A trapezista era a vendedora dos ingres¬sos quando achava alguém com coragem de comprá-los. O tratador do leão era o mesmo encarregado da pirofagia, isto é, o lambedor das labaredas, e o vendedor de caramelos e de goma de mascar, mais conhecida pelo nome de chicletes. O palhaço acumulava também a função de dono e gerente da companhia. Como vemos, pouca gente, que em condições normais seria fácil de se manter. A verdade, porém, era uma lástima, um
miserê dos capetas, como di¬ria Tadeu Leite nos tempos em que era ainda
radialista com boca no trombone. Com o correr do tempo, passada a primeira semana com assistência normal, o circo virou uma verdadeira escola de sacrifícios, a fome chegou solta e para valer, privação total, salva apenas por dois pés de manga rosa bem em frente à bilheteria.
O palhaço de tão pálido de desnutrição já nem precisava usar tinta amarela nem branca, no que ele aproveitava para fazer eco¬nomia na pintura do rosto, bastando o vermelho, o preto e azul. Durante o dia, empregou-se como vaqueiro num sítio próximo e, nas horas vagas, trabalhava como embrulhador num supermer¬cado. A trapezista foi ser
empregada para almoço e jantar na casa do médico, fazendo ainda uma fezinha como lavadeira no tempo de descanso. O tratador do leão foi ser raizeiro no mercado, princi¬palmente no horário de dar comida, pois, já não agüentava mais os lamentos do bicho, que a todo momento urrava - "e lugarrr". Difícil mesmo era a situação dos meninos, filhos da necessidade com ca¬ra de herege deitadinhos, coitados, de barriga para cima, perto das mangueiras, quando viam uma manga já com um pouco de brilho, subiam correndo tronco acima, e as virava para tomar sol do outro lado e amadurecer mais depressa, enquanto a fome não fos¬se de morte.
Quando a situação ficou mesmo com o absoluto de pobreza, a metade da
cobertura foi vendida para lona de caminhão carvoeiro e as tábuas das
arquibancadas foram cedidas a preço de custo para tapume na construção de um grupo escolar da Prefeitura. O mais engraçado, na falência da empresa, foi feito com o leão, e isso o Adauto afirma ser testemunha ocular: passaram sabão de coco com água no corpo da fera, fizeram a barba de alto a baixo e o venderam como cachorro para um cavador de Montes Claros, cida¬de-sede da região...
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A DIFÍCIL ARTE DE SER SIMPLES
WANDERLINO ARRUDA
Há pouco tempo, como diria o radialista Luiz Tadeu Leite em sua linguagem típica, fiquei "na mão de calango", com um artigo sobre o "Domínio da Cultura", publicado aqui neste JORNAL DE DOMINGO. Feito, no meu ponto de vista, para um relativo proveito didático, mesmo antes de publicá-lo eu já estava meio desconfiado da imperfeição comunicativa que iria encontrar. Foi as¬sim que pedi ao Waldyr Senna Batista e ao Márcio Antunes para lê-lo e me dar uma opinião a respeito, pois, se positivo, eu continuaria na mesma linha, formando com uma série de igual nível, um volume de Semiologia e Lingüística, para posterior publicação em livro. Nem de Waldyr nem de Márcio recebi qualquer observação. Um grande silêncio foi o resultado.
Publicado, no domingo cedo, mostrei-o diretamente ao pessoal de casa, mulher e filhos, pedi opinião. Todos tentaram ler, começaram interessados, mas, no primeiro imprevisto, deixaram o jornal de lado, sem qualquer comentário, fazendo-se de esquecidos. Mais tarde, em visita ao meu irmão Jurandi, fiz outra experiência com a minha cunhada Raquel Santos Arruda, ex-aluna de quatro anos do curso de Letras, na Faculdade de Filosofia: dei-lhe o artigo sem nada dizer, para não forçar sua opinião, pois seria interessante saber o que uma bacharel em língua e literatura, portadora de conhecimentos de lingüística poderia achar. Negativo e bem negativo: na primeira interrupção dos meninos, Raquel deixou tudo de lado; sem nada comentar. Foi um desastre. Só terminou de lê-lo a meu pedido. Desculpando-se de ter estudado o assunto
há muito tempo, não estava entendendo quase nada. . .
Numa das reuniões do Rotary Clube Montes Claros- Norte, já ressabiado,
perguntei de queima-roupa ao Waldyr o resultado da sua leitura. Da sua ou da do Márcio, a quem entreguei o original, pessoalmente, na oficina. Nenhum dos dois havia lido, assegurou¬me. Quem fez a leitura de revisão foi o diretor Oswaldo Antunes, que informou não ter gostado, achando tudo muito confuso, complexo, por demais erudito. Aliás, erudito foi a palavra de "chamada" na capa do Caderno quando da alusão aos diversos escritos daquele número. Teria sido um desastre o meu artigo? Tão confuso ao ponto de não agradar a ninguém? Teria eu tido pelo menos um leitor?
Em outra reunião do Rotary, encontrei o Oswaldo e dizendo saber que a
revisão tinha sido sua, gostaria de ter um comentário, mesmo sabendo pelo Waldyr que não era favorável. Afinal, um diretor tem de estar preparado para as coisas de alta, média e baixa erudição. . . Oswaldo riu, ficou sério, e disse-me que o artigo tinha sido um desastre também para ele: não tinha entendido nada, coisa nenhuma. Era a segunda vez que não compreendia um texto na sua vida. Houve, há algum tempo, um livro que não conseguiu assimilar de tão confuso que era. Agora, o meu artigo tinha posto no seu caminho um novo desafio de incomunicabilidade. Que coisa terrível era aquilo? Melhor eu escrever de novo explicando tudo, artigo explicando artigo, em linguagem de gente . . .
Mas nem tudo está perdido! Homem nenhum é uma ilha! Encontrei alguém que gostou de meu "escrito". Gostou e elogiou. Elogiou e aprovou. Saindo para o almoço, depois de um período de trabalho no Banco do Brasil, encontrei-me no saguão com o meu amigo e companheiro José de Freitas Soares, o famoso Zezinho Padeiro, sempre interessado, curioso e amante de muitas lei¬turas, que, alegre como sempre, deu-me um abraço e me confidenciou sinceramente que
havia apreciado muitíssimo "aquele meu artigo sobre cultura", "uma
maravilha", tão bom que eu deveria con¬tinuar publicando outros no mesmo assunto.
Foi um alívio . . . um grande peso saiu de minha consciência lingüistica e semiológica, Zezinho, meu amigo Zezinho, salvou-me do fracasso, e eu muito lhe agradeço. Obrigado, Zezinho! Prometo tentar assuntos mais simples e mais pedagógicos. . .
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O INCONFIDENTE ALEIJADINHO
WANDERLINO ARRUDA
Não me lembro quando estive pela primeira vez em Congonhas do Campo, mas me recordo muito bem com que objetivo e com quem percorri velhas ruas e ladeiras povoadas dos indeléveis tra¬ços de arte do Aleijadinho. Sei que estavam como cicerones Manoel e Nair, e como companheiros de viagem, a Olímpia, o João Wlader e, parece-me, também, o Danilo e o Denilson. Não era uma caravana muito grande, mas, misturadas a outros turistas, dava boa movimentação e grande alegria. Visitamos Congonhas depois de passarmos por Ouro Preto e Mariana, a essa altura gastos já uns dois filmes com fotografias de casas e igrejas velhas e meninos muito jovens.
Foi em Congonhas, ao passar e repassar uma por uma das ca¬pelas, ao
percorrer o adro cheio de sol da igreja de Bom Jesus de Matozinhos, ao ver de longe e de perto cada escultura feita com as mão aleijadas do maior dos gênios da nossa arte barroca, é que realmente pude sentir a grandiosidade do talento de Antônio Fran¬cisco Lisboa. Não se pode descrever a sensação de êxtase diante da obra nunca antes talhada ou depois repetida com tanto senti¬mento e determinação! Quão maravilhosa foi aquela inteligência inventiva, quão realmente forte foi aquela vontade de esculpir um momento de fé e de desejos de liberdade! Como é sábia a roda do destino em colocar no lugar e na hora certos o cinzelador dos mais nobres ideais!
Aleijadinho, Aleijadinho, como pôde um homem só, isolada¬mente só, sem dedos, sem mãos, cortar a pedra com tanta sabedo¬ria e beleza espiritual? Como pôde um homem tão cheio de defi¬ciências valer por uma multidão incansável e destemida? Que gê¬nios movimentaram seus cotos de braços, Aleijadinho? Teriam sido as presenças de Gonzaga, de Marília, de Cláudio Manoel, da He¬liodora e do Alvarenga, ou mesmo da sua nora Joana um incentivo ao seu poder de criação? Teria sido amor ou ódio o que mais pro¬fundamente marcara sua obra? Parece, Aleijadinho, que você retra¬ta até hoje, na face e nos gestos de cada algoz, o que há de mais pavoroso na personalidade humana. Diante, do Cristo sereno e confiante a dureza dos verdugos, símbolos dos inimigos da liberda¬de de todas as épocas. Barrocos os contrastes, barrocos os abis¬mos entre o bem e o mal!
Hoje, a pesquisa já explica convincentemente que você, Aleija¬dinho, quis
apenas perenizar a perplexidade do momento da Incon¬fidência, já que você também era um dos que sonhavam com a li¬berdade do Brasil. Assim, tão lógico parece agora, que Oséas seja Alvarenga, Daniel seja Gonzaga, Jonas, o Tiradente, Jeremias com botas e rabo-de-cavalo, o oficial Francisco de Paulo Freire Andra¬de! Como está claro, Aleijadinho, que Amós, exibindo traços ne¬gróides e um barrete frígio, seja o povo brasileiro e você também, Antônio Francisco Lisboa!
Bem disse Gilberto Freire, há pouco tempo numa entrevista pa¬ra a televisão: até hoje o Brasil só teve dois gênios verdadeiros ¬um em Minas, o Aleijadinho, e outro, no Nordeste, ele próprio...
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LEONARDO DA VINCI
WANDERLINO ARRUDA
Uma das mais notáveis inteligências que a humanidade já teve em toda sua história. Uma habilidade intelectual e manual que - juntas - nem antes nem depois, jamais foi superada. Leonardo, o mestre Da Vinci, foi realmente um artista de talento. Em todos os sentidos, tanto na qualidade como na quantidade de criações. No espaço e no tempo, de tal modo que se coloca magistralmente até em nosso século, com invenções até hoje sendo incorporadas ao nosso acervo de cultura e de utilidades. Há pouco tempo, um caderno de rascunho de sua lavra foi vendido por milhões de dólares num leilão de raridades. Desenhos, projetos, receitas de inventos, tiradas filosóficas, conselho sobre artes e saber da vida, tudo com valor de hoje.
Não houve campo de especulação humana por onde não passasse o seu gênio. Assim, passou pela botânica, pela hidráulica, pela arquitetura, pela estratégia militar, fez mergulhos pelo mundo submarino e revoadas pelos ares. De sua prancha saíram desenhos de helicópteros, armas de guerra, hélices de navios, coletes salva-vidas. De seus lápis e pincéis apareceram belezas de formas e de cores de nenhum modo ultrapassadas, nem antes nem depois, talvez em tempo algum. Na escrita, o livro "Breviários", repositórios de notas dos cadernos, oferece-nos trechos que podem ser aplicados tanto na escola como na vida. São observações de eterno interesse.
Em qualquer avião moderno de passageiros, os coletes salva-vidas são de sua receita: "Para salvar-se de naufrágio, precisa-se duma roupa de couro que tenha as paredes do peito em dobro com a espessura de um dedo e que seja igualmente duplicada da cintura aos joelhos. Ao caíres no mar, sopra para dentro e deixa-te ao sabor das ondas. Na boca deverás ter um canudo que ligue com a roupa, por onde deverás receber ar, quando a espuma te impedir de respirar". Sobre pintores que se queixam da vida: "Há uma classe de pintores preguiçosos que querem viver só sob o ouro e o azul; alegam ingenuamente que não trabalham bem porque são mal pagos. Gente reles! Não sabem fazer nada que preste, mas dizem: esta está bem paga, mas esta outra é medíocre e aquela é devido à casualidade; mostram assim que têm obras para todos os preços. Assim, pois, pintor, tem cuidado que o afã do lucro não prevaleça sobre a honra da arte: a conservação desta honra é mais importante que o prestígio das riquezas".
A respeito das cores na pintura: "As cores, de longe, são ignoradas e imperceptíveis. Para desenhar o realce é mister que o olho do modelo esteja na mesma altura do olho do artista. Isso fará com que a cabeça fique natural, pois os transeuntes com quem cruzas na rua, todos têm os olhos à altura dos teus e se os fizesses mais altos ou mais baixos, teu retrato não seria nada parecido. As roupas devem desenhar-se do natural. Os velhos devem parecer preguiçosos e de lentos movimentos, as pernas vergadas nos joelhos e os pés aleijados, a espinha curvada, a cabeça para a frente e os braços pouco estendidos. as mulheres em atitudes modestas, as pernas fechadas, os braços juntos, a cabeça baixa e inclinada. As velha devem ser representadas atrevidas, com movimentos vivos e raivosos, com fúrias infernais: os movimentos dos braços mais vivos do que os das pernas".
Uma definição de paz: "Dizem que o castor, quando perseguido, por saber que seus testículos possuem virtudes médicas, não podendo mais fugir, pára, depois de fazer as pazes com os caçadores, corta os testículos com seus dentes agudos e os deixa com seus inimigos". Uma definição de avareza: "Avareza é a do sapo que come terra, mas nunca tanto quanto deseja, com medo que acabe". E sobre a arte, centro de sua vida: "A pintura sobrepuja todas as obras humanas pela sutil especulação que lhe pertence. Se vós, historiadores, poetas, observadores, não tivésseis visto com os olhos, nada poderieis referir em vossos escritos, que são nascidos da pintura".
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FERNÃO CAPELO GAIVOTA
WANDERLINO ARRUDA a
Na superfície do azul brilhante do céu, tentando a custo manter as asas numa dolorosa curva, Fernão Capelo Gaivota levanta o bico a trinta metros de altura. E voa. Voar é muito importante, tão ou mais importante que viver, que comer, pelo menos para Fernão, uma gaivota que pensa e sente o sabor do infinito. E verdade, que é caro pensar diferentemente do resto do bando, passar dias inteiros só voando, só aprendendo a voar, longe do comum dos mortais, estes que se contentam com o que são, na pobreza das limitações. Para Fernão é diferente, evoluir é necessário, a vida é o desconhecido e o desconhecível. Afinal uma gaivota que se preza tem de viver o brilho das
estrelas, analisar de perto o paraíso, respirar ares mais leves e mais
afáveis. Viver é conquistar, não limitar o ilimitável. Sempre haverá o que
aprender. Sempre.
Olhar de frente, alcançar a perfeição, gostar muito, muitíssimo, do que se faz, eis o segredo de Fernão Capelo Gaivota. Só porque existem gaivotas que não pensam com os mesmos pensamentos, que não raciocinam com o mesmo raciocínio, não é problema para Fernão. Mesmo sendo apenas um entre um milhão, mesmo tendo de percorrer um caminho quase infinito, Fernão sabe, é intuito, de que na vida há algo mais do que comer, ter posição importante, ser amado ou criticado: viver é lutar. Uma, cem, mil vidas, dez mil! Até chegar à perfeição, à vitória da eterna aprendizagem, porque nenhum número é limite. A ninguém é permitido deixar de aprender, e para nada além de "vontade" e de "amor" haverá significação sincera.
Passa o tempo, passam os lugares, passam ou não passam os semelhantes, Fernão Capelo vai em frente, voa, aprende, treina, paira sobre o comum do comum viver. O destino é o infinito, o caminho é nas alturas! Tudo espontâneo, natural, pois quem se ilumina cumpre a missão da luz, que vale para si e para todas as criaturas. A grande maravilha do amor é o seu profundo contágio. O que vale para Fernão valerá para todas as gaivotas.O sentimento é o santuário, e a sua paz reflete e flui incessante. A fé testemunhada no esforço evolutivo é a bênção de dádivas de amor. Ela aclara e edifica e melhorando-se, melhora os que lhe percebem a trajetória.
Interessante, mesmo para uma gaivota voadora! Quanto mais Fernão treinava os seus exercícios de bondade, quanto mais trabalhava para compreender a natureza do amor, mais desejava regressar à terra, estar entre os seus, ser rodeado pelos do seu bando, por aqueles que não vêem nem a ponta das próprias asas! O que vale b mostrar-lhes o paraíso! Um depois do outro, muitos, todos, um dia chegarão a voar. Todos voarão porque voar é muito bom. Francisco Coutinho Gaivota, Martinho Gaivota, velhos hoje, novos amanhã, não importa, o que vale é caminhar para o infinito, iluminar-se com a luz que ilumina a própria luz!
Excelente experiência a leitura do livro "FERNÃO CAPELO GAIVOTA", leitura de letras e leitura de imagens, pois volume mais ilustrado não há. Enquanto eu lia e voava com Fernão, enquanto eu sentia o friozinho das alturas e a transparência de infinitude dos espaços, lembro-me porque os chineses colocam os homens tão pequenos em suas pinturas, principalmente nos panoramas. s que é preciso limitar o seu valor diante da natureza, fazê-lo ver a sua pequenez no pano de fundo da vida. Subir uma montanha, ou voar, limpa o humano peito de uma multidão de ambições tolas e desnecessárias. Sentindo-se pequeno, tornar-se-á grande, na grandeza da humildade. . .
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DE MANHÃ, NA JANELA
WANDERLINO ARRUDA
Não concordo com os que vivem para a noite, os noctívagos ou seja lá como se denominam os que varam as madrugadas, ou como dizia o meu amigo Claudionor Lima, que "matam o sol no peito". Sou muito mais de levantar cedo, pouco antes ou pouco depois das seis, quando o dia já está claro, sem exagero de luz. Naquela horinha de ver senhoras idosas indo para a missa, pedreiros e serventes pedalando de bicicleta para as construções, empregada doméstica dirigindo-se às padarias e botecos para comprar pão e café-em-pó. É claro que para a gente ver tudo isso é preciso ficar na porta da rua ou na janela, com aquele ar de quem se interessa em participar da vida. Não concordo com os que se levantam tarde, depois das oito, depois das nove. Os que se levantam depois das dez, eu os condeno puro e simples- mente, porque estes não conhecem a melhor parte do dia, não vivem a hora de plenitude e beleza. Pela manhã, tudo é melhor e mais saudável e não há dúvida de que outra é a nossa disposição para o trabalho, para o estudo da vida, para observação da natureza, para a própria necessidade de meditação, parte integrante do nosso viver. Para se levantar um pouquinho mais tarde, tem os domingos e feriados tem o período de férias. Aí está certo, porque
também ninguém é de ferro.
Gosto de gente que participa da vida, que gosta de gente, que se interessa pela alegria dos outros, que se sente feliz com a felicidade alheia ou que respeita a tristeza dos que não podem ser alegres. Acho que é por isso que gosto de pessoas que olham pela janela, diletantes observadores do dia-a-dia seguidores da eterna Glorinha, de Jorge Amado, por sinal ainda viva e muita viva na praça principal de Olivença, na Bahia. Não se deve viver no isolamento, pois a gente nasce é para viver em comunidade, no meio da luz, nunca na escuridão, na claustromania.E por falar em gente, lembro-me da satisfação do sempre bem disposto baiano-mineiro Ernesto Rodrigues Neves, sincero amante de Montes Claros, que ia duas vezes por dia à estação da Central, nos horários de chegada dos trens de Belo Horizonte e de Monte Azul, jamais faltando a esse compromisso, chovesse ou fizesse sol. Era caso pessoal e intransferível. E o que ia "seu" Ernesto fazer na estação da Central, na chegada do trem? Ver gente, uai ! Simplesmente ver gente que chegava e gente que saía, gente que ia lá receber ou despedir-se de parentes e amigos. Dizia ele que não havia nada melhor no mundo do que ver aquelas fisionomias sincera- mente felizes ou saudosas, num real acontecimento de participação humana, um espetáculo de grandeza e de sensibilidade. E existe realmente alguma coisa melhor do que ser feliz? Pois "seu" Ernesto era, sempre foi, porque gostava de gente.
E viver por viver deve ser ao lado da felicidade...
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AVENTURA ANTES DO NATAL
WANDERLINO ARRUDA
Eu havia chegado de uma viagem de férias, começada em meados de dezembro, quando me entregaram aviso e um convite para receber um prêmio em Goiânia. A Segunda Semana de Artes de Goiás tinha escolhido um quadro meu - "Estrada em Movimento" - com premiação em dinheiro e diploma, e queria a comissão que eu fosse pessoalmente participar da festa. Como não estava em período de serviço ainda, nem pensei duas vezes e tomei o primeiro ônibus para Brasília, aonde cheguei numa manhã linda, com um sol de rara beleza nascendo multicolorido no meio dos dois blocos do Congresso Nacional, coisa de muito agradar a quem pinte ou escreva qualquer pedacinho de vida ou de natureza. E foi aí em Brasília que descobri o aperto em que me metera, um sério envolvimento de dificuldades em véspera de Natal. Não havia passagem para voltar a Montes Claros, a tempo de participar das festas da família. Tudo, além de difícil, impossível. Quando as coisas não ficam fáceis, o pior que pode acontecer é esquentarmos o juízo, mas um pouco de calma será sempre o melhor caminho, já que cautela não faz mal a ninguém. Não ir para Goiânia, naquela hora, seria colocar a alegria e o sacrifício em total prejuízo. Ficar na capital não era bem o meu destino. Ir para outra cidade também não tinha graça. E o que fazer? Examinar todas as possibilidades, uai! E foi aí que achei a solução melhor. Rapidamente, vi que um velho sonho poderia ser concretizado, já que conhecer
o grande sertão era meu mais velho desejo, principalmente se pudesse passar pela Serra das Araras e ver todas as matarias descritas por Guimarães Rosa nos seus livros. Comprei a última passagem, do dia 23, para São Francisco, previsão de saída às sete e chegada às cinco da tarde, e nem mais pensei em prêmio de pintura, muitíssimo mais interessado em torno da nova aventura.De volta de Goiânia, pouco antes das sete, em Brasília, uma multidão diante da tabuleta de nosso ônibus, gente que dava para quase três viagens. Faltando cinco minutos, o motorista avisou ao pessoal sem passagens que todos deveriam ir, a pé, até a W-3, aguardando lá por um tempinho, pois, só poderia sair da
Rodoviária com viajantes sentados. Ficou na fila pouco mais de um terço, e uns sessenta saíram para obedecer à ordem.O que vimos, em seguida, debaixo do primeiro viaduto, era para qualquer pessoa normal duvidar, pois não seria possível aquele carro suportar nem peso nem o volume de tão numerosa clientela. Foram seis longos minutos de acomodação, ajeito aqui, ajeito ali, gente mais nova sentada no colo de gente mais velha, namorados e recém-casados bem juntinhos, os mais afoitos
sentados no encosto dos braços, uma verdadeira lata de sardinha humana. Antes de Unaí, umas duas paradas para mais passageiros. Não adianta dizer que não dava, não podia, porque sempre era encontrado um recurso, um aperto mais e tudo bem! No ponto de café onde o motorista disse que era apenas um minutinho, só para sair gastamos um quarto de hora. Para entrar todo mundo de novo, aí já com mais seis passageiros, pelo relógio não foi menos de quarenta minutos. Houve horário de almoço, mais três companheiros de aventura e mais demora de entrar e sair, porque estômago cheio dá sempre preguiça. Quando paramos à tarde para o café, não precisou ninguém descer, porque as laranjas, bananas, melancias, pastéis e brevidades, assim como
rodelas de cana tudo foi comprado pelas janelas. Uma grande novidade e um milagre de salvação foi o aparecimento de água mineral, creio nada mais importante num dia de tanto calor. Na Serra das Araras, um lugarzinho bem bonito, arborizado, com praça toda verdinha de grama, apareceu uma senhora para viajar, com três meninos lourinhos e um engradado com dois perus fazendo glu-glu-glu. De início, o motorista não concordou, dizendo ser impossível, pois, se houvesse lugar
para ela e para os garotos, onde é que iria colocar os perus? Foi uma
curiosidade geral, gente e mais gente botando a cabeça para fora da janela, querendo dar palpites e ajudar na situação. Realmente, onde colocar os perus? Problema para nós e para o condutor, porque, para ela, tudo normal. A dona chamou o trocador, mandou-o tirar três ou quatro malas e alguns sacos e embrulhos, olhou e re-olhou o bagageiro e, como velha viajante, enfiou seu caixote no meio dos tarecos do povo. Foi um alívio geral. De cabeça erguida, importante, ela pegou os meninos, sorriu, limpou o suor da testa, e com eles ocupou o primeiro degrau depois da entrada. Quando chegamos a São Francisco, não às 5 da tarde, mas às 8 da noite, o ambiente interno estava tão carregado e tão cheio que a porta só podia ser fechada ou aberta por alguém do lado de fora. Ninguém precisava ter medo de cair ou escorregar, porque para isso não havia nenhum espaço vago. Embora não fosse minha obrigação, julguei importante fazer estatística para o DER ou para quem interessar possa. Com motorista, ajudante e todos nós, cento e vinte e três passageiros desceram: 121 humanos e 2 perus. Só nós sobrevivemos até o Natal. Os perus devem ter sido argumento de bom apetite durante as festas. OU antes, porque sabemos que peru morre na véspera...
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A FEIRA DE CARUARU
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Se é maior do que a de Marrocos, eu não seis. Se é semelhante a um mercado persa, não posso saber, pois não conheço nem uma nem outra dessas feiras. Mas de uma coisa eu sei: a feira de Caruaru é ou deve ser a maior do mundo, maior mesmo do que a Feira de Santana, na Bahia, um respeitável conjunto de gentes e de coisas espalhadas por uma enorme praça e um emaranhado de construções, envoltas e rodeadas por um notável barulho de sons semelhantes ao burburinho e à algaravia. Diante de todas as outras, mesmo da de Teresina, a feira de Caruaru merece enorme respeito. A feira de Caruaru parece aquelas serpentes chinesas, de papel ou não sei de quê, grandalhonas, intermináveis, sinuosas e tremelicantes, que nunca acabam, sem começo e sem fim. Isso mesmo, uma serpente ou um dragão chineses, bem colorido, brilhantes, de mil facetas e formas, com riqueza de pororoca misturada com geometria de Serra Pelada, multidão fervilhante entrando e saindo naquele afã de vender e comprar, um tupiniquim consumismo independente de qualquer plano cruzado. A feira de Caruaru é, antes de tudo,
viva, vivaz, estuante de vida e entusiasmo. Quanta coisa se faz na feira de Caruaru! Lá pode-se comprar jerimum, umbu, macaco, frango, carne seca, farinha de mandioca e de coco, cestos, panelas, coités, tapioca, chaves de bronze, litografias, cerâmicas, tapetes, tudo! Quer consertar um relógio? Quer cortar o cabelo, depilar, experimentar um batom? Deseja fazer uma costura, ajeitar um bordado, esquentar um pedaço de
carne, comprar uma pena amarela para fantasia de carnaval? Até se você
quiser uma miniatura de uma das naves Apolo ou de um esputinique, não tenha dúvida, vá correndo à feira de Caruaru, porque lá existe de tudo! Roupas de cama e de mesa, enxovais para batizado e casamento, jibão de vaqueiro, fio dental, porta-seios, sungas, anáguas, fitas para penteados, cintos, meias de homem e de mulher, meias de meninos e bebês, tudo exposto à venda!Na feira de Caruaru pode-se beber e comer, pode-se dormir e sonhar, pode-se andar e correr, pode-se até ficar parado. É um espaço enorme, prá ver e sentir, fazer, escutar ou ler poesias de cordel, ter um encontro com os próprios poetas. Devoto do padim padre Ciço? Milhares e milhares! É o que mais tem! Nesta época do ano, a feira de Caruaru tem até chuva, água vinda do céu, milagre, um grande milagre, para contrastar com o sol do ano inteiro, ou do século! Como é linda e gostosa a feira de Caruaru!
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UM PRESENTE PARA O CORAÇÃO
WANDERLINO ARRUDA
Foi num mês de fevereiro, trinta e dois anos depois, que voltei a rever a minha terra, São João do Paraíso. Foi bem naquele fevereiro brabo de tantas enchentes, estradas intransitáveis, com um mundão de dificuldades para chegar lá, partindo de Taiobeiras. Foi depois de longa viagem por Valença e Nazaré, por Itaparica e Salvador, andanças de muito laudar pelo céu e pelo mar. Em São João, entramos num dia de intensa luz, depois das chuvas. E comigo estavam Olímpia, Rízzia e Gracielle, ao mesmo tempo que bons amigos como Joaquim da Caixa Econômica, Mário Português e meus cunhados, Anderson e Nelmy, todos para dar maior prestígio ao filho que voltava à casa. Nas ruas, o Lauro, colega de curso primário, fazia a surpresa com muitas faixas de saudação, tudo muito grato, bom demais para os olhos e para a alma.
Visitas, encontros, apresentações, um rememorar de saudades, o reviver de velhas e bem guardadas lembranças, uma alegria aqui, uma decepção ali, porque nem tudo que o coração registra fica imune à ação do tempo. Jovens transformados em velhos, velhos já não em vida. A paisagem já não a mesma e, ainda que melhorada pelo progresso, diferente. Não mais a ponte dos banhos de meninos pelados e jovens lavadeiras; não mais o canavial sem fim; não mais a serra verde escura ligada às nuvens; não mais a igrejinha do alto do morro, nova em folha; a grama da praça, substituída por pavimentação e postos de gasolina; o matagal do cemitério já bairro novo. Tudo mudado. Os olhos procuram, o coração deplora toda a ausência de eternidade nas coisas e nas pessoas! Quanta falta!
A noite, o lançamento do meu livro, na Matriz, o louvor dos discursos, as explicações, os abraços, o rolar de tranqüilas lágrimas de gratidão ao passado, a riqueza das lembranças boas que só a infância pôde dar, o olhar reverente de jovens professoras ao câmara da mais velho, amadurecido pelas dores da vida. Olímpia me pergunta baixinho o que me passa pela cabeça, enquanto olho a velha igreja, ouço o antigo sino, sinto a paisagem pisada por pés descalços em tempo distante. O que responder? As coisas que passam pelo sentimento não podem
ser analisadas, não são lógicas. As imagens são superpostas, principalmente as do meu pai, ainda novo, do meu avô Vicente, de longas barbas brancas, e da tia Raquel e de D. Adelina, gorda e clara.
Vem o segundo dia e, enquanto dia, uma viagem pelo Mato Cipó para visitar os tios Júlio e Diolina, a passagem pela Lagoa da Viada, pelo rio, pelos mangueiros, a procura de velhas estradas por onde costumava passar, indo para a casa de Maria de Silvina, o caminho da fazenda do doutor Osório. A cada lembrança, uma fotografia, a promessa intima de pintar um quadro. Na volta, à noite, depois do jantar, a palestra na Escola, uma espécie de acerto de contas, um desfiar de vivos sonhos, um voto de confiança e um incentivo às novas gerações. Mais tarde, o passeio pelas ruas, o mingau de milho na sala de jantar de D. Benzinha, o café com biscoitos a convite do padre João, madeirense culto, amigo solícito.
Foi durante o café, sentados em duros bancos, braços sobre uma mesa comprida sem toalha, daquelas feitas com madeira fornida, que resolvi fazer um comentário sobre meu primeiro professor, o velho Joaquim Rolla, mestre de régua e palmatória, de lousa e tabuada, de norma e abecê. Falei da escola, falei dos alunos, descrevi os objetos. Quando ia mostrar que me lembrava também dos móveis, Cristovina, a anfitriã, sorriu maliciosa, e com brilho no olhar me fez arrancar de dentro a mais querida das lembranças, pois aquela mesa, aqueles bancos, todo aquele ambiente era a minha primeira sala de aula. Havia eu, por acaso, me esquecido de que ela era a filha do professor?
Estava ali o maior presente ao meu coração. . .
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JOÃO MORAIS, MEU AVÔ
WANDERLINO ARRUDA
De todas as pessoas que tenho conhecido mais de perto, o velho João Morais, meu avô, parece ter sido o único homem a viver oitenta e muitos anos de alegria em tempo integral. Era assim como se tivesse carteira assinada numa firma de felicidade, com todos os direitos, menos o de ficar triste e de deixar de ser alegre. Era, não tenho dúvida, como um papai noel de ano inteiro, a distribuir presentes de fraternidade a todas as criaturas. Fazia ele da convivência de todos os dias um painel harmonioso e de rica sabedoria.
Conheci-o desde os meus primeiros anos, em sua fazenda perto de Salinas, numa casa-sede que ficava rodeada de pomar e jardim, entre o "Ribeirão", de águas cristalinas, e a estrada principal, onde ninguém tinha direito de passar sem uma visita ainda que ligeira. Ali, cada visitante era recebido prazerosamente e, depois dos cumprimentos de praxe, levado para lavar a poeira dos rosto, tomar café-com-leite e biscoitos de tapioca e participar de uma gostosa conversa. Sabendo dividir bem as horas de trabalho nas pastagens e na lavoura, vivia animadamente para o trato com as pessoas, contando estórias, relatando casos, recriando-os com enternecedora vontade transmitir felicidade.
Vovô foi, acima de tudo, um homem bom, o leme para muita gente neste mundo, que aprendeu com ele a andar no caminho certo, pois conselheiro melhor não havia naquele pequeno grande sertão entre Rio Pardo e Salinas. Era um velho forte e musculoso, vermelho como um europeu, e tinha os cabelos brancos e fartos, que lhe davam um ar de juventude bem conservada e um enorme halo de simpatia. Quando eu era pequeno, pensava que sua
cabeça havia embranquecido pelo rigor do sol dos canaviais, onde trabalhou até poucos dias antes de morrer. Eu achava que ele tinha vindo aprimorar o
mundo e as criaturas, num esforço de nunca parar, pois nem a doença que o acompanhou anos a fio o modificou em seus hábitos de homem feliz. Vi-o, muitas vezes, voltando à tardinha, enxada ao ombro, embornal pendurado no pescoço, sorriso de ponta a ponta, a cantarolar algumas de nossas modinhas prediletas.
Todas as noites, após o jantar com toda a família - ninguém podia faltar - deitava-se numa rede amarelecida de tanto uso, e o antigo violão passava a centralizar as atenções, numa suave evocação de lembranças e saudades, que só terminava bem tarde, quando o cansaço vencia e todos iam dormir. João Morais, meu avô, nasceu bem longe, na velha Bahia, pelas bandas de Caiteté, creio, num dia de festa até da natureza. Desde rapaz, tropeiro de profissão, viveu a vida dos campos e das estradas, dormindo ao relento, comendo feijoadas com rapadura e farinha de mandioca, e respirando o sereno de todas as madrugadas. Ele mesmo contava que foi naquele tempo que conheceu uma moça morena e bonita chamada Ritinha, neta de índios, de quem, seis meses depois do primeiro encontro, ficou noivo, e com quem, um ano mais tarde, se casou. E foi vendo a casa cada vez mais cheia de filhos e netos, fazendo e refazendo festas, que viveram mais de meio século em harmonia muito perfeita.
Não assisti , mas dizem que ele morreu conversando e sorrindo, como costumava fazer durante todos os dias da vida, pedindo a todos para não chorar ou sentir tristeza. Embora sertanejo e de poucas letras, foi um romancista verbal, narrador inigualável desenhista de perfeitos quadrinhos existenciais de humanismo puro e sincero. Na verdade, meu avô tinha uma experiência de vida, uma habilidade diplomática, uma riqueza de inteligência e bondade, dignas de muita admiração. Ninguém que o conheceu deixa de dizer que ele era um velho alegre e agradável, verdadeiro construtor de amizade, sempre ouvido com interesse e prazer.
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CIRCOS E PALHAÇOS
WANDERLINO ARRUDA
Isso mesmo ! Quem não tem saudades do circo ? Quem não guarda, lá dentro, no mais profundo da alma, uma saudade-menina da primeira alegria sentida no circo ? Quem não se lembra do primeiro velho palhaço de roupas coloridas, frouxonas, cheias de longos babados, espicha-encolhe, querendo cair a toda hora ? Quem não se recorda do palhaço mais novo fazendo negaças, pisca-piscando, equilibrando como um joão-bobo, piruetando em volta de si mesmo, triste e alegre ao mesmo tempo ? Quem não conserva na mente a visão das moças bonitas, dos meninos e rapagões bem alimentados, do forte e grisalho dono do circo, domador vestido de preto lamê, de todos a sustentarem com força o equilíbrio do mundo ? Quem não se lembra ? Claro, que cada um terá um universo de lembranças de um novo ou de um velho circo, dependendo de onde nasceu e de onde viveu os primeiros anos de vida, em cidade pequena ou cidade grande. Em nossas lembranças haverá sempre um circo. Circo pobrezinho de chão de poeira, de lona furada e sem cores, de leões já velhos sem dentes, de bicicletinhas velhas, ou então de uma visão de brilho, de rico luxo, de madrepérolas, com mágicos importantes a criar mil fantasias de coelhos e bandeiras, com moças vendendo saúde, meninos louros voando em trapézios, tudo mais parecendo um sonho acordado. Claro que cada um de nós guardará uma forma lírica de lindas lembranças, uma saudade gostosa do primeiro encontro com o circo, jamais desfeita de nossa memória e de nosso coração... Nada há mais delicioso do que o primeiro espetáculo de circo.
Não fui, mesmo tendo nascido em São João do Paraíso, uma cidade pequena, um menino que entrasse de graça nos circos. Primeiro porque não tinha jeito de correr atrás do palhaço, gritando a propaganda para ganhar a entrada. Segundo, porque não tinha coragem de entrar por baixo do pano, escondido, como faziam os colegas de escolas e da rua. Meu pai tinha sempre que pagar meus ingressos, quando eu não conseguia ganhar dinheiro vendendo coisas na feira, nas manhãs de Sábado. No circo, com ingresso pago, eu entrava sempre de roupa limpa bem engomada por mamãe, sapatos brilhando, cabelos lisinhos de glostora ou de brilhantina, levando a melhor cadeira de nossa sala-de-visita. Menino que entrasse sujo, descalço, quase sempre tinha que ajudar o palhaço, ou mesmo servir de amarra-cachorro nos momentos de intervalos. E como fazer isso, à vista das namoradas ?
Há pouco tempo, fui, em Mirabela, a um circo pobrezinho, de lona quase caindo aos pedaços, um chão poeirento que fazia dó, as arquibancadas tão velhas que o próprio vendedor de ingresso chamava-as de poleiro. A trapezista e o equilibrista ¿ coitados - a gente não sabia se admirava ou tinha pena... Parecia até história de circo do Adauto Freire, a estória de um circo que acabou em Bocaiúva, que ele conta com muita graça ! Mas que coisa gostosa, quanta saudade matava na gente ! O que estava em Mirabela também era um circo ! Era um circo e tinha palhaço ! Um palhaço, mesmo descalço como o daquele pobre circo, representava um mundo de fantasias, um maravilhoso elenco de gestos e trejeitos, uma poesia eterna de um doce sofrimento que, mesmo para o desprezados, fazem da vida um alegre motivo de viver !
Um palhaço, sabendo ganhar e sabendo perder, sempre com esportiva e bem conformado, é o que mais representa o circo, é um pouco de tudo que todos nós deveríamos ser, talvez como a única maneira que poderíamos agir para nunca deixarmos de ser felizes...
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AH! OS HORÓSCOPOS
WANDERLINO ARRUDA
Confesso que entre as minhas muitas leituras quase não posso passar sem as dos horóscopos. Por exemplo, não ponho um jornal de lado enquanto não estiver lida a coluna que fala da sorte no dia ou na semana. Não me importa se vai ou não vai acontecer coisa alguma, se devo ou não acreditar. Interessa me, porque acho gostosa a combinação de idéias, o tom otimista dos autores, a sensação de mistério, o número de probabilidades fantásticas. E sei que não estou só nessa empreitada, porque senão os jornais e as revistas não falavam tanto do assunto. Deve haver até muitos leitores muito mais apaixonados do que eu e do que você. Será?
Conheço mais o que diz respeito aos nascidos no signo de Virgem, um povo leal e dedicado, afeito às letras, ao jornalismo, à contabilidade, a tudo que concerne a papel e que é nele escrito. Práticos, homem e mulher virginianos, são organizados e gostam de tudo certinho, arrumado como um relógio de hora certa, previsí¬vel, a ponto de sustentar uma eterna crítica deles mesmos. Quando um virginiano casa se com uma virginiana, fazem mais do que um casamento: fundam uma organização com Características inte¬ressantíssimas, incluindo nessa organização os devaneios e as fantasias, desde que obedeçam a esquema traçado. Ponho como testemunhas disso meus bons irmãos e colegas Míriam e Dárcio, meus vizinhos de aniversário.
A mulher de libra não tem nenhum critério na escolha do com¬panheiro ? Tudo o que ela quer é unir se a alguém muito elegante, inteligente e que decida por ela, a quem ela possa dedicar se e que satisfaça seus caprichos sofisticados. É cheia de etiquetas e está sempre comprometida com as normas sociais. A libriana sem¬pre se preocupa com a opinião das pessoas. Já a mulher de Escor¬pião traz dentro de si o grito da liberdade instintiva. Inconformada, não sabe reprimir sua exuberância afetiva e sensorial, sempre cheia de empatia e intuição. De grande força de trabalho, assume tudo com garra. Outra mulher que adora a liberdade de movimen¬tar se é a aquariana. Para ela, o ir e vir, conforme lhe convier, é o essencial, assim como o relacionamento e a participação na vida das pessoas. Já a canceriana é uma mulher sensível, dotada de grande capacidade de emocionar se, permeável ao meio ambiente, misto de mãe e mulher, quase nem sabendo separar essas duas funções. As leoninas são protegidas pelos deuses, segundo a mitologia, parentes do fogo e, por isso, fáceis de incendiar se. Brilhan¬tes, intransigentes e dominadoras, pensam como bem entendem. As mulheres de Gêmeos expressam com suas fantasias através do amor, ao contrário das taurinas, que são bastante realistas a ponto de recusar as ilusões e só ver a segurança e o que é real.
Sem compromisso, variada, leve, não sei se pode haver leitura melhor do que as dos horóscopos. Pelo menos mais gostosa não há! Nem a de poesia bem feita!
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MEU PAI JOSÉ ARRUDA
WANDERLINO ARRUDA
Faço contas nos minutos e horas da minha vida, revejo esmaecidas ou vivas imagens, tento magnificar pequenos acontecimentos e, pronto, a figura de José Arruda, meu pai, se põe sonora e colorida à minha frente. Convivência de várias décadas, disciplina rígida no início, amenos conselhos em meio e fim de vida, sempre marcante influência. Mais do que tudo um rigoroso exemplo de honestidade a qualquer tempo, seja em temporada de quase opulência, seja nas dobras do passar de tempos em adversidade. Era um viajante faminto de estradas, sempre saindo e chegando: a cavalo, em fordinhos, em caminhonetes e caminhões, em velhas jardineiras ou em ônibus já quase modernos.
Lembranças mais antigas? Ele com um bule esmaltado azul, despejando o café num copo grandão, também esmaltado e de asa. Com o café, comia alegremente biscoito fofão, rosca caseira e o cuscuz que Silvina tinha de levantar bem cedo para fazer. Nos dias de frio ou de chuva, saia do quarto já com uma capa colonial pesadona, tão comprida que passava dos joelhos. Aos sábados, atrás do balcão da loja sortida de tudo, atendia os fregueses, vestindo um casaco de pijama, que achava a coisa mais chique do mundo. Lembro-me até da cor, um cinza esverdeado com desenhos em relevo, um bolso para caneta e lapis e dois outros para as tesouras. Nem no horário do almoço parava de vender. De cada amigo que atendia havia estórias para ouvir e contar. Aprendi ali as minhas primeiras lições de vida. Como morávamos em frente ao mercado, dava para ver até o fim da tarde, a feira cheia de carros de bois e de cavalos com cangalhas sem bruacas, segundo diziam a mais rica da região.
Homem em tudo avançado no tempo, minerador de pedras e pepitas de ouro nos garimpos da redondeza, descobria também todas as novidades que São João do Paraíso nem podia sonhar. Já em 1938, meu pai tinha máquina de escrever, geladeira a querozene, lampião Aladin, aparelhos de gilete, uísque Cavalo Branco, casemira Aurora, camisa de colarinho trubenizado, barbeadores com gilete já cortando dos dois lados. Quando de folga, lia em voz alta um livro de geografia com perguntas e respostas e ouvia um radio de bateria, que fazia mais ruído que um noite de tempestade. Em quarenta e dois, quando fui para a escola do professor Rolla, todo o meu material escolar, inclusive a ardósia, era importado, com o ¿made in Germany¿ ou ¿made in England¿ me dando agradável sensação de importância, compensando até a minha pouca habilidade no mergulho no rio e nas bolinhas de gude.
Claro que as invenções do senhor José Arruda não ficavam só nos objetos de consumo e exibição. Era comprador e vendedor de peças de ouro, pedras preciosas, moedas, velhos relógios de parede, desenhos de nanquim, todo tipo de relíquias e quinquilharias, incluindo aí punhais de bronze e de prata. Foi minucioso o seu planejamento e realização da nossa primeira viagem de turismo: preparou, com absoluto conforto e decoração, um enorme carro de bois, com um guia andando a pé, que nos levou ¿ ele, minha mãe, Nair, Derci e eu ¿ para uma visita a Condeúba, na Bahia, onde ficamos hospedados numa casa de três moças muito bonitas e de fino trato. Foi lá que minhas irmãs e eu experimentamos pela primeira vez o gosto de azeitona e leite condensado¿ Pelo menos duas vezes por ano, fazíamos viagens às fazendas dos velhos Vicente Arruda e João Morais, quando nossas avós Senhorinha e Ritinha se desdobravam em ordens para o capricho das cozinheiras no fogão a lenha e no forno. Para as visitas a melhor galinha ao molho pardo e o melhor bolo de farinha de trigo ou de mandioca puba, coco ralado por cima.
Quando moramos em Coqueiros, foi grande a sua luta para que eu aprendesse a tocar cavaquinho. Chegou a contratar um professor particular com várias horas de aula por dia. Mas não passei da primeira posição, aquela em que a gente firma as cordas com os dedos da mão esquerda e sacode os da direita para tirar os sons do ¿besta-é-tu¿. Valeu, porque aprendi o do, ré, mi, fá, sol, lá, si, tornando-me quase um intelectual em música. Foi voltando de Coqueiros para o São João, em 1941, que vimos e ouvimos passar o primeiro avião, um barulho de assombrar todo tipo de viventes. A notícia que correu depois é que haviam morrido duas pessoas: um rapaz correndo de medo, caiu numa cisterna, e uma velhinha que, assando biscoitos, resolveu se esconder dentro do forno em brasa. Duas vítimas do progresso dos tempos de guerra¿
Agradeço muito a meu pai por todo tempo de convivência direta e indireta: das jabuticabeiras que ele arrematava para a gente chupar jabuticabas até fica entupidos, dos balaios de marmelo maduros e cheirosos que trazia das viagens ou comprava na feira, das casas com quintais grandes que ele comprava para vivermos divertindo. Agradeço mais ainda dos seus sonhos de conhecer mundos distantes, tão bem transmitidos aos filhos que hoje realizam o que ele não pôde realizar!
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¿MONTES CLAROS ERA ASSIM...¿
WANDERLINO ARRUDA
Não faz muito tempo, num comentário que fiz ao Elos Clube sobre Hermes de Paula, falando em continuidade dos registros históricos de Montes Claros, apontei a acadêmica Ruth Tupinambá Graça como a pessoa indicada para essa tarefa. Sei que alguns ouvintes devem ter julgado minha opinião como fruto de entusiasmo de orador de momento, um arroubo de amigo e companheiro. A própria Ruth Tupinambá deve ter pensado o mesmo, pois sorriu descrente, nunca se colocando como continuadora da obra do nosso mais famoso historiador. A memória recente sobre Hermes de Paula ainda é muito viva, a admiração por ele é incontestável, a visão de sua luta diária com os acontecimentos o coloca como insubstituível e, por isso, ainda não se firmou o pensamento de que a história não para e exige outro acompanhante.
Contínuo, pois, dizendo que depois de Hermes de Paula deverá vir Ruth Tupinambá Graça. Não só deve, como precisa que venha. Precisamos de alguém que conheça a cidade e sua gente, alguém que goste do trabalho de registrar acontecimentos e de marcar as presenças das personagens nesses acontecimentos. Alguém que tenha amor suficiente à cidade e que saiba como manusear as palavras para pintar e descrever os momentos dignos de registros. Precisamos, sobretudo, de uma pessoa que seja, ao mesmo tempo, repórter, cronista e contadora de histórias. E estas qualidades a autora de ¿Montes Claros Era Assim...¿ tem de sobra. Sem nenhuma intenção de fazer trocadilhos, posso dizer que Ruth Tupinambá tem muita graça para isso. Escreve com a suavidade de quem toma banho em cachoeira, com limpidez e transparência.
Ressalte-se também o fato de ela conhecer muito bem o passado de Montes Claros, desde quando se entendeu por gente. Menina curiosa, versátil, muito inteligente e perspicaz, ela observou tudo e, às vezes, até acompanhou e viveu muitos episódios, principalmente a atuação das pessoas, as visões de cortes sociais, os ambientes, as mudanças físicas e psicológicas. Analista de alma humana, Ruth Tupinambá alcança cada gesto, cada piscar de alegria, cada remoer de tristezas. Em tudo ela vê cores, sons, dimensões, o amor ou o desamor, as crendices, o folclórico. Ruth tem imensa saudade de todas as horas, e isso lhe dá condições de sempre refrescar as lembranças da memória e do coração. Parece-me um bom passaporte para a posição de historiadora, pelo menos para a criação de história apaixonada como sempre o fez Hermes de Paula.
Já quase sem espaço nesta crônica, quero dizer que o livro ¿Montes Claros Era Assim...¿ é uma boa oportunidade de conhecermos o passado da cidade, esse conjunto de gente sertaneja e vivedora que soube crescer e multiplicar. É bom, minha senhora, ler depressa (ou devagar, conforme o gosto) todas as crônicas do livro de Ruth Tupinambá par saber tudo ou, pelo menos, o lado mais interessante das coisas e das gentes. Nelas estarão os ¿cometas¿, os bruaqueiros, o velho Christoff (pai de Konstantin), o velho João Maurício, o primo Luís, o Sinval e seu bar, a Euterpe Montesclarense, o Cine Montes Claros, o ¿footing¿da Rua Quinze, as boiadas, os carros de bois, os circos, a brincadeira de argolinha, a Matriz, um grande universo de assuntos que marcam saudades.
Depois da leitura, pode vir o julgamento se Ruth Tupinambá é ou não nossa futura historiadora.
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NATHÉRCIO FRANÇA
WANDERLINO ARRUDA
Sou dos que acreditam que a finalidade da vida é o praticar o bem, o ser feliz, o estar sempre em paz com o passado e em confiança com o futuro. Sou dos que acreditam que o melhor dia da nossa vida é o dia de hoje, a hora em que estamos vivendo.
O bom proceder, no presente, redime as frestas que já se foram e prepara um porvir que, de alguma forma, nos garanta uma normalidade de mente e de coração, afastando possíveis e desnecessárias preocupações antecipadas. Assim, cada dia constituir-se-á de novas oportunidades de trabalho e aprendizagem, novos meios de consolidar amizades, um tempo positivo de deixarmos a marca de nossa passagem pela caminhada na Terra. E parece que não estou sozinho no meu modo de pensar e de agir. Ainda existem muitas criaturas que se preocupam na alegre busca da felicidade, na afirmação de valores afetivos, no consubstanciar das riquezas eternas do amor. Gente que, convivendo com o mundo da máquina e recebendo os impulsos da moderna eletrônica, ainda não se desvinculou de qualidades que só dizem respeito ao bem-estar da alma das pessoas e das coisas. Gente que se sente feliz com a felicidade alheia, que se emociona com a alegria, que reparte sinceramente o bem com todos os semelhantes. Conversando, ontem, no Centro Cultural, com o Padre Aderbal Murta de Almeida, procuramos repassar antigos assuntos, reviver antigas lembranças, apontar fatos marcantes que engrandecem o patrimônio ideológico de Montes Claros, no cognitivo e no emocional da história. Ele citou inúmeros exemplos do grandioso, da bondade e da fé, do amor de espontânea dedicação ao bem, daquele halo de luz que acompanha a escalada evolutiva de figuras que marcaram o nosso humanismo e a nossa cultura. Para resumir, ele propôs dois nomes, que, pessoalmente, consideraria os mais importantes na galeria do bem, no amar e no perdoar, na sabedoria do ser e do viver. Expôs o primeiro, destacando o trabalho do Padre Marcos e, quando eu ia interrompê-lo, tentando apontar o segundo, ele adiantou o nome que já estava na minha boca, lembrando-se clara e alegremente de Nathércio França, o nosso grande Nathércio. Olhei para Nivaldo Maciel, que conversava conosco, e vi que, pelo seu consentimento, se demorássemos mais um pouquinho, ele teria pronunciado as mesmas palavras antes de nós.De fato, considerando o ponto de vista da capacidade do bem viver, do existir com sabedoria e majestade, do ser irmão e ser amigo, do companheirismo e da fraternidade, é Nathércio França a maior figura da história de Montes Claros. Ninguém, ninguém mesmo, pôde deixar de admirá-lo, de sentir a elevação do seu amor, de compartilhar com justo orgulho a sua sempre visível simpatia e o apreço com que ele tratava cada momento da existência, numa fé inquebrantável que só as grandes almas sabem ter. Não estivesse a sua passagem tão perto no tempo e no espaço, pois há tão pouco tempo nos deixou, creio que a nossa consideração ainda seria maior. Nathércio França foi, sem dúvida, um momento inesquecível de nossa vida.
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LEMBRANÇAS DA RUA QUINZE
WANDERLINO ARRUDA
Dentro do possível, tenho procurado escrever sobre pessoas e fatos ligados à recente história de Montes Claros, com os acontecimentos e os lugares de alguma forma jungidos à minha própria experiência. Isso, nos últimos quase trinta e seis anos, desde a noite em que cheguei de Taiobeiras numa carroceria do caminhão de Dudu Cunha e fiquei hospedado na Pensão de Dona Ismênia, ali pertinho de onde fica hoje o posto de Antônio Barreto, na Praça de Esportes. A primeira aventura foi exatamente no dia da chegada, quando, para marcar o terreno, percorri cautelosamente alguns pedaços de ruas, indo e voltando atrás para não correr o perigo de me perder e ficar, depois, envergonhado. Nesse vai-e-vem, o mais longe que fui foi até o Restaurante do Valério, na Simeão Ribeiro, onde paguei vinte e cinco cruzeiros por um jantar, um preço tão caro para aquela época, que me expulsou por muitos anos de qualquer cada de pasto mais granfina.
A Rua Quinze não consegui chegar, naturalmente intimidado pela clareza das luzes, pelo pessoal desinibido, bem vestido, gesticulante, demasiadamente alegre, que eu podia reparar de longe. Passear por lá, no primeiro dia de Montes Claros, seria uma façanha fora de pretensão para quem chegava com roupas feitas por alfaiate de província pobre e sapatos com excesso de meias-solas. Não dava, não dava mesmo! Por isso, deixei para o dia seguinte, no horário de trabalho, que aí a cidade é de todo mundo e a beleza das pessoas causa menos impacto, sem os perfumes, sem a performance dos momentos de ócio, sem o burburinho das horas de passeio granfino. A Rua Quinze que eu vi, pela manhã, era uma rua bem diferente, bem mais vazia, embora ainda tivesse muita gente despreocupada a discutir política e futebol, a seguir, com olhos cobiçosos, uniformizadas donzelas de longas saias azuis e cabelos de tranças.
Foi depois de contar estórias da vida na Rua Quinze, que tive a grata alegria de receber uma carta do meu colega e amigo Nicomedes Almeida Teixeira, ministro-chefe da Secretaria da Fadec, companheiro de muitas lutas na Fafil, em quatro longos anos do Curso de Letras, quando freqüentou minhas aulas de português e de lingüística. Se a lembrança dos meus dias de Rua Quinze era um gostoso desfiar de saudades, a carta do Nicó me veio trazer uma suave afirmação de compromisso com o passado, uma certeza de que nenhum ato de nossa vida, simples ou sem importância, passa esquecido ou desfigurado de valor, sem o mérito do ter acontecido. Não vou interpretar a correspondência do meu intérprete. Passo-a ao leitor assim como chegou às minhas mãos. Tem o gosto de um grande amor a Montes Claros e ao tempo de nossa mocidade.
¿Amigo Wanderlino, ao ler o seu artigo publicado, no domingo último, intitulado ¿Rua Quinze¿, não pude deixar de me envolver em uma onde nostálgica, pois ali passei boa parte de minha infância. Em fins de 1951, meu pai comprou, em sociedade com mais dois irmãos, o Big-Bar, ponto de encontro obrigatório para os boêmios da época. Ali passei momentos marcantes em minha vida, discutindo futebol, convivendo com os artistas de rádio trazidos à cidade pelo Airton Serpa, vendo os cartazes de cinema colocados na calçada da loja de ¿seu¿ Ramos. Embora criança, vivia o movimento noturno da Rua Quinze, auxiliando meu pai no bar, ou freqüentando o salão de sinuca do Tio Hélio (não havia ainda rigor no policiamento a menores).
Tempo bom que me voltou à memória graças a você. Você se lembra do Bolo Esportivo, do Serpa? Dos bailes de carnaval do ¿Clube dos Bancários?¿ Quando o ¿footing¿ da Rua Quinze acabou, foi com se apagassem as luzes de uma parte da cidade. Os outros ¿footings¿ nunca foram os mesmos (ou será que foram as luzes de minha infância que se apagaram, em parte?). De toda forma, o seu artigo me fez reviver esse tempo, tempo bom! Obrigado¿.
E você, leitor, está com saudades também? Nunca houve tempo melhor!
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MEU IRMÃO JOÃO DE PAULA
WANDERLINO ARRUDA
Ainda em Brasília, final de período de trabalho, já com o olho no caminho de Montes Claros, recebo a notícia da grande irmão, o bom vizinho da Rua São Sebastião. Olímpia me diz com tristeza, numa voz de muita saudade, que João acabara de nos deixar. Sereno, seguro, sem alarido, cheio de fé como sempre viveu, quase alegre e justo sabedor do próprio destino. Um verdadeiro João de Paula, homem sábio, racional, de costumes ilibado, religiosamente livre como um condor de grandes alturas. Um mestre que encantava a todos, principalmente nos seus últimos anos de vida de ate quase mística, pirografando umburanas, cedros, bálsamos, madeiras que perfumavam o corpo e a alma. Tudo passa, e João de Paula também tem que passar. A hora sempre chega!
Agora, já mais distante, ermo a perspectiva, faço distância para ver melhor o companheiro João de Paula. Para ver e analisar. Para ver e admirar. Para ver e sentir. Mais de longe é possível ver o irmão por inteiro, de pé a caminhar firme num destino traçado por Deus e por ele mesmo, cavaleiro andante de muitos sonhos. João poetou a vida no que ela tinha de colorido mais suave.
De pouca ambição e muita coragem, fez da existência um doce, combate, uma luta inteligente e sem pressa, quando muitas vezes sentia-se vencido e vencedor ao mesmo tempo. Um homem de horizonte sempre azul como bem disse o seu primo Luiz de Paula, da mesma coragem e do mesmo sangue. João de Paula um homem da cor do céu, de brilho da turquesa e do cobalto como luz de infinito em dia claro.
Mas como era mesmo o cidadão marido de D. Lea e pai de Iran, Paulo, Acácia, Verônica, Marta, Graça, Raquel, Neuza e Fabíola? Como era o irmão de Hermes e Maria de Paula? Como era o futuro químico que deixou os estudos para se casar, mas que , farmacêutico em Pires e Albuquerque, receitava e curava doentes? Como era o comerciante, o industrial, o artista, o filósofo, o maçom, o rotariano, o espírita, o contador de estórias, o cronista, o poeta, o conselheiro? Como era o amigo solidário de todos os amigos? Como era o homem de nunca esconder idéias, de nuca ter medo de ser verdadeiro? Como era você. João de Paula?
Quem conheceu João de Paula é que pode saber quem foi João de Paula. Que memória prodigiosa de historiador e genealogista, que narrador empolgante, que grande cultivador de amizades. Tolerante de incrível capacidade de perdão, João foi um sábio abridor de caminhos para ensinar bondade a muita gente. Oitenta e três anos de magistério de amor, Mensageiro de luz! Desta mesma luz, que pedimos a Deus, João de Paula ilumine infinitamente a sua trajetória de eterno trabalhador.
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:: Domingo, Outubro 08, 2006
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O TEU OLHAR
WANDER E SUAS CRONICAS
Admiro a alegria do teu olhar,
o teu sorriso é como esmeralda formosa,
força imensa sobre minh'alma,
encantamento que a vida não me oferecera
em momento algum,
embora eu tenha sido sempre feliz.
Admiro você, admiro sim:
a meiguice, a ternura,
o encantamento lindo,
gostoso e em sabor de mel
que faz do mundo lugar de felicidade intensa.
Nunca me esquecerei de tudo de bom que você tem.
Isso jamais acontecerá,
você é mais que uma vida !
um momento de sua presença
é tudo.
tem a pulsação do amor,
um amor simples,
muito simples,
mas eterno.
Eternamente em meu coração!
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VOCÊ
POETRY
Amada da minha vida,
minha querida,
perto de você,
não sinto tristeza,
só vejo beleza
que me dá alegria.
Ao teu lado,
sob o teu perfume,
o mundo é melhor,
a vida, mais doce,
a paz, mais serena,
a luz tem mais brilho,
o amor, bem maior.
Juntos, minha querida,
sem temores,
sem rancores,
sou dono do mundo,
vivo a sonhar.
E é só com você
que o sonho tem cor,
o amar é amor,
o amor é viver!
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PENSAMENTO 11
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VIVÊNCIAS DE INFINITUDE
POEMAS
Encontros de sonho e ternura,
sim, há encontros
curtos e fortuitos, mas sempre sonhos,
sempre ternura.
Não se sabe onde começam,
quando acabam,
pois inimagináveis e ideais.
Multidão de tempos vividos,
semelhança mais: identidade,
azul e lilás dos céus,
tardes de mil pensamentos
e encantada alegria.
A linha do horizonte,
nítida como um fio de luz,
inexiste tênue e mágica,
separando tons sobre tons
cada vez mais puros.
Ouço esplendentes matizes
com cheio de amor-menino
sazonado e ingênuo:
veludo-seda, mangaba-mel,
doce e suavemente amargo.
O destino viaja sensível
com um tilintar de auroras
ou de dourados crepúsculos.
Gostoso sentir vivências,
imagens lúdicas,
lúcidas de amor.
Amor!
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:: DENILSON REGO ARRUDA 11:08 AM
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VERDE, QUE QUERO VERDE
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De luz,
muita luz,
Deus fez os céus, o verde e o azul.
De intensa luz,
infinitas luzes,
Deus criou o róseo,
o lilás, o índigo,
muito de aurora e crepúsculo.
Branco,
branquinho sem sombra,
vermelho, bege, amarelo,
ouro novo, ouro velho
surgiram da madrugada azul
em início de clarear sem nuvens.
De favos do mel celeste,
ganhamos cobalto, cinza, goiaba,
muito de topázio e laranja.
Do hálito de uma manhã-neblina,
fruímos, do verde, quarenta tons:
verde musgo, verde espiga, verde mar,
limão verde, verde cana,
ondas verdes de verdes mares.
Mil verdes de mil florestas,
azuis de mil montanhas,
verdes de prados verdejantes
como apreciava o Salmista.
Vejo azuis e verdes,
verdes iluminados de azuis:
safiras, esmeraldas, turquesas,
doce olhar de brilho verde
em mil sentimentos de amor!
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:: DENILSON REGO ARRUDA 11:06 AM
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UM GRANDE AMOR
LOVE
Como é bom sonhar sonhos lindos,
nas horas de boas lembranças,
no tempo de ser feliz,
em momentos de alegria,
quando nem mesmo a saudade
pode indicar separação !
Como é bom te ver,
como é bom te amar
e sentir que a distância não existe!
Boa é a atração
que nos faz tão próximos,
que nos faz tão juntos,
e te faz tão minha!
Como é grato o amor
que põe minha vida na tua
em dimensão de encanto !
Boa é a ternura,
a sensação de carinho
de dois seres
vivamente enamorados !
Para um grande amor,
não há fronteiras,
não há limites
no ontem, no hoje, no agora
de toda a eternidade!
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LOVE
:: DENILSON REGO ARRUDA 11:05 AM
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TU ESTÁS COMIGO
CULTURE
Na verdade,
na verdade, Senhor,
tu estás comigo.
Os teus ensinamentos,
as tuas admoestações
me consolam.
Na presença dos meus adversários,
na presença dos meus amigos,
na presença dos meus amores,
bondade e misericórdia certamente me seguirão,
todos os dias da minha vida.
É por isso,
e por muito mais,
que habito na casa do Senhor.
Agora
e por toda a eternidade!
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:: DENILSON REGO ARRUDA 10:55 AM
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TEU BEIJO
WANDER IDEIAS
Teu beijo
é doce,
charmoso,
gostoso,
ternamente cheio de amor.
Inesquecível, eu sei !
Dele tenho lembrança,
dele tenho saudade,
dele tenho o sabor
para todos os minutos e horas da vida,
em toda a eternidade,
no tempo e no contratempo.
Teu beijo
é terno e eterno,
sincero,
suave,
leal,
doce,
charmoso,
gostoso,
um beijo de amor!
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PROMENADE 33
MONTES CLAROS MG
EBOOK WANDER
ACADEMIA 11
GOLD DEMOCRACY
TEMPO BRASIL
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ROTARY NORTE
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:49 AM
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TERNURA E VIBRAÇÃO
WANDER POESIAS
Tua beleza,
o teu saber,
o encanto da tua alegria,
A meiguice e a suavidade dos gestos,
O brilho do teu olhar,
Tua voz doce e gostosa,
A riqueza de tuas palavras,
Tudo em ti, minha querida,
É motivo de muito amor:
um inesquecívcel realizar de sonhos.
Um minuto de tua presença
Vale um milhão de séculos.
Tua luz ilumina um infinito inteiro.
É ternura,
É intensa vibração
para um renascer de felicidade.
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BRASIL POESIAS
MENSAGENS PARA LEMBRAR
PREDICADO
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PENSAMENTO 11
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:48 AM
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SELVAGENS HORIZONTES DA AMAZÔNIA
POEMAS
Floresta tropical, chuvosa floresta,
planície de céu e terra, doce mel.
De verde-azul é o cobalto do Amazonas:
cor goiaba, brisas de mil borboletas,
sombras de selvagens frutas.
Aqui a Natureza sonha todas as manhãs,
e em todos os crepúsculos,
Os horizontes dividem o infinito.
Na aurora dos respirar de névoas,
há fluviais segredos de alegria,
porque a floresta sorri.
Delícia de muitos tons de esmeralda:
musgos, heras, brilho de turquesas,
limo, lima, caules marcando universos.
Amazonas, rio-mar,
sépia em banho de azul.
Amazonas, Amazonas,
águas e folhas, aves e cantos.
Vibrações de mil vidas!
Meu imenso Brasil,
aqui, a Natureza é amor!
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LINKS ESPIRITAS
BRAZILIAN POEMS
LOVE
WANDER MENSAGENS
MENSAGENS ESPIRITAS
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:42 AM
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SECAS PAISAGENS, AUSÊNCIA DA VIDA
BRAZILIAN POEMS
Secas paisagens, secas vidas,
lonjuras do mar, sol, muito sol.
Horizontes pobres, visíveis contrastes.
Linhas marcadas, fortes e tingidas no tempo,
sensíveis em horas e dias sem chuva.
Sofrimento!
Alta temperatura,
sol e solo cálidos, quentura.
O verde quase é nunca verde,
é oposição ao ocre-amarelo,
laranja em terra-dourada
e sombras de preto-cinza:
nem noite ainda é...
Seco o sertão, tudo parece destino
em eterno início de fuga,
algo que nunca se encontra,
amarga tristeza ...
Dor de um sempre buscar!
DENILSON ARRUDA
ELOS CLUBE DE MONTES CLAROS
POEMAS
ELOS CLUBE DE M ONTES CLAROS
ESPIRITISMO ONLINE
FOLCORE
BRÉSIL POETIQUE
CULTURE
POEMAS BRASIL
FORTUNE
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:41 AM
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SAUDADE, PRESENÇA DO AUSENTE
FORTUNE
Da amizade,
Do amor,
é a presença do ausente,
é dor gostosa, dor alegre,
que vai direitinho ao coração.
Sentir saudade
é querer bem perto
O bem-querer.
É pensar em ir, querer voltar.
É buscar ver o que não alcança a vista.
Sentir saudade é mergulhar no infinito
e penetrar na solidão,
buscando a companhia,
imaginando sorrisos,
colorindo sonhos.
Saudade é transfusão de sentimentos,
convite de reconforto,
carinho infinito, infinita ternura.
Saudade é alegria que fere,
tristeza que alivia.
AGENDA DOIS
PLANALTO BRASIL
LITORAL SOL
HORIZON 51
FOREST 133
HOUSE TREE
SKYMASTER 100
CHANNEL 202
ISLAND 111
WANDERLINO NET
WANDERLINO CRONICAS
WANDER POESIAS
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:39 AM
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O TEU OLHAR
CULTURE
Admiro a alegria do teu olhar,
o teu sorriso é como esmeralda formosa,
força imensa sobre minh'alma,
encantamento que a vida não me oferecera
em momento algum,
embora eu tenha sido sempre feliz.
Admiro-te, admiro sim:
a meiguice, a ternura,
o encantamento lindo,
gostoso e em sabor de mel
que faz do mundo lugar de felicidade intensa.
Nunca me esquecerei de tudo de bom que tens.
Isso jamais acontecerá,
és mais que uma vida !
Um momento de tua presença é tudo.
Teu olhar tem a pulsação do amor,
um amor simples,
muito simples,
mas eterno.
Eternamente em meu coração!
MONTES CLAROS MG
EBOOK WANDER
ACADEMIA 11
GOLD DEMOCRACY
TEMPO BRASIL
ELOS MG
ROTARY NORTE
WANDER ONE
CONNECTING BR
SONETO MUSICA
TROPICAL AMAZON
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:38 AM
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REUNINDO SALMOS
FOLCORE
Guarda-me, ó Deus,
faze-me, Senhor, conhecer os teus caminhos,
alivia-me das tribulações do coração,
ensina-me tuas veredas,
não te distancies de mim.
Sei que os justos herdarão a terra,
porque a boca do justo profere sabedoria,
e tu o fazes exultar de júbilo,
assim como me fazes ver caminhos de vida.
Mostra-me sempre, Senhor, mostre-me
maravilhas da tua bondade.
Tuas palavras são transparências,
como fortaleza de fé,
Luzes e cores da minha salvação.
Nas tuas mãos,
recebendo meus dias,
com a grandeza de tua bondade.
todos os dias te bendirei.
Senhor, em todo o tempo,
o louvor estará em meus lábios.
Procurarei a paz, buscá-la-ei
empenhado por alcançá-la.
Certificando-me sempre,
alegrando o coração,
exultando de espírito,
meu corpo repousará,
entoando-te hinos.
Entregarei meu caminhar,
salmodiando e cantando louvores.
É por isso,
que de manhã, todas as manhãs,
apresento-te a minha oração e fico esperando.
TEMPO VIRTUAL
PORTAL DOIS
CHARME POEM
BRASIL POESIAS
MENSAGENS PARA LEMBRAR
PREDICADO
AVENTURA 100
PENSAMENTO 11
LOGOS BRASIL
PROMENADE 33
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:37 AM
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QUINZE ANOS, MENINA-MOÇA
FOLCORE
Idade linda, menina-moça,
é ter quinze anos em flor,
idade de sonhos, idade ternura,
tempo ideal de viver.
Quinze anos é encantamento,
magia de luz,
magia de sonhos,
e doce novidade em futuro.
Quinze anos, menina-moça,
marca frescor e perfume
com cheiro de alvorecer,
tudo suave e doce,
tempo de mais beleza.
Quinze anos, menina-moça,
que promessa de mulher,
que desenho de porvir!
Aos quinze, menina-moça,
você é muito mais do que feliz,
lindamente feliz,
quando o mundo acredita em você.
Nada de enganos ou desenganos,
Porque para os quinze não há passado:
da vida acenos, sabor de mel,
alegria de brisa no olhar de flirt.
Quinze anos, menina-moça
É frisson de primeiro amor,
deliciosa sensação de Primavera!
WANDER POESIAS
WANDER POESIAS
WANDERLINO COM
WANDERLINO ARRUDA
WANDERLINO ARRUDA
TEMPO VIRTUAL
PORTAL DOIS
CHARME POEM
BRASIL POESIAS
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:36 AM
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POETA, TEMPO E POESIA
HOROSCOPOS
Poeta, hoje é teu dia,
primeira e última aurora de amor,
Tempo e templo do ser e do acontecer,
Momento importante de vida.
Que venha toda a poesia,
Brotada de cores e sons,
O agora, um antes do ontem,
um pouco também do amanhã.
Seja feita, poeta, a tua vontade,
venha o teu querer,
realize-se logo o teu sonho
de ritmo, de versos,
tudo em cadência de sons,
com musicalidade divina.
Transforme-se o mundo, poeta,
em poético encanto!
Poeta, a vida é oceano de luz,
o tempo, cadinho de amor,
universo e existência-sonho,
realidade sim.
Por isso, poeta, e por muito mais,
venha a tua inspiração,
brote o perfume das letras,
aconteça, apareça, acorde a magia,
sopro divino, agora e sempre!
HISTORIA DE MONTES CLAROS
HOROSCOPOS
LINKS ESPIRITAS
BRAZILIAN POEMS
LOVE
WANDER MENSAGENS
MENSAGENS ESPIRITAS
MONTES CLAROS NET
MONTES CLAROS, CIDADE DA ARTE E DA CULTURA
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:32 AM
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TREZE ANOS EM FLOR
HISTORIA DE MONTES CLAROS
Amor de minha vida,
adorada mulher dos meus sonhos
e da minha realidade,
que encanta todos os meus dias,
toda a minha existência.
Minha doce namorada,
que tem sido o meu amor
em cada minuto do tempo.
Morena linda de olhos verdes,
mulher e musa, musa e mulher,
sempre menina-moça,
de treze anos em flor.
Diante da tua beleza,
em face do teu carinho,
não há no mundo
amor maior !
ESPIRITISMO ONLINE
FOLCORE
BRÉSIL POETIQUE
CULTURE
FORTUNE
HISTORIA DE MONTES CLAROS
LINKS ESPIRITAS
WANDERLINO ARRUDA
CULTURE
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:32 AM
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PAI NOSSO
WANDERLINO ARRUDA
A ti, Senhor, que és
pleno de luz e de amor,
e estás nos céus e em toda parte,
onde teu nome é sempre bendito e santificado,
de constante e eterna bondade.
A ti, Senhor, apresentamos nosso pedido:
dá-nos o teu reino
de alegria, de compreensão;
a tua vontade e não a nossa seja feita,
aqui, onde estamos, aí onde estás e estaremos um dia;
o pão da saúde, da disposição ao trabalho,
do entender e ser entendido,
do amar e ser amado,
dá-nos hoje, dá-nos sempre, Senhor.
Ainda caminhantes no erro,
dá-nos o teu perdão e o ensinamento
de como devemos perdoar.
À criança que existe ainda em cada um
dá, Senhor, a tua proteção.
Liberta-nos do mal,
ampara-nos no caminho do bem,
pois teu, Senhor, somente teu,
é o poder, o reino e a glória
para sempre,
para todo o sempre.
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ACADEMIA MONTESCLARENSE DE LETRAS
ELOS CLUBE DE MONTES CLAROS
AGENDA
BALADE
BANNER
BLUE BOOK
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:30 AM
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OLHAR-MAGIA
HISTORIA DE MONTES CLAROS
A beleza de teus olhos
eu julgo, eu analiso:
são brilhos de um céu em cor
de mil momentos.
Teu olhar tem majestade
em claro-verde
de penumbra luz,
carinho e tarde
em viagem mito
de encantamento.
Teus olhos, um esplendor,
cativam minh'alma
e o meu querer.
Teus olhos mostram,
teus olhos vibram
sonho e transcendência linda,
em direção Sul,
ou Leste-oeste,
ou ao Infinito.
Nunca vou deixar dizê-los
charme e bem-parecer,
encantamento:
a Natureza os fez,
mas o enlevo-imã,
luzir fascínio, emoção e música
só eu sei sentir.
Teus olhos,
Um espelhar divino,
uma luz crescente,
sol marcante para os meus.
Aí teu fôlego e coração:
significado de amor.
Aí, minha querida,
em guerra e viver estímulo,
reconheço te fazer feliz !
TEMPO VIRTUAL
PORTAL DOIS
CHARME POEM
BRASIL POESIAS
MENSAGENS PARA LEMBRAR
PREDICADO
AVENTURA 100
PENSAMENTO 11
LOGOS BRASIL
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:29 AM
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OFÍCIO DE PINTOR
FORTUNE
A cor do céu é que escolho primeiro.
E não precisa ser azul,
pode ser branca, amarela,
rosa-vermelho, com jeito de verde-musgo,
em sonhos das esmeraldas,
Céu também pode ser cinza,
que é cor de ingratidão.
Vistas de perto,
vistas de longe,
ondula tom sobre tom
em tardes de vento sul.
As cores são movimentos
na sombras suaves da luz.
O que fica debaixo do céu,
do sentimento da hora,
da minha disposição.
Pode ser mar, pode ser rio,
com barco ou sem barco,
ou vereda de florestazinha.
O que não pode
é o faltar montanhas,
não dar vista à distância,
não dar aos olhos lonjura
como Minas fica do mar.
O relevo é feito de pedras,
estradas, perspectivas,
claro-escuro, composição.
O que dá alegria aos pincéis do pintar,
mais do que as cores,
mais do que o ritmo
é a sensação de criar.
Pintar belezas da vida:
ofício de pintor é pintar.
WANDERLINO NET
WANDERLINO ARRUDA
WANDER POESIAS
WANDER POESIAS
WANDERLINO COM
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TEMPO VIRTUAL
PORTAL DOIS
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BRASIL POESIAS
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:22 AM
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NAÇÃO BRASILEIRA
CULTURE
Glória à raça,
glória à cor,
glória à beleza da forma.
Glória, glória,
que o negro carece,
glória, glória,
que o negro merece.
alma e vida do nosso Brasil !
Trezentos anos de Zumbi,
três séculos do bravo guerreiro,
três séculos de negro altaneiro,
na labuta do trabalho,
na luta pelo espaço
da nossa maior cultura:
dança,
comida,
música,
jogo de cintura,
inteligência viva,
liberdade,
uma alegria natural
do gostoso jeito de ser
que mais representa o Brasil !
Glória às artes do Aleijadinho,
Glória à poesia de Gonçalves Dias,
Glória ao romance de Machado de Assis,
Glória à voz de Milton Nascimento,
Glória aos pés de Pelé.
Glória ao samba do nosso Carnaval.
Juntos, bem juntinhos, na história,
todos eles, muitos mais
formam um Brasil purinho,
com vida e cidadania.
Bendita a raça que dá cor e temperatura
a este grande Brasil !
WANDER POESIAS
WANDERLINO CRONICAS
WANDER POESIAS
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WANDER POESIAS
WANDERLINO NET
WANDERLINO ARRUDA
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:22 AM
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MUSA E MULHER
BRÉSIL POETIQUE
Amor de ontem,
amor de hoje,
adorada presença de vida,
és mulher e musa,
musa e mulher,
doce sonhar.
Poesia de muitos matizes,
tempo sem conta,
és ouro e brilho, juventude muita,
colorida no encanto de infinita música,
uni-verso, vida vivida.
Eternamente linda, enamorada sempre,
És lúdica e mágica, suave e doce,
enlevo de infinita alegria.
Deusa-luz, cor de oceano,
tens fascínio de brisa-sul.
Sempre menina, sempre!
No sorriso de esmeralda
ou nos sonhos de Primavera.
Linda morena linda,
és orvalho e encanto, glória e deleite.
Na doçura do ser e do amar,
não haverá maior tesouro
ou mais deliciosa sedução!
POETRY
WANDERLINO CRONICAS
WANDER E SUAS CRONICAS
WANDER HOROSCOPOS
WANDER HUMOR
WANDERLINO CRONICAS
WANDER POESIAS
WANDER IDEIAS
WANDER MENSAGENS
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:21 AM
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DEUS TE SALVE, MONTES CLAROS
ESPIRITISMO ONLINE
Deus te salve, Montes Claros,
Deus te ajude
no progresso,
no crescimento,
na poesia,
na seresta,
na alegria da hospitalidade,
que é a tua maior virtude.
És humana,
tens beleza,
sabes amar,
sabes sofrer, sabes esperar
por um futuro melhor.
Querida, admirada
e nunca esquecida,
és um lugar que marca saudade
no mais duro coração.
A tua luz, Montes Claros,
é vigor e é ternura,
como terno é o entardecer.
Na verdade, Montes Claros,
na verdade,
tu não és apenas uma cidade,
és uma declaração de amor!
LINKS ESPIRITAS
WANDERLINO ARRUDA
CULTURE
HISTORIA DE MONTES CLAROS
HOROSCOPOS
LINKS ESPIRITAS
BRAZILIAN POEMS
LOVE
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:19 AM
[+] ::
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LÍNGUA PORTUGUESA
Wanderlino Arruda
Mensageira do amor,
timoneira da esperança,
testemunha de muitas lutas,
acompanhante de muitos anseios,
és o maior cadinho de raças
que a história já viu.
És mistura, eterna mistura
de lusos, celtas, fenícios,
gregos e cartagineses.
És cadinho ibero de romanos e suevos,
alanos e godos, gente brava germana.
Língua mãe de uma pátria universal,
mestiçagem de antigos árabes,
luta e trabalho da raça africana,
mescla de sangue da América.
És história de muitas conquistas,
na guerra, na paz,
no desfrute e na tristeza,
na opressão, na liberdade,
acima de tudo, oh! Língua Portuguesa,
és o canto maior de uma raça
de homens e mulheres
que ampliaram fronteiras.
Altaneira na humildade,
és soberana e criativa na formação
de uma nova gente
mesclada raça lusitana.
ESPIRITISMO ONLINE
FOLCORE
BRÉSIL POETIQUE
CULTURE
FORTUNE
HISTORIA DE MONTES CLAROS
BIBLIOTECA
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:17 AM
[+] ::
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JESUS VEIO
CULTURE
Ano zero, ano um,
ano dois, ano três,
Inicia-se um novo tempo.
São vinte séculos,
início do vinte e um,
dois mil anos de história:
Ele veio, pão da vida, luz do mundo.
Intenso clarear, poder divino,
amor, muito amor.
Na confraternização da paz,
Jesus chegou.
Ele veio !
De há muito, o mundo recebia preparo:
Século de Péricles, na Grécia;
em Roma, Século de Augusto.
Evolução, mudanças, novos hábitos:
nas artes, no trabalho, no ser e no viver.
Clareiras são abertas, limpas as veredas,
novo pensamento em tudo.
Pré-tempo do Batista, tempo de Jesus.
Ele veio!
Em cada momento, palavras novas:
estórias, parábolas, conselhos;
novo ensino, saber para a eternidade.
exemplos para um novo coração.
Caminho, verdade, vida,
agora a noite escura tem estrelas,
tudo está iluminado,
porque Ele veio!
O mestre não manda recados,
o exemplo é Ele próprio:
a manjedoura é simplicidade,
o templo, sabedoria,
em tudo, a revelação.
Veja quem tem olhos de ver,
ouça quem sabe ouvir.
Acima de tudo os bons sentimentos.
Ele veio!
Obrigado, Senhor Deus,
obrigado hoje e sempre,
obrigado de todo o nosso coração,
por nos ter enviado Jesus,
trazendo-nos a sua paz.
Ele veio!
CRONICAS
AMOR E POESIA
MONTES CLAROS
CULTURA VIRTUAL
DENILSON ARRUDA
ELOS CLUBE DE MONTES CLAROS
POEMAS
ELOS CLUBE DE M ONTES CLAROS
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:16 AM
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INFINITA INFINITUDE
HISTORIA DE MONTES CLAROS
Céus em cor de infinito,
tempo futuro,
liame-ouro em tons de prata,
belo horizonte
de hálito-vida e sobrevida,
no imortal de sempre.
Infinitude é felicidade plena,
de invisíveis segundos
e minuto-encanto.
Infinitude é doce-mel,
séculos de multisséculos,
na emoção do amor.
Na infinitude, o hoje é mais.
Ontem e amanhã mandam sorrisos
e silenciam lembranças,
além do ser e do não-ser.
Infinitude sim, infinitude assim,
é gesto muito em sentimento-luz,
de tecelagem-sonho
no eterno bem!
ELOS CLUBE DE MONTES CLAROS
ESPIRITISMO ONLINE
LINKS ESPIRITAS
HISTORIA DE MONTES CLAROS
MONTES CLAROS, CIDADE DA ARTE E DA CULTURA
ROTARY CLUBS DE MONTES CLAROS
WANDERLINO ARRUDA
WANDERLINO CRONICAS
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:15 AM
[+] ::
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DE LUZ DEUS FEZ...
Wanderlino Arruda
De luz,
de muita luz,
Deus fez dos céus o anil.
De intensa luz,
das infinitas luzes,
Deus fez o rosa,
o lilás, o branco branquinho,
o vermelho e o amarelo.
Com a luz de Deus,
cobalto, cinza, creme,
muito de topázio e laranja,
muito de verde e tons de verdes.
Mil verdes de matas,
verdes de mil oceanos
e de pastos verdejantes.
Verde-água,
verde-cana,
limão-verde,
verde-azul,
verde-verde.
Verde olhar da mulher linda!
TEMPO VIRTUAL
PORTAL DOIS
CHARME POEM
BRASIL POESIAS
MENSAGENS PARA LEMBRAR
PREDICADO
AVENTURA 100
PENSAMENTO 11
:: DENILSON REGO ARRUDA 10:12 AM
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CHARME-ESMERALDA
Wanderlino Arruda
Teu charme é existência muita,
Olhar de pura esmeralda,
sorrisos de plena alegria,
verde alegria,
insinuante, encantadora.
És cada vez mais linda!
Tua beleza desfila manhãs
com cintilantes majestades,
sedução, magia,
mágica sedução.
Em tua presença,
tempo é não-tempo,
vôo e sonho, encantamento.
As horas passam depressa,
saltitantes, lúcidas, lúdicas,
ligeiras, ligeiras,
brisa em vento de mar,
ou em montanhas de Minas.
Dizendo que a vida ilumina,
tua inteligência vibra e voa
com entusiasmo paira-pairando,
em desfiles de pura poesia.
Por onde passas, por onde vives,
com teus olhos tão verdes,
o horizonte deixa saudades
em definitivas lembranças.
Cada manhã é tempo de ser feliz,
eternidade de ti,
eterno tempo!
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:: DENILSON REGO ARRUDA 10:09 AM
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CANTARES DE AMOR
Wanderlino Arruda
Explodindo meu amor,
se não o sabes,
oh! mais formosa das mulheres,
oh! mais linda e minha:
é entre o translúcido
do mais puro mel,
que apascentas os cabritos,
até os limites da tenda
deste teu alegre pastor.
Ás poldras do carro do Faraó,
às graciosas sílfides do amor,
te comparo, te vejo
e sinto, oh! querida minha,
oh! encanto de mulher-menina.
Fogosas são tuas faces,
sonoro teu jeito de ser
harmonia muita,
formosura sim!
Entre as belezas
dos colares de teus seios,
com incrustações de prata
e róseos diamantes,
enfeites de ouro farei.
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:: DENILSON REGO ARRUDA 10:07 AM
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BUSCA DE BELEZA
Wanderlino Arruda
Ando querendo aprender,
ando procurando saber
o que é mais bonito na vida.
E nesse busca tão longa,
descobri alguma coisa:
o sorriso das crianças,
o canto dos passarinhos,
o vento em forma de brisa,
movimentos de nuvens,
claridade do céu após a chuva,
murmúrio de águas que passam,
música ao longe,
saudade dos quinze anos,
beijos da mulher amada.
Descobri mais ainda:
A sinfonia de um amanhecer,
a tristeza da boquinha da noite,
o dia de Natal,
o primeiro velocípede,
primeira bicicleta,
primeira árvore que a gente planta,
viagem de férias para bem longe,
tradução sem dicionário,
o quadro na exposição.
Doce é ver enchente,
sentir neblina,
Chupar manga rosa,
comer pêssego maduro,
e... sonhar acordado.
DENILSON ARRUDA
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BONS DIAS BEM VIVIDOS
Wanderlino Arruda
Doce lembrança,
saudades,
adoráveis sentimentos,
claros montes,
luz, muita luz,
intensa luz.
Meio-dia, limite,
alegria muita.
Na distância, um logo além;
no depois, um antes:
auroras, felicidade.
Tardes de intensa alegria,
noites-verão, dias-inverno,
Ingênuas manhãs,
ingênuas,
bem ingênuas,
mais que a madrugada
de sonhos nos sonhos,
deleite.
Simbiose, crepúsculos,
tons vermelhos,
rosa-amarelo, ouro no azul,
lilases e sombras,
douradas maravilhas...
prata.
Antes do depois, ainda,
fios de claridade,
fontes, conforto-luz,
pura alegria,
sorrisos,
bons dias bem vividos!
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AMOR - ENCANTAMENTO
Wanderlino Arruda
Um encanto existe,
estado d¿alma de doce enlevo,
um quê de alegria verdadeira,
algo que me diz do bom-viver,
visão de eterna busca:
pequenas coisas, simplicidade,
procura ansiosa e constante.
Sinto, entendo, sinto
que o grande presente da vida
é dádiva de multisséculos,
em gerações sem fim.
O ser feliz é estar amando
e ser amado,
de tempo em tempo,
ou em todo o tempo,
não só do agora.
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AMAR ¿ AMOR
Wanderlino Arruda
Amar,
Amar muito,
Amar todas as horas,
amar sempre, sempre.
Amar a vida,
te amar, meu amor,
porque amar é viver.
Gostando de ti,
gosto do vida,
vivo de amar.
De tudo que acontece,
no meio dos sofrimentos,
num mundo de alegrias,
adoro teu existir,
adoro o teu sorriso.
O brilho da alegria
do verde dos teus olhos
tem sonorizado sonhos
e muitas esperanças,
da terra ao céu.
És doce cheiro,
perfume de muitas flores,
hálito de brisa e luz
ontem e hoje carinho.
Acima de tudo,
é de ti,
somente teu,
o meu viver,
o meu amar.
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ALEGRIA DA PRÓPRIA ALEGRIA
Wanderlino Arruda
Está em todo canto, em toda parte,
no meio das cores, no meio dos sons,
pode estar nos montes, nas planícies,
em jardins, nas ruas, nas praças,
em escolas, nos escritórios,
nas lojas, em ante-salas.
Existe alegria no ritmo, no movimento,
Ao acender das luzes e até no pisca-piscar.
Sente-se alegria no balanço do mar
E no andar da moça bonita.
sente-se a alegria dos passarinhos,
em vôos e cantos,
e no vento que passa.
Na inocência das crianças sente-se alegria,
na malícia dos jovens sente-se alegria,
e na sabedoria dos velhos.
Alegria das plantas durante e depois da chuva,
alegria dos montes no despontar do sol,
alegria da mãe diante da graça do filho,
alegria divina diante da beleza do amor,
alegria de todos diante da própria alegria.
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:: DENILSON REGO ARRUDA 10:01 AM
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ADORO TUA BELEZA
Wanderlino Arruda
Adoro a tua beleza,
a luz da tua simpatia,
o amor gostoso que há nos teus olhos,
um brilho, uma bênção de felicidade
que tua alma não deixa esconder,
que te faz tão linda !
Como é bom amar a vida
do jeito que te vejo amar.
Bom seria que estivéssemos sempre juntos,
bem juntinhos para vermos sol e lua,
para sentir as estrelas todas
e contá-las no tempo e no infinito,
com infinita ternura.
Bom seria ter sempre e sempre
a sensação de tua presença,
do teu calor,
da tua pele morena,
da tua alegria,
do teu viver !
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:: DENILSON REGO ARRUDA 9:55 AM
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À MODA DE SALOMÃO
Wanderlino Arruda
Mais linda que um alvorecer,
és formosa como Raquel,
num raro dia de paz
da aprazível Jerusalém.
Formosos são os teus passos,
e é verde o brilho debaixo do véu,
sobre as faces de carmim.
Tua beleza nasce e renasce
entre renovos do vale,
onde brotam e florescem vides.
Imagino-me no carro de sonhos,
enquanto um beija-flor te contempla,
oh! inimitável Sulamita,
mestra em dança de Maanaim.
Tuas sandálias,
Oh! filha do príncipe,
espelham os meneios de teus quadris.
Teu umbigo, oh! menina-moça do vale dourado,
é taça em que não falta bebida.
Sumo e cheiro de rosas em cio!
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:: DENILSON REGO ARRUDA 9:54 AM
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A POESIA DE DÓRIS
Wanderlino Arruda
Linda a poesia de Dóris,
Linda!
Muito de poesia:
beleza de juventude,
ritmo de meninice,
colorido de alegria.
Mil cores.
Confidência de Primavera,
Dóris deixa fluir e fluir-se
sem segredo algum.
O verso é cristal:
jorra e seduz, jorra sincero,
limpo e transparente.
Agradável sempre!
Dóris canta o canto,
não importa se o dia é dia
ou se a noite chega,
porque poesia tem cheiro-criança
e brilho de floresta mágica.
Toda criatura é de Deus,
realidade sempre.
A música é livre
e o verso não é ilusão.
No infinito olhar de Dóris,
o além permite caminho
E o amanhã será sempre lindo.
Preciso é dourar a esperança,
preciso é viver e amar,
dispensando a visão de enfeites.
¿Felicidade é pés na enxurrada,
tamancos na mão,
alma ensopada
pingando paixão¿.
Mais do que isso,
só banho em águas de fadas,
ou dança com duendes
de múltiplas madrugadas.
Precisa mais?
CHARME
CRONICAS
AMOR E POESIA
MONTES CLAROS
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DENILSON ARRUDA
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POEMAS
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:: DENILSON REGO ARRUDA 9:52 AM
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A HORA É NOSSA
Wanderlino Arruda
Sorrisos e perfume de amor
tudo é doce melodia, viver-felicidade.
Hoje e sempre,
o encanto dos beijos,
o calor nos abraços,
cheiro gostosíssimo de mulher linda.
Vibrando felicidade,
te aperto o corpo,
te vejo e sinto
em sedutor enlevo.
És carinho e luz,
alegria e paz,
encanto sempre,
doçura-mel.
Que calor gostoso teu corpo faz
e como é bom o sentir-te amada!
Colorida nobreza tens,
justo e merecido é o teu querer .
A hora é tua,
a hora é minha,
a hora é nossa.
Tempo esplendente de amor...
Acariciando teu rosto,
de pertinho te olhando,
degusto e cheiro,
escuto um tilintar de cores,
no sempre te sentir menina.
Vibro e vivo,
É maravilhoso viver de amor!
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SECO SERTÃO
Wanderlino Arruda
Longas serras, cactos, distância,
cor de palha, quase cinza,
lonjuras de tons de verde,
tudo escaldante, infinito pó.
Terra e natureza mortas,
vegetal morto, morto o animal.
Em primeiro plano,
quase dentro de quem olha,
a seca é de ano inteiro,
perspectiva com ausência de vida,
em close, somente o sol.
Pouquíssimas presenças,
algo que é, sem nunca ter sido¿
ISLAND 111
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SONHA COMIGO, SONHA !
Wanderlino Arruda
Sonho, sonho,
doce sonho,
carinho-amor,
sonho-carinho,
tudo em majestade luz.
Cor sobre cor,
Cor dentro da cor,
tez e tom,
imagens de linda ilusão,
mais do que real,
numa curva do amanhecer.
Sonha comigo, doce menina,
como momentos de bom viver:
no meu amor,
em nosso amor,
ontem, hoje, depois de amanhã,
ainda e sempre!
PROMENADE 33
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:: DENILSON REGO ARRUDA 9:49 AM
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CIRCO, MAIS QUE UM SONHO
Wanderlino Arruda
Todos nós temos doces lembranças
de um novo ou de um velho circo,
dependendo de onde nascemos
ou vivemos os primeiros anos de vida,
cidade pequena ou cidade grande...
Em nossas lembranças sempre haverá um circo:
pobrezinho de chão de poeira,
lona furada, sem cores,
leões já velhos, sem dentes,
bicicletinhas para equilíbrio,
ou então uma visão de brilho,
rico luxo, madrepérolas,
mágicos importantes com mil fantasias:
coelhos e bandeiras, fitas, muitas fitas,
lindas as moças vendendo saúde,
meninos louros voando em trapézios,
tudo mais que um sonho acordado!
Sempre guardaremos esse lirismo,
essa saudade gostosa
do primeiro encontro com o circo,
jamais desfeita de nossa memória
e de nosso coração¿
Delicioso aquele primeiro espetáculo¿
Inesquecível...
Sim, inesquecível!
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PREDICADO
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PENSAMENTO 11
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:: DENILSON REGO ARRUDA 9:49 AM
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CIRCO, MUNDO DE FANTASIAS
Wanderlino Arruda
Há pouco tempo, em Mirabela,
fui a um circo pobrezinho,
lona quase caindo aos pedaços,
um chão poeirento de fazer dó,
arquibancadas mais velhas que o vendedor de ingresso.
A trapezista e o equilibrista, coitados,
a gente não sabia se admirava ou tinha pena...
Parecia até a história do circo do Adauto Freire,
estória de um circo que acabou em Bocaiúva,
que ele contava com muita graça !
O circo, um acontecimento adorável,
quanta saudade renova na gente!
O que estava, em Mirabela, também era um circo!
Era um circo¿ E tinha palhaço!
E um palhaço, velho ou novo,
mesmo descalço como o daquele pobre circo,
em maravilhosos trejeitos,
representa um mundo de fantasias,
é acridoce poesia de sofrimento,
redesenho e halo de ilusão¿
Um palhaço, sabendo ganhar
e com esportiva sabendo perder,
é o que mais representa o circo,
um pouco de tudo que deveríamos ser,
para nunca deixarmos de ser felizes...
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:: DENILSON REGO ARRUDA 9:48 AM
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ENTRE A TERRA E O CÉU
Wanderlino Arruda
Entre a terra e o céu,
gosto de quase tudo:
das flores, da brisa, da luz,
principalmente de um verde-floresta
ou de um barulhinho de aguas
em tempo-descanso.
Gosto de tudo que ainda é criança
em albores do amanhecer,
sem vícios, sem manchas,
luzindo promessas de amor.
Mas, acima de tudo,
de mais do que tudo,
é de ti, minha querida,
o meu gostar,
o meu viver!
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:: DENILSON REGO ARRUDA 9:47 AM
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ADORO TUA BELEZA
Wanderlino Arruda
Adoro a tua beleza,
a luz da tua simpatia,
o amor gostoso que há nos teus olhos,
um brilho, uma bênção de felicidade
que tua alma não deixa esconder,
que te faz tão linda !
Como é bom amar a vida
do jeito que te vejo amar.
Bom seria que estivéssemos sempre juntos,
bem juntinhos para vermos sol e lua,
para sentir as estrelas todas
e contá-las no tempo e no infinito,
com infinita ternura.
Bom seria ter sempre e sempre
a sensação de tua presença,
do teu calor,
da tua pele morena,
da tua alegria,
do teu viver !
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:: DENILSON REGO ARRUDA 9:45 AM
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OLHOS DE ENCANTO E SEDUÇÃO
Wanderlino Arruda
Teus olhos encantam,
teus olhos seduzem,
teus olhos falam de amor
sempre com intensa ternura
dos mais doces momentos.
Teus olhos, divino encanto,
espelham um iluminado brilho
e são esplendor de majestade.
Teus olhos, minha querida,
marcam inteligência e beleza
e faíscam os sonhos mais lindos.
Teus olhos, oh doce menina,
viajam múltiplos caminhos
e nuances esmeralda-mel.
Teus olhos, oh deliciosa doçura,
traduzem mais que mil vidas
e têm cores de Primavera!
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:: DENILSON REGO ARRUDA 9:45 AM
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SÉCULO XXI - MUDANÇAS
Wanderlino Arruda
Instantâneo nos calendários,
este século é contado em segundos
e traduzido em mensagens.
Esforço pessoal e coletivo,
atividade de cada dia, tudo interminável
hoje e sempre.
Século de muitas lutas:
inteligência e progresso,
cores em tudo marcantes:
razão e emoção, ódio e amor,
sentido de urgência sempre.
Século XXI não tem tréguas:
tsunamis de sofrimento,
vagalhões de encantos.
Em toda parte, calor de guerras,
poucos oásis, poucos...
Quase ninguém suspira paz.
Novos projetos, defesa de novos direitos.
Concorrência em tudo, informação.
Novas formas de se ter pressa
ou diminuir o tempo,
porque ninguém é de ferro.
Muda-se a própria mudança.
É como diz Machado:
¿Mudou o Natal ou mudei eu?¿
Em verdade, em verdade:
já não somos os mesmos...
CRONICAS
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:: DENILSON REGO ARRUDA 9:42 AM
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SENTIMENTO DA SAUDADE
Wanderlino Arruda
Para cada um de nós,
haverá um dia
ou muitos dias,
que, sem aviso prévio,
bate uma imensa saudade.
Nem adianta prever,
nem é preciso saber,
porque saudade é sentimento,
e não se faz de rogada
para estar ou existir.
Ela vem de mansinho,
ou com jeito de tempestade.
Sempre vem,
sempre marca presença,
no amor, na amizade...
E que bom!
WANDER POESIAS
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CHARME
:: DENILSON REGO ARRUDA 9:41 AM
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AS MÃOS DO ROTARY
Wanderlino Arruda
No Rotary,
o cérebro pensa,
o coração inspira,
as mãos realizam.
No Rotary,
mãos comandam, mãos obedecem,
mãos dirigem, mãos constroem,
mãos semeiam, mãos afagam,
mãos aplaudem, mãos ajudam,
mãos ensinam, mãos aprendem.
No Rotary,
mãos são antenas vivas
por onde se exterioriza
nossa própria vida material e espiritual.
No Rotary estão e estarão
as mãos que curam,
que indicam caminhos,
que conduzem o alimento ao faminto
e o remédio ao doente.
No Rotary,
as mãos que ninam crianças,
as mãos que cumprimentam,
as mãos que sinalizam,
as mãos que exigem,
as mãos que vêem e prevêem:
os sinais mais convincentes
de nossa passagem pela Terra.
HOUSE TREE
SKYMASTER 100
CHANNEL 202
ISLAND 111
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ACADEMIA MONTESCLARENSE DE LETRAS
:: DENILSON REGO ARRUDA 9:39 AM
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